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sexta-feira, 24 de abril de 2009

(2009/215) Religião e ciência


1. Há milhares de anos, quem sabe?, milhões, nasceu a religião. Já o disse que, na minha opinião, ela nasce como estética. Ato contínuo, assume aquela forma de expressão que, muito tempo depois, há de se tornar a ciência. Lá e então, ela, essa expressão, é, apenas, um impulso explicativo, próprio da religião, da teologia e, agora, próprio das ciências. Mais cedo ou mais tarde, de estética (e explicativa), a religião torna-se política.

2. Provavelmente ela tornou-se política, isto é, passou a ser controlada por interesses políticos, assim que as comunidadees humanas tornaram mais sofisticados os seus relacionamentos. Mas será com o surgimento das monarquias, das cidades, que a religião se transformará na parceira mais importante da política. O rei logo tornou-se ou representante, ou encarnação, ou imagem, ou filho dos deuses.

3. Com isso, a religião agora domina todos os espaços da cultura: a estética, o belo, as "explicações", a "verdade" - e a política, o dever. Não há, então, nenhum espaço da sociedade, da cidade e do campo, onde lá não esteja o olho e a mão da religião - e, com isso, o olho e mão dos poderes políticos, sejam os puramente sacerdotais, sejam, já, os da coroa.

4. Quanto tempo na longa estrada da História esse foi o quadro encenado, dia e noite? Séculos e séculos se perdem na noite dos tempos. Em que partes do planeta isso se sucedeu? Em todas. Não há expressão religiosa humana, no planeta, que não tenha caído nessa mesma situação. Todos os povos o fizeram. Uns mais, quanto mais organizada e urbana ela fosse, uns menos, mas mesmo as culturas menos sofisticadas, mais "tribais", mais silvícolas, experimentaram a hiperonomia da religião, isto é, a submissão de todas as esferas da vida à esfera religiosa.

5. Até que, no Ocidente, inicia-se um processo de descoalização. Não foi determinante o que aconteceu na Grécia, por volta do século V e IV. Platão está a serviço do mesmo princípio - só há, parece, um certo movimento para o esconder. Aristóteles, talvez, tenha desenvolvido reflexôes mais autonomizantes, quero crer. Seja como for, essa Grécia é o equivalente, para a Reforma, a John Huss - não deu em nada de concreto enquanto acontecia, ainda que seus desdobramentos serão percebidos séculos depois - mas somente séculos e séculos depois.

6. Aristóteles simplesmente "desaparece" no Oriente. No Ocidente, a própria cultura helênica será o estofo para uma civilização teológica inteira - o Ocidente Cristão. Platão é seu parteiro. Paulo, seu pai. E lá se vão mais mil anos, desde aí até aqueles dias em que os árabes introduzirão Aristóteles na Península Ibérica. Mil anos de "morte", dirão os próprios europeus, quando se chamarem, depois deles, de renascentistas. Grécia falhara. Tentemos de novo.

7. É somente aí que um processo realmente transformador se inicia. Desdobrar-se-á, desde a Renascença e o Humanismo, primeiro, na Reforma, depois, no Empirismo, depois, no Iluminismo, na Revolução Francesa, no Romantismo e, voilá, re-inventa-se não uma civilização, mas uma nova forma de configuração da própria condição histórica humana.

8. Depois de uma longa série de fluxos e refluxos relacionados aos processos de emancipação política (Iluminismo e Revolução Francesa) e heurística (Iluminismo, Empirismo e Romantismo), a condição hiperônima da religião perdeu substância. De sob o poder da religião, tirou-se quer a política, quer a heurística. Tornada assunto privado, logo, estético, restou a ela a manutenção esquizofrênica de fingir para si mesma que as coisas continuavam como antes.

9. Na sociedade, inicia-se uma nova forma de existência humana. Para a política, a democracia, as rotinas, sempre ainda muito imperfeitas, de representatividade política, a criação do Estado dividido em três poderes - Legislativo, Executivo e Judiciário, o estabelecimento dos Direitos Humanos.

10. Ao mesmo tempo, aquele princípio "explicativo", embrionário e mítico, converte-se num impulso programático e metodologicamente discutido de investigação - a heurística (que Aristóteles já pressupusera na forma do "saber", ao lado do querer e do sentir). Surgem as ciências, primeiro as matemáticas, depois, as empíricas, então, as humanas.

11. Estabelecem-se as câmaras pragmáticas, política, estética e heurística. A sociedade se emancipa, se organiza. O que antes constituía a câmara hiperônima de tudo o que se fazia e dizia na cultura, converte-se, agora, em uma das rotinas privadas que a constitui - a religião.

