sábado, 28 de fevereiro de 2015

(2015/229) Da série Novas Cantoras Portuguesas

1. Maria Teresa
Faltam-me as palavras.












OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/228) Sobre vovó e mamãe e os textos do Facebook

Alguém, curioso e educado, comenta a carta-resenha que escrevi para o livro de interpretação bíblica do Nicodemus e faz um comentário que acho que devo tornar público. O que ele disse foi: o tom da carta é educado, cordial, tem até uma carga devocional, mas seus posts no Facebook perderam essa carga e até a cordialidade - o que teria havido, ele pergunta...

Explicarei. A carta: era 2005 ou 2006. Era dirigida a uma pessoa específica. Fosse ao diabo, ainda seria cortês, por força da educação que recebi de minha avó e de minha mãe, à força de um sopapo aqui e outro ali... No face, eu escrevo para ninguém. Para todos - mas para ninguém. Tenho o leitor-tipo e escrevo para ele, que não existe. O leitor real deve saber lidar com os textos. Se não sabe, deverá aprender. É assim com smarts novos: compra-se, não se sabe usar, aprende-se. Se quer ler, aprende. Se não quer, não tem problema - há milhões de pessoas para serem lidas...

Mas é verdade que tenho aumentado a carga nervosa dos textos, ainda que sem perder a ternura... É a cada vez maior falta de paciência. Estou envelhecendo. Vai piorar.

Quanto à carga devocional, bem, há mais de uma explicação. Na carta, foi retórica: emular a atmosfera paulina, digamos, que abusa dos floreios, das doxologias, dos blá blá blás teológicos. Tentei fazer o mesmo. No entanto, não se descarte a hipótese de, há dez anos, haver ainda alguma sobra de devoção ao mito cristão em meu peito, ainda que administrada e cada vez mais assustada consigo mesmo...

Minha devoção ao texto bíblico hoje reduz-se ao respeito de tentar tratá-lo como merece. 99% das devoções que conheço são falsas - são devoções à leitura dogmática que enfiaram na cabeça do coitado: quando ele se defronta com a interpretação mais séria, apostata, dá ataques de pelanca, tira a roupa e sai correndo pela rua, maluco das encefálicas... Tudo pose, tudo pantomima, tudo teatro, tudo abissalmente insuportável...

Dito isso, volto para Sid Meier’s Civilization V, que ninguém é de ferro...














OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/227) Fragmentos facebookianos

I.

Há anos não escrevia ou dizia "dito isso".

Eu comecei minha "carreira" docente dando aulas de teologia em Nova Iguaçu, no mesmo seminário onde me formei. Acho que no segundo ano, ou terceiro, de docência, um aluno, não lembro quem, conversando comigo em reservado, disse-me que a cada dez minutos eu falava "dito isso".

Nunca mais falei...

Se ele está lendo, obrigado.



II.

Eu entendo que pessoas submetidas às injunções normativas heterônomas da religião autocrática, teocrática, monocrática, possam, a despeito disso, sentir-se livres e desejarem a manutenção de sua desautonomia...

... Comparo o fenômeno àquele de os escravos do antigo sistema judaico-israelita decidirem manter-se escravos, e darem a orelha a furar no umbral...










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/226) Não há "dez passos para" a exegese...

Não há receita de bolo para interpretação de textos bíblicos. Não gosto das metodologias de exegese que formatam os passos e enfiam o aluno dentro deles - sejam metodologias de sala de aula, sejam metodologias de livros para se usar em salas de aulas.

Textos de dois mil e quinhentos anos de idade não são mecanismos de relógio, sobre o qual se pode dar cursos que ensinam onde enfiar cada ferramenta, onde pôr as lubrificantes substâncias, onde fechar, onde há cliques e trepa-moleques. Textos bíblicos são territórios humanos, tão humanos quanto eles, inusitados, inesperados, únicos, subjetivos - de sorte que só se sabe o que há neles depois de lá se ter ido. Nesse caso, não há como saber de antemão que fazer, que ferramentas usar...

