sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

(2015/217) Do medo horroroso da ideologia


Sobre ideologia e discurso...

Eu acho tudo muito engraçado...

Na academia, não se pode achar nada engraçado, você tem que fazer de conta que leva tudo muito a sério.

Eu acredito (se é um caso de "acreditar", posto que me parece mais um fato a se constatar) que a ideologia interfere nos discursos, porque interfere já na visão de mundo.

Mas acho que ela pode ser vencida.

Não definitivamente.

Nunca definitivamente.

Mas ela pode ser identificada e contornada, e pode até ser abandonada, ainda que imediatamente substituída por outra...

Mas o que eu quero dizer é que não se pode assumir que a condição humana seja de inexorável ideologia insuperável...

Se eu admito isso, eu nunca mais ensino nada, leio nada, ouço nada de nenhum professor, porque dizer ou ouvir ou ler ou escrever qualquer coisa é puro exercício político-teatral e mais nada.

Se eu não admito a possibilidade de detectar a ideologia e, detectando-a, contorná-la, tudo o que chamamos de conhecimento não passa de folclore - o que é uma colossal besteira, se admitido retoricamente...

Mas há quem tenha horrores de assumir que a ideologia possa ser identificada, contornada e localmente superada em exercícios de diálogo crítico honesto.
Não podem.

Paralisam-se as falas...

Pois eu digo que se você não pode admitir isso, então não devia entrar em sala de aula, porque o que vai fazer, das duas uma, é: a) ou teatro, b) ou catequese.

Dias difíceis os nossos...

Vive-se com medo...











OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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