12. Mas a religião não aceita esse jogo, não. A religião quer, para si, aquela velha vida de senhora, rainha e mãe. Intra-muros, age como se nada tivesse acontecido. Intra-muros, é tão política quanto antes - todo "sacerdote" é rei e chefe. A "verdade" é o que ela diz, e pronto. O gozo, ela dita as regras litúrgicas para a sua expressão. Ela, a religião, padece de uma doença - esquizofrenia e extemporaneidade.

13. Na relação com a sociedade, a religião não aprendeu - aprenderá? - a lidar com o que considera uma usurpação de seus poderes. No campo político, mesmo os batistas, tão intimamente relacionados à sepração entre Igreja e Estado, no fundo, consideram que é Deus, logo, seu patrono, o verdadeiro gestor do planeta, seja dentro da Igreja, seja fora dela, de modo que, sendo ela a mais entendida das coisas de Deus, também a política, para ela, é uma coisa religiosa, a democracia, um instrumento de Deus, e os resultados da política, condenáveis, se ferem seus "princípios" divinos, para o que basta nos lembrarmos das questões relacionadas às células-tronco, aos direiros civis de homossexuais e às questões relacionadas ao aborto. Se a religião pudesse, assinava ela mesma as leis que ela entende divinas. Não aprendeu nada até hoje, a velha professora.

14. No campo das ciências, a esquizofreinia chega às raias do intolerável. Os mitos milenares são sacados para o enfrentamento das pesquisas. A EBD entra em batalha contra o laboratório. As crianças, coitadas, não sabem se respondem do jeito que a professora quer, ou do jeito que o pastor quer. Na prática, responde, pra um, de um jeito, pra outro, de outro, aprendendo desde cedo a sutil arte de ser adaptável. Quando não, pais enfiam goela abaixo de seus filhos os mitos que eles, os pais, decidiram ser verdadeiros.

15. No campo da estética, separa-se o belo em sagrado e profano. Veja-se o caso da música, por exemplo. Uma vez que o belo é apenas o que está no âmbito do sagrado, quando o âmbito do sagrado sofre de patologias incuráveis no campo da beleza - pelo amor de Deus, como se canta mal! -, o belo se torna irremediavelmente feio. Pior do que a mais expressiva parcela da música gospel nacional, só a mais expressiva parcela do funk nacional.

16. E tudo porque a religião não é capaz de admitir que o seu tempo de rainha acabou. Resta a ela aquela dimensão original, estética, de, eventualmente, dar sentido à existência efêmera humana. Não é necessário que a religião simplesmente se considere um fóssil, que não é, mas igualmente não é aquilo que imaginara por toda uma História das Civilizações. No sistema ocidental, cabe a ela apenas uma participação significativa na dimensão estética pessoal, mas não mais nem na política (tecnicamente falando), nem na heurística.

17. Tomara a religião ponha a mão na consciência e se converta. Poderia trocar seu papel de alienadora das consciências para um papel de expressividade estética, de agente patológico, em terapêutico. Porque até o que ela chama cura, hoje, constitui, a rigor, uma disfunção psicológica. Todavia, não é algo que um religioso possa fazer sozinho...


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

segunda-feira, 6 de abril de 2009

(2009/142) "Revelação" segurando vela...


1. Encontro e leio o artigo Teologia e Política (Francisco de Aquino Júnior, "Teologia e Política", Rever, ano 8, março, 2008, p. 92-118). Não vou entrar nos seus detalhes - o fato de o artigo pronunciar-se a partir da retórica da revelação cristã impede-me de levá-lo a sério, já que o seu tema é a relação entre Teologia (cristã e revelada) e Política (laica e emancipada). Não, o "doutorando em teologia na Westfälischen Wihelms-Universität de Münster" não se pronuncia fenomenologicamente, ou seja, como se descrevesse, distanciadamente, logo, criticamente, a relação entre uma Teologia que se pretendesse revelada e uma Política democrático-republicana ocidental: Francisco de Aquino Júnior pronuncia-se ideologicamente, assumindo, para todos os fins, essa condição da Teologia - ainda que a retórica empregada seja, na "forma" (mas não na "matéria"), "cadêmica".

2. Ainda é mais grave: fala-se, aí, de uma "ciência teológica", e, no contexto da relação entre Política ("ciências sociais e políticas") e Teologia ("ciência teológica"), chega-se a declarar:

2.1 "O que caracteriza o discurso teológico é que sua abordagem dos processos históricos, da configuração das relações sociais, da constituição das forças políticas, da produção e eficácia dos discursos ideológicos e da participação dos crentes e de suas igrejas /religiões nesses processos dá-se a partir da fé da comunidade religiosa em que ele está enraizado e é produzido e em função dela.