Só há uma forma de fazer com que o aluno use as ferramentas e dê os passos que o professor quer: fazer ele repetir rigorosamente a interpretação que o próprio docente fez. Isso faz do aluno mera cópia. É possível, todavia, em um modelo do tipo Bernardinho: aprender o jogo, jogar o jogo, ganhar o jogo - ensina-se a fazer tal qual o próprio professor, para que, amanhã, o aluno faça sozinho e do seu próprio jeito... Mas, nesse caso, será preciso deixar claro que o aluno está aprendendo a exegese de seu mestre - e não exegese.

Textos são expressões da alma das pessoas que as escreveram. Lê-los é como conversar com quem os escreveu. Não há roteiros para conversas, para diálogos: há apenas o risco, a abertura, a atenção, a observação, a compreensão, a adequação...

Aprende-se fazendo.












OSVALDO LUIZ RIBEIRO

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

(2015/225) Mas quem não dialoga sou eu...


Estava agora no banho, esse lugar de superlativos pensamentos e revelações verdadeiras, e me veio um pensamento à mente, acompanhado de um riso de ironia: tomam-me, um exegeta histórico-social, como pouco dialogal em minha incisiva insistência para com a metodologia de acesso histórico-crítico aos textos sagrados - trocando em miúdos, na minha neurose de querer entender o que o raio do escritor do texto, vejam vocês, quis dizer quando... escreveu o texto...

Mas, cá entre nós, sou eu o sovina em dialogicidade?

Vejamos: a) admito a possibilidade teórico-metodológica de acesso ao sentido histórico dos textos (é meu único interesse), b) admito a possibilidade de recuperação da história da leitura desse texto (mas não é meu interesse), c) admito a polissemia dos textos, de sorte que são abertos a todo tipo de interpretação. Pois bem: onde, nesses passos, me fecho ao diálogo?

Agora, me desmintam, se eu estiver errado - todo o intérprete que opta pelo abandono da busca pelo sentido histórico dos textos e então cai ou na estrada dos estudos de recepção ou na das leituras criativas, ditas contextuais ou metafóricas, todos ou quase todos, a maioria que eu conheço, vai, enterram como possibilidade a busca pelo sentido histórico - isto é, justamente o que eu tento fazer...

E quem não dialoga sou eu...














OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/224) Espiritualidade sistemática, é?


A espiritualidade, seja lá o que isso for, já que o nome está preso ao mito da alma, de modo que já de partida se navega em águas viciadas, a espiritualidade, então, é até legalzinha, desde que não se sistematize nada, se explique coisa nenhuma, se aponte para nenhum lugar, se olhe para face alguma... Há muito doutrinismo açucarado penando que é - mas o que é isso mesmo? - espiritualidade...









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/223) Sobre a defesa da religião

É curiosíssima a estratégia de certos defensores da religião em pleno século XXI. Não se vai, óbvio, voltar às retóricas da mitologia. É preciso uma estratégia moderna... É terapêutica a religião, diz-me o núncio religioso. Entendo. Não vou discordar, contanto que também se reconheça que é patológica, digamos assim, como remédios, que, em dose excessiva, matam. Ficamos assim, então, é potencialmente terapêutico. Sim, sim: arremata, para isso aguardando, meu evangelista moderno: e todos necessitam da terapia...

Despeço-me e vou-me embora, constatando, mais uma vez, que mudam-se todas as coisas para não se mudar absolutamente nada...











OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/222) Do que é que a Vida precisa mesmo?


A Vida não precisa de nada além de Vida.



Os animais vivos, quanto mais complexa a sua estrutura cérebro-motora, mais inventam coisas para ilustrar a vida - como as brincadeiras de mamíferos, as danças das aves...

Em nós humanos, esse desdobramento evolutivo-acidental da Vida alcança as maiores alturas, transformando-se em arte e religião, por exemplo.



Ora, especulação por especulação, mas sempre mantendo-se na estrada de procurar fora da Vida o sentido da Vida, pode-se cogitar de ter sido esse acidente evolutivo um caminho "planejado" pelo Cosmo para alguma coisa que ele quisesse e para o que precisava... de nós!



É sempre a megalomania humana...



Vejam vocês: o Sol transforma-se em uma supernova ou algo assim e tudo isso aqui, toda essa megalomaníaca grandeza evapora-se, e lá vai o Cosmo para a ignorância outra vez...



Era só masturbação.



Pensávamos, todavia, em uma orgia sideral...










