segunda-feira, 16 de maio de 2016

(2016/120) Sobre Zacarias 13 e a Indonésia de 1965

Os comentaristas acham que é retórica, mas Zacarias 13 diz que, se alguém se levantar como profeta, pai e mãe devem matá-lo a espada. Para não morrer nas mãos dos próprios pais, o profeta deve renunciar a sua vocação e retornar para o campo. Retornando para o campo e renunciando às suas visões e vocação, ele deve dizer que as os cortes (rituais?) que carrega nos braços são cortes de trabalho na roça...

Não acho que seja retórica. Um povo religioso, crédulo e amedrontado pode facilmente entregar-se à carnificina. Foi exatamente o que aconteceu na Indonésia de 1965. O Governo utilizou-se de propaganda para fazer a população crer que os comunistas eram gente cruel, irreligiosa e promíscua: não eram crentes em 'Aláh, nem iam às mesquitas; eram violentos com os inimigos; e dormiam uns com as mulheres dos outros. Os verdadeiros religiosos e nacionalistas deviam matá-los. Sim, matá-los. Sem piedade...

Comandos Aksi estabeleceram-se em todas as vilas da Indonésia. Um milhão de pessoas foram assassinadas a facão, trucidadas, esquartejadas, jogados os seus corpos nos rios - o Rio Snake, por exemplo. Famílias inteiras foram dizimadas e, dentro de uma mesma família, metade foi morta pela outra metade. Não foi o Exército a matar - foi a população, protegida pelo Exército, e a mando do Governo. Tudo dentro da lei e com as bênçãos de 'Aláh...

O documentário que trata disso é pesado de assistir: The Look of Silence, e encontra-se disponível na Netflix...


Voltando aos judaítas... Eu acho que os sacerdotes bem podem ter desenvolvido propaganda semelhante entre os camponeses judaítas. O texto de Zacarias 13 pode refletir esse procedimento.

Um fato é certo: depois que os sacerdotes assumiram o poder, depois de Zacarias 13, os profetas literalmente desapareceram...








https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/1024669464280290

OSVALDO LUIZ RBIEIRO

sábado, 14 de maio de 2016

(2016/119) O Lúcido Diplomado de Jesus vai até Bonhoeffer...

I.

O lúcido de Jesus Diplomado teve a bênção carismática de retornar no tempo, e eis que aparece ao lado de Bonhoeffer, que, naquele momento, dirige-se às coordenadas estabelecidas para o atentado contra o Temer-Cunha-Gilmar-Aécio-Moro-Globo-Obama da Alemanha... O lúcido de Jesus Diplomado está que não se aguenta de gozos... Um abraço fortíssimo no falta-pouco-para-ser-um-mártir, uma selfie e, finalmente, as primeiras palavras: "Bonhoeffer, Bonhoeffer, quanta honra... Que bom encontrar você. Vamos aqui abrir uma igreja e ficar orando ao Senhor até o orgasmo final"! Foi esse o corpo que acharam apodrecido na estrada, e nunca descobriram de quem era...



II.

Você deve conhecer também... Mas eu certamente conheço um monte de babacas de Bíblia e teologia que têm orgasmos lendo Bonhoeffer, que deliram de excitações genitais lendo sobre a Igreja Confessante, que gemem gemidos de coito, quando falam do martírio do grande teólogo... Aí, o mancebo e a manceba progressistas ao cubo comentam: o Osvaldo está agressivo, não? Tem gente que tem bosta na cabeça... Não conseguem sequer enxergar o ridículo que são... Povo das idealidades: eles devem achar que Bonhoeffer ter sido executado é uma nota de ópera... Gente imbecilizada de Jesus Diplomado...










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2016/118) Além de machista, insensível...

Todo mundo e qualquer um que fale da dificuldade de Dilma falar em público está usando Dilma como cela para aparecer...

Dilma sofreu torturas que pouca gente aguentaria. Frei Tito se matou. Ela, não. Mas ficou com sequelas. Um amigo meu contou que, para não confessar durante as torturas, entrava em bloqueio provocado, fazia força para ficar com a mente vazia. Hoje, quando vai falar, a mente às vezes trava, fica vazia. O cérebro tem dificuldade de saber se o perigo já passou... Com Dilma, as sequelas se dão no campo da fala em público, contra o que, todavia, ela luta.