2.2 Enquanto as ciências sociais e políticas procuram analisar a função, o papel e a importância da religião na constituição e configuração dos processos históricos, das relações sociais e das forças políticas, a teologia procura analisar todos esses processos e a participação dos crentes e de suas igrejas/religiões nesses mesmos processos a partir da fé - no sentido de ver se estão mais ou menos de acordo com as exigências fundamentais da fé e de discernir, entre as diversas possibilidades históricas, caminhos, posturas e
ações para os crentes e suas comunidades religiosas em vista da eficácia da fé. Não existe, necessariamente, contradição entre ambas as perspectivas. Trata-se, antes, de acessos diferenciados à mesma realidade (relação teologia e política). E acessos que podem permitir, promover e potenciar o conhecimento de dimensões ou aspectos diversos da mesma realidade. Indo mais longe, ousaríamos afirmar, inclusive, que se trata de abordagens que de uma forma ou de outra se implicam mutuamente. Afinal, se as ciências sociais e políticas querem compreender realmente a função, o papel e a importância da religião nos processos sociais e políticos, não podem, sem mais, desconsiderar a perspectiva própria e específica (cosmovisão, as tradições, os interesses...) dos crentes e de suas igrejas/religiões. Por outro lado, se à teologia interessa, antes de tudo, a eficácia da fé, ela não pode ficar indiferente aos resultados reais e concretos da práxis dos crentes e de suas igrejas/religiões nos processos históricos. Tem que levá-los a sério, sob pena de se reduzir a especulações teóricas sem eficácia histórica ou, o que é mais provável, ser transformada (por comissão ou por omissão) em instrumento de legitimação ideológica de determinadas práticas contrárias à fé" (p. 93-94).

3. Logo se vê, por isso, que a relação entre a Política e a Teologia é o flagrante da intercessão de dois mundos (ainda que o artigo postule a referência da Teologia e da Política a "uma mesma realidade"): esse momento, o "encontro" entre a Política e a Teologia, acontece naquele espaço em que um mundo e o outro se sobrepõem, porque, ambos, afinal, estão pousados sobre a mesma placa tectônica (mas não a mesma "realiade", conforme a perspectiva "revelada", metafísica e sobrenatural com que a Teologia, mas não a Política, interpreta a "realidade"). No entanto, se a Teologia encontra, aí, propostas, atitudes e práticas "contrárias à fé", está desde sempre pronta para reagir à altura, para defender-se e a seu mundo. A Teologia - também essa aí - vive em outro mundo. Ela não é "daqui", nem "daqui" são seus soldados. A República, o Estado Democrático de Direito, os valores emancipados da sociedade laica, a liberdade, são são seus valores: constituem, apenas, uma instância política a que a Teologia precisa operar, porque a isso fora forçada pela conjuntura histórica. A Teologia, contudo, não há de negociar, não senhor, nenhum de seus "valores de fé". Pelo contrário!

4. É sempre na condição de porta-voz do "Reino" - o que significa que a realidade última e ontológica se soprepõe em valor à realidade histórica e humana, conseqüentemente, a Teologia, arauto do Reino, à Política -, que a Teologia fala: "o problema reside nas formas práticas e teóricas de articulação e interação entre teologia e política. Por sua própria natureza, a teologia cristã nem pode ser reduzida à política, nem pode prescindir da política. É uma teologia política, sim; mas não é política, sem mais. Por sua vez, a política tem seus dinamismos e suas instituições próprias. Mas estes nem são “naturais” nem são neutros. São produtos da práxis humana - individual e/ou institucional - e estão a serviço de certos interesses. Interesses que dizem respeito aos cristãos e às igrejas cristãs. E não apenas enquanto membros da sociedade ou enquanto força social, mas também na medida em que objetivam ou negam a objetivação do reino na história" (p. 116). A relação que a Teologia tem em vista é a defesa dos interesses da fé e do Reino - é apenas quando os interesses da Política perfilam-se aos da fé e do Reino que a Teologia estende a mão à Política. Caso contrário, a Teologia ali está para garantir a segurança da fé, a vigência do Reino.

5. E não é que não se compreenda a "relativa independência" dos dois setores da vida, porque o que está em jogo é o risco de uma Teologia "litúrgico-carismática" dissociada dos enfrentamentos político-sociais: "daí que não apenas não possam ser indiferentes aos processos e organizações sociais e políticos da sociedade, mas que tenham que agir - dentro de seus limites, de suas possibilidades e de seu dinamismo próprio - de modo a fermentar esses mesmos processos e organizações com o dinamismo e a força do reino (1 Cor 4,20). E isso sem negar a especificidade e a relativa autonomia da fé e da instituição eclesial frente a outros aspectos e forças sociais e políticas, nem a especificidade e a relativa autonomia dos processos e organizações sociais e políticas frente à fé e à instituição eclesial" (p. 117).