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/221) Física quântica e esoterismo/misticismo

As tradições esotéricas até o século XIX ensinavam que o Universo constitui a expressão aparentemente múltipla de um único "espírito" de fundo que, por força de diferentes campos e frequências de vibração aparecem ao observador humano como porções distintas e, mesmo, grandezas e objetos distintos. No fundo, todavia, um ÚNICO "espírito", ou, se preferirem, uma única MATRIZ.

É interessante observar como as apropriações da Física Quântica caem cada vez mais no leito desse rio-narrativa.

Talvez aí se encontrem os próprios físicos quânticos, os desbravadores das primeiras gerações, já que entre eles havia muita gente envolvida com tradições esotéricas, sociedades fechadas e até muita admiração pelas religiões orientais (Budismo/Hinduísmo/Taoísmo). Hoje, na outra ponta, uma difusa atmosfera New Age providencia o espalhamento das sementes...

É como vejo a cena.











OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/220) As fases da relação pesquisador (inicialmente crente) com o texto sagrado

Fases da relação pesquisador (inicialmente crente) com o texto sagrado:

a) aprender as verdades divinas da religião
b) aprender as verdades divinas que a religião não entendeu ou deturpou
c) confrontar a religião e os religiosos com as verdades divinas finalmente bem entendidas
d) compreender os textos sagrados independentemente de seu uso local nas religiões

Há quem ache que eu estou na fase "c". Nem de longe. Meu único interesse é a fase "d". As críticas que eventualmente faço à religião e a religiosos não são pautadas em uma "finalmente adequada compreensão dos textos sagrados", mas de uma compreensão pessoal do contexto maior da vida, da sociedade, da política. Ou seja: não é mais "religiosa" a crítica que faço, não se pauta (mais) por uma pretensa posição mais próxima ao sagrado ou à verdade do sagrado. Muito pelo contrário, é uma posição humana, histórica, pessoal, autônoma.











OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/219) Sobre a necessidade da religião

Bem, se é verdade - e eu insisto no "se" ("se é verdade") que a função da religião é promover uma narrativa de sentido para a vida da pessoa, acho que as experiências de arte do mundo moderno, as experiências de literatura, de esportes, ou seja, a cultura vivida como estrutura significante, funciona exatamente assim e torna, nesse sentido, desnecessária (nesses termos) a religião...

Há, todavia, quem precise da religião por questões de crença no amparo monetário, a gente pobre, principalmente, que vê na religião uma forma de obter dos deuses o que não tem em vida... Quanto a isso, Hegel já dizia que tudo isso é tarefa que o Estado deve assumir, se somos mesmo éticos (mas não somos!), de modo que, para aqueles que têm na religião essa necessidade, ela acaba igualmente tornando-se desnecessária.

Para outras pessoas, a necessidade da religião está mais no convívio com as pessoas. Mas não vou nem aprofundar o tema, porque só a sua menção já faz com que meia dúzia retruque, dizendo que isso não é razão para as pessoas estarem nos locais sagrados... Mas é, e uma das mais significativas!

O que resta? O crédulo dogmático, aquele que não está interessado em uma narrativa de sentido nem em bênçãos nem em convívio, para aquele para quem a religião já se tornou um vício, do qual ele não consegue se livrar, porque, diferentemente do cigarro, do álcool, das drogas, ele não interpreta como vício o vício que tem.

Seja como for, resta que não há uma razão para as pessoas estarem na religião: há várias. E uma razão o é para um, mas não para outro. De sorte que isso facilita a manutenção do jogo, já que há uma vasta clientela.









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OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/218) Meu amigo teólogo clássico ciosissimamente bíblico

Meu amigo é um teólogo clássico e ciosamente "bíblico". Ele me diz que Deus não se arrepende. Eu lhe provoco, porque a provocação teológica é a "auscultação freudiana" do teólogo clássico ciosamente bíblico - provoca que ele solta... Eu lhe provoco: mas em Gênesis diz que Yahweh se arrependeu de ter feito o homem da terra...

O teólogo clássico ciosamente bíblico está sempre esperando por contestações dessa ordem. É uma força de expressão, um antropomorfismo, mas Deus não se arrepende. Entendo, digo eu, mas não no sentido que ele acha que eu disse, porque ele acha que eu disse que entendo a explicação, que, para mim, é mitologia pequena, mas eu entendo é o esforço dele mesmo para desembaraçar-se do embaraçoso.

