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sábado, 26 de fevereiro de 2011

(2011/119) Religião e ciência - fragmentos memoráveis de Ilya Prigogine na Conferência "Ciência, Religião e a Nova Utopia"


1. Eu circulo em ambiente teológico. Meus amigos carregam livros de Teologia e Filosofia debaixo do braço. É natural. Mas em um preciso momento de minha vida, depois do encontro mágico e místico com Mircea Eliade, enterrei Platão no assoalho da velha casa do passado, e abri-me às interações com as Ciências Naturais: a Fenomenologia da Religião encaminha o estudante para as Ciências Cognitivas, se ele não faz de conta que faz Fenomenologia da Religião, enquanto faz Teologia disfarçada - cripto-Teologia na forma de pseudo-Fenomenologia da Religião. Eu não fazia - nem faço - Fenomenologia da Religião disfarçada de Teologia, de modo que minhas atenções voltaram-se para dentro da consciência humana, fundamentalmente depois que li a declaração de Eliade: "o sagrado é uma estrutura da consciência humana". Ali, o Universo foi recriado diante dos meus olhos extasiados...

2. Numa banca de livros, na PUC-Rio, encontrei Edgar Morin - e O Método. Meus amigos mais próximos não têm idéia do que é essa obra - conquanto apliquem a Morin, quantas vezes, os juízos inadequados de mentalidades em ciúme. Que pena! Perderão tanto tempo! Tanta energia! Mas talvez o interesse seja mais a carreira, necessária, do que desvendar os mistérios do Universo, da Vida, da Verdade. E eu compreendo. Mas O Método é incomparável - pena que seja eu a dizê-lo, e que se tenha de mim tão pouca referência. Talvez, fora outro a dizer de O Método o que é este aqui a dizer... Talvez, se ele fosse indicado por um doutor...

3. Na esteira de Morin, encontrei Ilya Prigogine. Na mesma época. Leituras conjuntas. O que Prigogine fala, já está dentro de O Método. Não é novidade, para quem leu a obra monumental. Mas, cá entre nós, ouvir o próprio Prigogine falar sobre a origem teológica da Ciência - oxalá tenha efeito melhor do que quando sou eu a dizê-lo. E, para tanto, cá disponho esse monstro sagrado da Química e da Física, para dizer alguma coisa profunda sobre religião e ciência.


4. Arrebatador! E tanto assim, porque não cai na ingenuidade de juntar a Ciência com a velha Religião - a adequação entre ambas é - deve ser - seletiva, criteriosa, e criativa.



OSVALDO LUIZ RIBEIRO

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

(2008/86) "Representação e Complexidade" em pdf


1. Na ouviroevento, registrei os passos que a UNESCO deu em direção à Transdisciplinaridade, desde a Declaração de Veneza, de 1986. Aliada à noção de Transdisciplinaridade - irreversível, internacionalmente, quero crer - põe-se a noção de Compelexidade, a que fui introduzido pelo que há de melhor, sob meu juízo: O Método, de Edgar Morin.

2. Acabei de adquirir, e, incontinenti, descobri que está disponível em pdf, no site da UNESCO, uma obra organizada pelo Prof. Candido Mendes, Representação e Complexidade, fruto de um dos colóquios do projeto da UNESCO, Agenda do Milênio, dessa vez acontecido nas dependências da Universidade Candido Mendes, no Rio de Jaqneiro, em 2003.

3. Participaram, palestraram e tiveram seus pronunciamentos registrados na coletânea: Edgar Morin, Ilya Prigonine, Jérôme Bindé, Michel Mafesoli, Helena Knyazeva, Arjun Appadurai, Zaki Laïdi, Christoph Wulf, Francisco López Segrera, Enrique Larreta. O texto de Ilya Prigonine é, como sempre, magistral!

4. Em 2003, eu nunca havia houvido falar de Transdiscilinaridade e Complexidade. Estava na Tijuca/RJ, coordenando um Curso de Teologia. A menos de 10 km de distância, no centro da Cidade do Rio de Janeiro, próximo à Candelária, na UCAM, alguns dos maiores expoentes da Complexidade e da Transdisciplinaridade estavam reunidos, sob o patrocínio da UNESCO... E eu, absolutamente alineado do processo.

5. Foi por uma "coincidência", dessas inexplicáveis, que se explicam por si sós ou por uma mística mitológica. Fora à PUC, em finais desse mesmo 2003, para preparar minha matrícula no doutorado em Teologia. No pátio, umas bancas de livros. Excitado pela presença ali, pela oportunidade que se abria, admirei, em êxtase, os volumes. Um livro, de nome muito curioso, O Conhecimento do Conhecimento (volume 3 de O Método), chamou-me atenção. Seu autor, Edgar Morin. Nunca - ao que me lembrava - havia ouvido aquele nome. Folheei-o, e, em alguns minutos, sabia que tinha nas mãos alguma coisa que me mudaria para sempre, como fora minha experiência com o Tratado de História das Religiões, de Mircea Eliade. Não se passa impunemente por eles...

6. Recomento Representação e Complexidade. É mais um dente na engrenagem, um elo na corrente, um corpo a caminho. O futuro é imprevisível, indescortinável, aberto, nem existe, ainda. Mas, a despeito dessa aleatoriedade, dessa imprevisibilidade, parece-me seguro afirmar que ele não será senão aquilo que a Transdisciplinaridade e a Complexidade nos ensinarem a construí-lo. Se aprendermos...

7. Teologia, minha amiga, como estás atrasada!


Candido MENDES (org), Enrique LARRETA (ed). Representação e Complexidade. Rio de Janeiro: UNESCO, GARAMOND e EducaM, 2003.


OSVALDO LUIZ RIBEIRO
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