6. Não estou dizendo que a Teologia deveria assumir o interesse concreto desse ou daquele grupo político. Falo em termos filosóficos: o jogo da Política - a inegociável compreensão de que os valores, as regras, as lutas, dão-se entre gente humana. Mas, não, a Teologia apenas tolera a presença humana, mesmo quando é ela que fala. No fundo, é "Deus" o legitimador dos conteúdos teológicos, apesar de que se sabe, mesmo os teólogos o sabem, que o conteúdo, todo, sem exceção, da Teologia, é humano, demasiadamente humano. No entanto, porque os teólogos gostam de acreditar que o vento que sai de seus corpos constitui expressão do divino, também os não-teólogos deveriam aceitar essa retórica enferrujada, envelhecida, anacrônica e senil, a boa "política" de que a Teologia teria boas coisas a dizer.

7. A Teologia resiste, persevera, suporta, agüenta, tolera, sofre, padece, angustia - pacientemente. Talvez ela pense (e talvez não esteja equivocada!) que essa fase do jogo político, afinal, chegue a passar, e que as coisas voltem a ser como antes, como quando ela, a Teologia, era, ela e só ela, a Política, como bem ensinara Platão, em A República, assim devia ser (quando a Teologia "manda", é semre a Política que "manda", uma Política manejada por sacerdotes, para interesse de sacerdotes e, eventualmente, dos reis que os paguem a soldo - e A República não apenas sabe disso, mas legitima e sistematiza isso). Uma vez que nada na História é definitivo (tanto assim que a Teologia perdeu seu trono [mas não sua mania de rainha!]), faz sentido que a Teologia, de sangue azul e filha de Zeus, conte as horas, na esperança de voltar a dar as cartas. Se permanecer firme em sua auto-compreensão revelada, terá mantido a força necessária para retomar seu posto - posto que, não nega, ela não entregou, conformada, mas cedeu, por força da Revolução e da Luz.

8. Quando caiu a Bastilha e acenderam-se as Luzes, alguém jura tê-la ouvido, dentes rangendo: "perdi a batalha, mas não a guerra".


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

sexta-feira, 27 de março de 2009

(2009/116) Iluminismo, Éden e autonomia


1. Haroldo, na esteira de sua postagem, penso que a ponte que você fez entre Éden e Iluminismo seja provavelmente perfeita. A meu ver, a tradução corrente "conhecimento do bem e do mal" está equivocadamente contaminada pela "moralina" teológica, como se o "pecado", contra o qual o texto, sacerdotal (dato-o no século V, no mesmo momento da invenção/promulgação do "sacrifício substitutivo" no Templo de Jerusalém), se insurje fosse da ordem da "moral" - para mim, a tradução deve ser "conhecimento do (que é) bom e do (que é) mau", ou seja, a capacidade de a própria pessoa, por si mesma, decidir o que é bom ou mau, o que lhe convém ou não, o que lhe interessa ou não, o que ela quer e o que ela não quer - numa palavra, ser comos os deuses!. Ora, essa atitude é tudo quanto um sacerdote não pode, sob nenhuma circunstância, aceitar. Como disse Menocchio, em O Queijo e os Vermes, eles não querem que nós saibamos...

2. Nesse sentido, não me encanta tanto o Iluminismo por conta de seu compreensível, mas, ainda assim, equivocado (e já corrigido [cf. Morin]) "endeusamento" da razão, quanto por sua ênfase justamente nessa ousadia, nessa coragem, nessa autonomia.

3. É muito pertinente observarmos que, lá, no Éden, porque homem e mulher querem (segundo minha hipótese histórico-social) autonomia em face de "Yahweh" (não sejamos ingênuos, em face do Templo!), e, por isso, são expulsos da presença de Yahweh, ali, naquele furacão avassalador que foi o século XIX (que começa em Kant!) são os homens e as mulheres quem expulsam "Deus" (não sejamos levianos - a Igreja e a Coroa), conforme bem descreveu Zaratustra. A sociedade republicana, pós-iluminista e pós-romântica é a sociedade que, depois de dois mil e quinhentos anos, assume a coragem de mandar às favas a autoridade falaciosa de homens e mulheres que se pretendem acima dos demais - e para isso se servem do mito. Nesse sentido, não acredito que um Empirismo e um Iluminismo resolvessem, por si sós, a questão, sem uma Revolução Francesa, porque, com ou sem violência, era imperioso - ainda o é - que "o último rei seja enforcado nas tripas do último padre".

4. Nesse senido, Haroldo, Karl Barth, o Vaticano I e o movimento The Fundamentals, nos Estados Unidos da América, todos esses, contemporâneos entre si, fenômenos de reação contra aquela autonomia irrefreável, constituem a encarnação reacionária dos querubins que guardam a entrada do Éden - a teologia quer o Mundo, menos a autonomia humana.

5. Obrigado por mais essa postagem.


OSVALDO LUIZ RIBEIRO
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