Todavia, minha vida é embaraçá-lo. Socorra-me em uma questão: se é na Bíblia que a gente aprende sobre Deus, e se na Bíblia está dito que Deus se arrepende, de onde você tirou a informação - se informação é - de que Deus não se arrepende?

Sinto que toquei em uma ferida. Ele para. Exatamente como eu imaginava, só resta a ele citar Bíblia: Deus não é homem para que se arrependa, diz a Palavra...

Entendo, respondo: e, de novo, ele não entende o que eu estou dizendo quando digo que entendo. Deixa eu ver se eu entendi mesmo, então: um verso diz que Deus se arrepende e outro verso diz que Deus não se arrepende. De modo que: a) há contradição entre os versos e b) você escolhe o que lhe mais agrada...

Ele me manda lamber os chifres de Satanás e se vai, ciosamente bíblico...










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/217) Do medo horroroso da ideologia


Sobre ideologia e discurso...

Eu acho tudo muito engraçado...

Na academia, não se pode achar nada engraçado, você tem que fazer de conta que leva tudo muito a sério.

Eu acredito (se é um caso de "acreditar", posto que me parece mais um fato a se constatar) que a ideologia interfere nos discursos, porque interfere já na visão de mundo.

Mas acho que ela pode ser vencida.

Não definitivamente.

Nunca definitivamente.

Mas ela pode ser identificada e contornada, e pode até ser abandonada, ainda que imediatamente substituída por outra...

Mas o que eu quero dizer é que não se pode assumir que a condição humana seja de inexorável ideologia insuperável...

Se eu admito isso, eu nunca mais ensino nada, leio nada, ouço nada de nenhum professor, porque dizer ou ouvir ou ler ou escrever qualquer coisa é puro exercício político-teatral e mais nada.

Se eu não admito a possibilidade de detectar a ideologia e, detectando-a, contorná-la, tudo o que chamamos de conhecimento não passa de folclore - o que é uma colossal besteira, se admitido retoricamente...

Mas há quem tenha horrores de assumir que a ideologia possa ser identificada, contornada e localmente superada em exercícios de diálogo crítico honesto.
Não podem.

Paralisam-se as falas...

Pois eu digo que se você não pode admitir isso, então não devia entrar em sala de aula, porque o que vai fazer, das duas uma, é: a) ou teatro, b) ou catequese.

Dias difíceis os nossos...

Vive-se com medo...











OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/216) Para quem trabalhar é bom


A vida tem apenas um foco - cada um de nós, no fundo, dedica-se a uma e uma única coisa. Quando essa coisa única é o trabalho, ninguém segura... Mas quando o trabalho é apenas o trabalho, a gente o administra como a um empecilho para os verdadeiros prazeres da vida... Encontre alguém cujo prazer é o trabalho e encontrará a pessoa mais feliz do mundo... no trabalho...








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OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/215) A eterna infantilização programática das almas


Se você não é capaz de olhar para as pessoas como se elas fossem crianças, tratá-las como se crianças elas fossem, ainda que, retoricamente, as enuncie como adultas, então você não pode ser um líder religioso (cristão) - porque a religião é basicamente aquele procedimento social de eterna infantilização das pessoas. Deus as ama tanto que não as pode deixar, enfim, crescer...








https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/792705807476658


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/214) Obras completas de Machado de Assis











OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/213) Ser teólogo a ponto de...

Ser teólogo ao ponto de tomar essa letra e tratá-la com todo respeito, reverência, senso de beleza e estética, emoção até, por conta da expressão que ela é da alma de uma crença... O coração de teólogo que ouve a letra e sente revolver-se o estômago é ainda uma subcriatura humana, uma espécie de ogro anti-ético, mal formado, inacabado, mau, quase estragado, à beira de apodrecer-se em vaidades ignorantes e empáfias que tais...

Eu nunca vi Mamãe Oxum, mas é o mesmo que Moisés ver as faces de Yahweh. E ponto final...













OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/212) Se há subjetividades múltiplas é porque somos potencialmente múltiplo-subjetivos

Mary Rute Esperandio, se o mundo "moderno" impõe sobre os sujeitos históricos a elaboração de modelos de comportamento social reflexos de subjetividades flexíveis e adaptadas às demandas plurais e efêmeras - o que seria próprio do momento histórico atual -, isso não se dá apenas porque a condição biopsicológica humana é potencialmente aberta para esse tipo de elaboração subjetiva?