Dilma podia entregar-se às suas sequelas, mas ela as enfrenta...

Enquanto você só sabe olhar a dificuldade da torturada em viver sua vida...

Tristíssima figura essa a de quem não se dá conta da desumanidade que carrega...

Será vaidade também? Para fazer sua pequena luz brilhar, apaga a fogueira que arde no topo da colina?













OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2016/117) Mais meia hora e ele tira as calças pela cabeça!

Pobre rapaz... Tem ainda muita estrada pela frente. Que é a casa dos 20? Quando chegar na dos 60, aí talvez tenha aprendido. O que, todavia, não é certo, porque tem muito senhor de cãs tão mau das pernas quanto o mancebo afoito...

Ele está a dar berros de ódio contra o golpe... Mas ele é partidário daquela tese de que os discursos não correspondem ao real. Na cabeça da gente que pensa assim, o real virou a abstração, e a abstração virou o real. De sorte que, lúcidos, vivem no único real que há - os discursos...

Posso viver com isso? Posso. Mas ele, não. O Temer dá o golpe e ele diz que não está certo... Como não? Para alguma coisa estar certa, precisa ser analisada à luz de outra coisa. Mas não há outra coisa. Só o discurso do Temer...

Ah? Ah, é, tem o discurso do mancebo afoito também, que acha que não há real, só discursos... Mas, cá entre nós, o discurso do Temer cagou no povo brasileiro inteiro, de sorte que cagou também sobre nosso amigo mancebo aflitíssimo. A merda ainda lhe escorre pela cara, ele não sente, porque, para ele, só há o discurso dele...

Essa é a chave para entender essa ideologia dos discursos: é Freud: quando eles dizem que só há discurso, pretendem que só haja o deles. Aí, vem um trator golpista como Temer e desmonta a casinha de bonecas que se montara com 15 livros importados...

Chega a dar pena, não?









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2016/116) Da ingenuidade ou do cinismo pastoral?

Eu não sei se é a profissão (ele é pastor na Europa), se é o efeito do ovo de vespa da fé no cérebro da pessoa, se é o compromisso institucional e corporativo com o clero, não sei. O fato é que um dos melhores livros sobre a Torá é, também, um dos piores...

Trata-se de A Torá, de Frank Crüsemann. O livro é 99% excelente, mas aquele 1%...

Na parte dos 99%, diz-se que as tradições do êxodo e da lei não estavam reunidas antes do término do exílio. A lei em Judá (e Israel) nunca fora divina, mas civil. Quem vai reunir a lei com a "religião" são os sacerdotes, que, então, inventam toda a tradição do Sinai, das leis, do dedo de Deus, essas coisas: mitologia política para administração das massas. "O caminho da lei até o Sinai" é, de fato, uma seção fantásticas, altamente recomendável...

Mas e os 1%? Bem, é quando o autor diz que a lei foi tornada divina para protegê-la das injunções humanas, da corrupção... Sim, aqui eu não consigo deixar de rir: porque é debochadamente estúpida a declaração.

A ideologia é uma merda...










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

terça-feira, 10 de maio de 2016

(2016/115) Sobre Exu - problema de cabeça ou de coração?

Osvaldo, você é engraçado... Fala mil vezes por dia que Deus é um elemento do conjunto mitologia, mas fica cheio de amores por Exu...

Meu amigo, você é ruim dos miolos ou péssimo do coração? Exu faz parte do mesmo - não, do mesmíssimo! - conjunto que Deus faz parte. Entende isso? Do mesmo. Não é um conjunto parecido, é exatamente o mesmo. Olhe para o conjunto onde está Deus. Olhou? Se você não vir Exu lá, das duas uma: você é muito ruim da cabeça ou é pior ainda do coração...

Não se trata de morrer de amores por Exu... Não se trata de teologia. Trata-se de não aceitar, sob nenhuma condição nem sob nenhuma forma de disfarce hipócrita, que Deus seja empoderado, e com ele as missões, os mandantes, os desmandos, a sordidez pastoral que grassa pelos sórdidos campos de Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, se detratar, demonizar e aviltar Exu... No fundo, trata-se de considerar gente os cristãos, mas bestas imundas os não-cristãos.

Você entende isso?

Duvido...

Se entendesse, não falava uma asneira incomensurável como essa que me dirige...








OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2016/114) Diálogo inter-religioso como roupagem da tolerância: podia ser pior...

O que se tem chamado de diálogo inter-religioso é, na esmagadora maioria das vezes, para deixar apenas uma pequena possibilidade de boas exceções, é apenas tolerância religiosa... O "apenas" não deve ser mal interpretado: em uma sociedade que administra suas relações sociais por meio de mitos religiosos, um dos quais afirma que apenas o seu deus é real e verdadeiro e único e o Ser da Filosofia (ai!), a tolerância é um comportamento maximamente desejado, já que seria esperar demais de gente controlada por mitologia e vaidade, que encontre no outro, sempre, um verdadeiro igual...











OSVALDO LUIZ RIBEIRO

segunda-feira, 9 de maio de 2016

(2016/113) O que é Exunêutica...?

Osvaldo, por que o nome é Hermenêutica...?

Porque Hermes era o deus grego responsável pela comunicação entre os deuses e os homens...

Puxa, que maneiro!...

Se fossem os romanos, e não os gregos, então seria Mercúrio, de sorte que a disciplina então se chamaria Mercurionêutica...

Nossa, sensacional... Hermes e Mercúrio são deuses de modalidades equivalentes, né?

Isso... E se fosse de alguma região de África, o deus seria Exu, e a disciplina, então, seria chamada de Exunêutica...

Exu? Deus me livre. Vade retro, Satanás...

(...)

Tenho saco?

Não. Definitivamente, não tenho...










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

(2016/112) Teologia e Física Quântica pra ninguém botar defeito...


O legal dessa coisa de estar na moda acadêmica a conjugação da Teologia com a Física Quântica é que agora finalmente a gente não vai mais precisar achar que aquela história de Jesus atravessar parede era coisa de mito, lenda popular, folclore, essas coisas... Finalmente a racionalidade chega ao coração da fé! É que Jesus tinha a capacidade de alterar a estrutura de seu corpo no nível das sub-partículas atômicas, de sorte que ele literalmente, materialmente, concretamente, cientificamente, atravessava as paredes...

Que beleza!

Agora só falta a gente finalmente entender essa coisa de dobras do espaço-tempo, para finalmente lançar ao fogo do inferno solar os detratores da verdade inequívoca de que Josué orou e o Sol parou...








OSVALDO LUIZ RIBEIRO

domingo, 24 de abril de 2016

(2016/111) Quando os outros não podem, mas você pode: sobre o conceito de poder em Hannah Arendt

A grande esmagadora maioria dos textos de Humanas que leio recentemente não vai muito além de utopia. O teórico escreve sobre o que ele acha que tinha que ser a sociedade, e define os conceitos como se assim eles se dessem na realidade. Sobre a Violência, de Hannah Arendt, arrancou de mim dois sorrisos de animação quando, logo no início, critica severa e explicitamente teóricos que criam hipóteses que não se sustentam no real. Animado, lá vou eu...

... para dar com os burros n'água. O conceito de "poder" que Sobre a Violência postula não tem absolutamente nenhuma parte com o real - é mera utopia e desejo. Perdoável, se Hannah não começasse justamente criticando esse tipo de teoria...

Além disso, o próprio livro se contradiz no campo da lógica dos conceitos. O livro dá poder como ação em uníssono, ação em acordo. E diz que poder não tem relação com violência. Mas, quando o consenso que dá origem ao poder e o sustenta se fragiliza, então o poder pode usar a violência para se manter...

Você consegue perceber a contradição? Bem, se o poder é consenso, quando o consenso se fragiliza, o poder desaparece. Logo, se o poder desaparece, já que não há mais consenso, como se pode dizer que o poder, que seria consenso, consenso que não existe mais, pode usar a violência para se manter?

Não funciona...

É hipnótico, porque é a tentativa de pedir ao poder que não assuma a violência, é desejo, é utopia, mas faz nenhum sentido.

O conceito de poder que Hannah tenta manejar naquela obra faz do poder um fungo que brota aqui e ali, sem depender de nada que não seja consenso. Mas em nenhum momento se preocupa em perguntar por que meios o consenso se produz.

O conceito de poder de Sobre a Violência é disjuntivo. E tudo que é disjuntivo, não é real.








OSVALDO LUIZ RIBEIRO
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