sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

(2015/218) Meu amigo teólogo clássico ciosissimamente bíblico

Meu amigo é um teólogo clássico e ciosamente "bíblico". Ele me diz que Deus não se arrepende. Eu lhe provoco, porque a provocação teológica é a "auscultação freudiana" do teólogo clássico ciosamente bíblico - provoca que ele solta... Eu lhe provoco: mas em Gênesis diz que Yahweh se arrependeu de ter feito o homem da terra...

O teólogo clássico ciosamente bíblico está sempre esperando por contestações dessa ordem. É uma força de expressão, um antropomorfismo, mas Deus não se arrepende. Entendo, digo eu, mas não no sentido que ele acha que eu disse, porque ele acha que eu disse que entendo a explicação, que, para mim, é mitologia pequena, mas eu entendo é o esforço dele mesmo para desembaraçar-se do embaraçoso.

Todavia, minha vida é embaraçá-lo. Socorra-me em uma questão: se é na Bíblia que a gente aprende sobre Deus, e se na Bíblia está dito que Deus se arrepende, de onde você tirou a informação - se informação é - de que Deus não se arrepende?

Sinto que toquei em uma ferida. Ele para. Exatamente como eu imaginava, só resta a ele citar Bíblia: Deus não é homem para que se arrependa, diz a Palavra...

Entendo, respondo: e, de novo, ele não entende o que eu estou dizendo quando digo que entendo. Deixa eu ver se eu entendi mesmo, então: um verso diz que Deus se arrepende e outro verso diz que Deus não se arrepende. De modo que: a) há contradição entre os versos e b) você escolhe o que lhe mais agrada...

Ele me manda lamber os chifres de Satanás e se vai, ciosamente bíblico...










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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