Digamos que não fosse possível, digo de outro modo, que não fosse uma potência humana a possibilidade de serem plasmadas subjetividades flexíveis... De nada adiantaria o mundo moderno demandar o que quer que fosse nesse sentido, porque a plataforma operacional humana simplesmente não aceitaria a encomenda... Mas ela aceita e atende o pedido.

Sou forçado, pois, a concluir que o ser humano dispõe potencialmente da capacidade de dispôr-se a si mesmo de múltiplas subjetividades, e que isso em si não corresponde a qualquer momento histórico, mas caracterizando-se como estrutura interna da emergência do cérebro-espírito. O que seria histórico, aí sim, seria a demanda pela atualização dessa potência biopsicológica... Hoje, digamos assim, atualizam-se as subjetividades múltiplas, líquidas, mas apenas por uma questão de demanda, porque o ser potencialmente múltipla ou líquida, bem, aí já se trataria de estrutura mesmo...

Deliro?









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/211) Exu não é (o) diabo...

Tudo bem, Exu não é diabo.

Todavia...

Nas casas de Umbanda do Rio de Janeiro, nas portas, situavam-se imagens de tamanho real do diabo, com chifres, tridente, rabo, pé de cabra... Esse diabo literalmente cristão era identificado com os Exus...

Pois bem: questão - a Umbanda aceitou a identidade?, criou-a? De onde deriva a identificação - dentro das próprias Casas de Umbanda, entre o diabo e os Exus?








(2015/210) Fragmentos facebookianos

I.

A mitologia cristã não me aborrece tanto mais. O que ainda me deixa furioso, aborrecido, o que me suscita intolerância é a empáfia, a arrogância, a presunção, a vaidade e a prepotência de um povo de resto ignorante de sua própria condição mitológica a arvorar-se em farol do mundo. E acrescento, para aumentar minha culpa: quanto mais estudado, quanto mais lido, quanto mais culto o cristão, maior a minha intolerância, se ele vomita o mesmo caldo nauseabundo que os mais ignorantes dentre eles.

Não tenho mais paciência.



II.

"Todas as coisas consistem no Sim e no Não (...) Não são duas coisas colocadas lado a lado, mas uma só coisa 9...) Se não fossem essas duas coisas, em constante conflito, todas as coisas seriam Nada, e permaneceriam silenciosas e imutáveis" (Jacob Böhme).

Se isso não é Taoísmo...

https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/793728487374390


III.

Se você tem dúvidas de que tem dedo, dedos, mão, mãos, pé, pescoço, rins, fígado, dentes e tripas de estrangeiros - do Norte! - nas operações de desestabilização e paralisação do Governo, então você está há tempo demais no mundo do faz de contas e perdeu o jeito de ser realista...

https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/793670504046855


IV.

Alguém que acredita que, na TV, algum diabo é expulso e algum doente é curado, acredita em tudo que lhe vem à face: é, literalmente, para todos os fins, um crente...

E, naturalmente, um tolo.

https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/792702284143677


V.

Para quem só conhece mesmo a experiência religiosa evangélico-protestante pietista, a religião só pode ser pensada mesmo nesse esteriótipo: uma atualização convertida em potência universal...


Nada mais equivocado...

https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/792020714211834


VI.

"De boca aberta, saem moscas" (ditado legista).

"Água mole em pedra dura, sopa de pedra" (Ratatouille).

"Só, sempre, sozinho, nunca" (Jenipapo Salitre).

https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/790735881006984









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

domingo, 15 de fevereiro de 2015

(2015/209) Johnny Rivers


Johnny Rivers.





When a man loves a woman


Poor side of Town


Secret agent man


Slow dancing swayin to the music


A whiter shade of  pale


Pretty woman


Do you wanna dance








OSVALDO LUIZ RIBEIRO

sábado, 14 de fevereiro de 2015

(2015/208) "A suavidade esquecida dos pelos pubianos"





















OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/207) Liberalismo e costumes

É possível - PERFEITAMENTE - ter-se uma vida quadrada e uma mente totalmente aberta. Não é absolutamente sinônimo de abertura de mente a dissolução dos próprios costumes. A compreensão de que a liberdade dos corpos faz parte da liberdade como um todo e a necessária política de concessão democrática dessa liberdade não implica na entrega do próprio corpo a essa liberdade concedida é possível e desejada...

