sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

(2015/219) Sobre a necessidade da religião

Bem, se é verdade - e eu insisto no "se" ("se é verdade") que a função da religião é promover uma narrativa de sentido para a vida da pessoa, acho que as experiências de arte do mundo moderno, as experiências de literatura, de esportes, ou seja, a cultura vivida como estrutura significante, funciona exatamente assim e torna, nesse sentido, desnecessária (nesses termos) a religião...

Há, todavia, quem precise da religião por questões de crença no amparo monetário, a gente pobre, principalmente, que vê na religião uma forma de obter dos deuses o que não tem em vida... Quanto a isso, Hegel já dizia que tudo isso é tarefa que o Estado deve assumir, se somos mesmo éticos (mas não somos!), de modo que, para aqueles que têm na religião essa necessidade, ela acaba igualmente tornando-se desnecessária.

Para outras pessoas, a necessidade da religião está mais no convívio com as pessoas. Mas não vou nem aprofundar o tema, porque só a sua menção já faz com que meia dúzia retruque, dizendo que isso não é razão para as pessoas estarem nos locais sagrados... Mas é, e uma das mais significativas!

O que resta? O crédulo dogmático, aquele que não está interessado em uma narrativa de sentido nem em bênçãos nem em convívio, para aquele para quem a religião já se tornou um vício, do qual ele não consegue se livrar, porque, diferentemente do cigarro, do álcool, das drogas, ele não interpreta como vício o vício que tem.

Seja como for, resta que não há uma razão para as pessoas estarem na religião: há várias. E uma razão o é para um, mas não para outro. De sorte que isso facilita a manutenção do jogo, já que há uma vasta clientela.









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OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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