Sendo assim, você não precisa ser gay para considerar legítima a condição social gay.

Se for ser preconceituoso, ao menos que não seja por burrice.











OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/206) Meu conceito mais genérico possível de Teologia (clássica)

Minha tese: se a reflexão embarca o Todo (ainda que o sujeito não tenha a mínima ideia de que o Todo é muito maior do que ele imagina!) e fundamenta esse todo para além do visível, do perceptível, do hilético; se insinua deuses ou equivalências dessa ordem e grandeza, com nome ou não de Jesus ou Zeus, sem nomes personalistas ou com eles, tanto faz, isso, para mim, é Teologia clássica. Inventaram de fazer metáfora tem alguns anos: ainda é Teologia clássica - ao menos quanto à intenção política por trás do jogo: manter as pessoas nos bancos.

Por essa definição de Teologia, acho bastante difícil que ela tenha nascido depois de Sócrates...

Mas a gente pode dar outra definição para Teologia e, então, o quadro muda inteiramente.









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/205) Quando nossas escolas falham com a gente

Acho que as minhas escolas falharam comigo. Estudei em escola pública e não tive uma formação ruim, se pensarmos no jogo básico e na formação para viver e trabalhar. Mas a escola falhou comigo, totalmente, em não saber encaminhar-me, me dar rumos, em face dos interesses que me despertaram as matérias.

Tive dois grandes momentos e interesses: biologia, chegando a desenhar cadernos com pinturas de todo tipo de animais, e astrofísica, em que aprendia sobre planetas, distâncias intergaláticas, tendo passado por uma fase breve, mas excitante, de Física nuclear (no nível anacrônico da época).

Passei por essas coisas, apaixonei-me, e me arrancaram um futuro possível.

Felizmente, consegui me virar por outros caminhos.

Mas acho que a Educação de meu país falhou comigo.









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2014/204) O porco estripado e o "Todo"

O conhecimento tornou-se um porco estripado na clareia, em torno do qual digladiam-se bárbaros carnívoros, cada qual a arrancar um pedaço de tripa e osso e a gritar - o Todo, o Todo, o Todo...

Triste espetáculo...








OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/203) Thomas Piketty no Roda Morta


Só está aqui o Roda Morta, porque o DCM disse que a entrevista foi sensacional, e que Piketti comeu com farinha os reacionários programáticos da bancada...


Meus perdões a todos.

Talvez valha aturar a cada de bunda do âncora... Esse âncora, cujo nome não vou reproduzir, é uma excrecência... Uma espécie de tumor do sistema... Se espremerem, sai alguma coisa de nojento dali...
















OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/202) Um excelente e didático texto sobre o Modelo Padrão (da Física), as implicações epistemológicas e o ensino da disciplina

Recomendo muito esse texto.











OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/201) Dois arroubos retóricos sobre a relação professor-aluno


I.

Professores e alunos... Que relação! Nós, alunos, dependemos deles; eles, alunos, dependem de nós...

Mas a ciência é sempre, inexoravelmente sempre, incompleta, provisória...

De sorte que é preciso vencer a relação discípulo/guru, essa herança místico-religiosa adotada politicamente nas relações de orientação.

O aluno tem de preparar-se para, sempre, sempre, absolutamente sempre, sendo honesto até a próstata, superar o professor, ultrapassá-lo, e pôr mais um degrau na escada...

Se conseguir, será um tributo ao mestre.

Se não conseguir, o aluno não estava à altura da tarefa...




II.

Se Deus há, e não sei se há, se deuses há, e não sei se há, se há Alguma Coisa, Qualquer Troço, onde quer que seja, eu peço: dai-me alunos que me superem e me mostrem onde estou errado, e afastai de mim papagaios bobos e despeitados doentes...

E, sobretudo, dai-me a sabedoria de identificar uns e outros...










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/200) Explicando minha preocupação com Eliade

Osvaldo, não entendo você... Primeiro, você diz que estão errados os que dizem que Eliade está errado e, depois, você sugere que Eliade pode estar errado... Não dá pra entender...

Dá sim, se você ler com atenção e, é óbvio, se souber ler. São duas questões completamente diferentes o método e a aplicação do método. Quando dizem que o método de Eliade está viciado, porque é teologia disfarçada, eu acho que quem o diz é que não entendeu muita coisa de Eliade, e o lê como lê Otto - como os grandes críticos de Eliade fazem, criticam uma tese de Eliade e citam Otto [ Emoticon smile ] para confirmar... Agora, quando Eliade faz História das Religiões, aí é outra coisa, outro assunto.

Então, permita-me explicar: acho a metodologia de Eliade fantástica - e não usaria outra, ao menos não usaria outra sem usar, ao mesmo tempo, a fenomenologia da religião. Agora, os resultados dos procedimentos de História das Religiões - história narrativa, e não o Tratado! [esclarecendo: História das Crenças e Ideias Religiosas versus Tratado de História das Religiões] -, esse sinto que pode haver problemas neles...









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/199) Devagar com o andor

É preciso MUITO cuidado com a transposição para a cultura geral da época dos resultados das análises das gravuras e imagens cristãs da Idade Média e da Primeira Modernidade. Tem-se a mesma tentação, talvez ainda mais grave, de transferir para o conjunto da cultural aquele mundo ali elucidado, revelado, descoberto.

Se alguém lê Fulcanelli, O Mistério das Catedrais, ou Roob, Alquimia e Misticismo, e aplicar a essas leituras e análises o mesmo procedimento de quem, analisando as gravuras "cristãs", pensa a cultura da época à luz delas, imaginará que os europeus medievais eram, todos, alquimistas...










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/198) Duas "teses" sobre religião e loucura


I. Tese:



- a experiência cerebral do religioso e a do "louco" (estritamente falando) é a mesma. Aliás, é a mesma da do cérebro de todos nós...

Nós, os "normais", conseguimos distinguir a (quase) todo instante o que é real e o que é imaginário.

O religioso transforma o imaginário em real e vive nele.

O louco vive no imaginário o tempo todo, ou nos momentos de surtos.

A diferença entre o religioso e o louco é que o religioso pode desligar o mecanismo que o engana a qualquer momento - se é religioso e não louco...

Já o louco, não.

Faz sentido, Hiran Pinel?
Faz sentido, Mary Rute Esperandio?



II. Tese:

- há religioso/religiões que emulam a estrutura da loucura, e há religiosos/religiões que conseguem afastar-se para uma zona de administração deses mecanismos psico-patológicos.

A religião que se traduz pelos mecanismos da loucura é a que impõe ao religioso viver 24 horas dentro do universo mágico-louco da religião: as religiões intimistas-subjetivas são desse tipo - a evangélica, por exemplo...

Mas há religiões de clientela. O sujeito vive a vida dele sem qualquer preocupação com o mundo da loucura religiosa, mas, de repente, alguma coisa acontece na vida dele e esse sujeito entende que precisa operar um rito qualquer, como quem toma um remédio. Ele, então, vai ao espaço religioso, opera o rito, "resolve" a situação e volta para seu mundo.

Faz sentido, Hiran Pinel?
Faz sentido, Mary Rute Esperandio?












OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/197) O equívoco dos equívocos sobre a Fenomenologia da Religião

O maior e mais grave equívoco de quem lida com Fenomenologia da Religião - e que, por isso, legitima a crítica que Frank Usarski (equivocadamente, a meu ver) fez à abordagem - é tropeçar num princípio epistemológico-metodológico e esborrachar-se no chão...

Há quem pense - e diga isso! - que a Fenomenologia da Religião trabalha com o fenômeno religioso a partir da ótica do religioso. Dito assim, a declaração é, ao mesmo tempo, óbvia e incompleta.

Incompleta, porque, se você para aí, você cairá na armadilha que tem engolido teólogos há cem anos, fazendo com que o sujeito faça uma espécie de teologia confessional de encomenda, como se fizesse Fenomenologia da Religião. Mas é, ao mesmo tempo, completa, porque tudo está dito aí...

A Fenomenologia da Religião não é a transposição para o pesquisador do discurso e da perspectiva do religioso. Não. Absolutamente não. O fenomenólogo da religião quer compreender o universo cultural em que vive o religioso, mas ele não é religioso (não enquanto pratica a FdR), ele é pesquisador. Assim, é a partir da experiência do religioso que ele trabalha, como pesquisador, mas não dentro dela.

A análise, a reflexão, a observação, a compreensão que o fenomenólogo da religião quer do fenômeno religioso não se dará de forma "idealista", "contemplativa", dogmática, institucional. Ela passará pelo pedágio humano, a cabine do religioso que é o único que vê o que diz acontecer acontecer. Eliade fala disso em termos de documentos.

Nesse sentido, engana-se, quem acha que a FdR é uma ciência crente. Quando ela afirma que o sagrado se manifesta, ela não está - em nenhum momento - apontando para uma coisa qualquer chamada sagrado que aparece aqui e ali, no mundo, como fogo fátuo, ainda que seja isso que a esmagadora dos pesquisadores da área, confundindo-a com a Teologia, dizem. Não. Croatto chega a confundir sagrado e divino, mas isso é um equívoco, quer de seus alunos, que teriam transcrito suas aulas (como querHaroldo Reimer), quer dele mesmo, não investiguei, apenas li seu manual, nesse sentido, carregado de equívocos dessa ordem.

Se resta dúvida para alguém, conviria ler The Quest (Origens, em Português), onde se pode ler a inescapável definição que Eliade dá a "sagrado": "o sagrado é um elemento da estrutura da consciência". Ponto. O sagrado não é um ser, uma coisa, uma grandeza externa, um pirilampo de Jesus: o sagrado é um elemento da estrutura da consciência humana - e a "manifestação do sagrado" que o religioso experimenta (mas não o fenomenólogo, pelo amor de Deus!) não passa, para a FdR, da atualização histórico-social de uma potência estruturante da consciência humana, logo, uma potência bio-psicológica da espécie.

Eu não sei se rio ou se choro quando escuto alguém falar que a FdR adota a perspectiva do crente...

Para todos os fins, ela é filha do século XIX e não é mãe de quase nada da Teologia do XX - teologia de gente crente.










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/196) Fragmentos facebookianos


I.


Quando alguém cai na areia movediça, percebe que está afundando... O pós-moderno que se encanta com o discurso a discursividade da realidade, esse, coitado, afunda e nem se dá conta.



II.

Eu adoro Eliade, amo-o apaixonadamente. Mas, quando leio coisas que ele escreve sobre os israelitas e judeus da Bíblia Hebraica, pelo fato de ser de minha especialidade, percebo não poucos equívocos, sejam de ordem histórica, sejam de ordem conceitual.

Meu medo: não sendo eu especialista em outras áreas, será que a procedência que concedo às suas descrições é fruto apenas disso: minha ignorância?



III.

Osvaldo, quando você insinua que religião e loucura são fenômenos equivalentes, você ofende pessoas...

Quais?, as mesmas que dizem que gays cometem pecado? Mande-os crescer. Quem aguenta ferir, aguenta ser ferido.
https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/787303804683525


IV.

Desconheço gente mais narcisista do que crente.
Narcisista e falso-humilde...
https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/787304771350095


V.

Na Política, a mentira é uma necessidade e, em grande medida, uma bondade.
Na Estética, não existe mentira.
Na Heurística, é um crime.

https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/787397434674162


VI.

Há momentos em que mentir é ser bom.
Nenhum sistema rígido determina esse momento.
É a dinâmica da vida, o jogo real das relações, que elege o instante em que ser bom é mentir.
https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/787395758007663


VII.

Alguém precisa avisar ao crente que quando se falou lá em "caminho estreito", se referia à vida, não à mentalidade...

https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/787459951334577









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2015/195) Deve ser tratado como inconstitucional negar casamento gay

Está na Constituição:

"Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação".

Leu? Raça. Sexo. Cor. Idade...

Agora, me diga: sua igreja pode recusar-se a fazer o casamento de negros?

Diga-me mais: a sua igreja pode recursar-se a fazer o casamento de idosos?

Mais uma coisa: e de um casal de coreanos? Pode? Sua igreja pode recusar-se a celebrar o casamento de coreanos?

Por que miséria ética e desgraça moral, empáfia e soberba de fé sua igreja se acha no direito miserável de não celebrar casamentos de gays?

Sabe por que a sua igreja é composta pelos mais miseráveis dentre os homens?

Porque a justiça dela não passa de justiça de fariseus.











OSVALDO LUIZ RIBEIRO
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