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sábado, 3 de abril de 2010

(2010/288) Artigo 14 da Carta da Transdisciplinaridade


1. "Artigo 14 - rigor, abertura e tolerância são características fundamentais da atitude e da visão transdisciplinar. O rigor na argumentação, que leva em conta todos os dados, é a barreira às possíveis distorções. A abertura comporta a aceitação do desconhecido, do inesperado e do imprevisível. A tolerância é o reconhecimento do direito às idéias e verdades contrárias às nossas". É - também - por isso que minha atitude confessa-se transdisciplinar.

2. No Brasil, de modo geral, não se discute. Os artigos são publicados, e largados nas estantes. Cada qual diz o que quer, pontua seu lattes, e está tudo bem. Pelos corredores, marreta-se fulano e beltrano, mas no campo das publicações, não. A absoluta falta de rigor e um absoluto senso político, permeiam as relações acadêmicas. Trata-se de um desastre, e, de qualquer modo, uma situação abslutamente contrária à mentalidade trandisciplinas. O avanço acadêmica acaba ocorrendo por força de ações isoladas, às vezes, solitárias.

3. "O rigor na argumentação, que leva em conta todos os dados, é a barreira às possíveis distorções" - essa é a condição para o avanço minimamente seguro do conheciento. O corporativismo da amizade política, não. É claro que a abertura e a tolerância fazem parte do jogo, e devem fazer - mas sem rigor, abertura e tolerância resultam em leniência e negligência.

4. É preico uma mudança de atitude acadêmica, um deseo de rigor, um desejo de discussão, de diálogo agonístico. Mas não: quando você o pratica, corre-se o risco de alijamento dos processos acadêmicos - e não só deles!, porque a regra do jogo é o jogo sutil do silêncio: não importa o que se escreve, o que se fala, o que de faz - tapa nas costas e bola pra frente... Vamos longe, desse modo... Resta ver para aonde...


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

sexta-feira, 2 de abril de 2010

(2010/283) Sobre Transdisciplinaridade


1. Quando a Teologia foi deposta pela força das armas... quando? Em 1789, por assim dizer, quando os europeus, ainda que não a tenham inventado, implantaram civilizatoriamente a República. OK? Então, continuemos: quando a Teologia foi deposta pela força das armas, da noite para o dia as respostas perderam o sentido. A Teologia era a despenseira das respostas prontas - como ainda o deseja ser. Mas a sociedade pós-teológica, isto é, a republicana, acabava de descobrir/decidir que as respostas teológicas seriam reservadas para as comunidades religiosas, mas não mais para a sociedade enquanto sociedade.

2. Ao mesmo tempo, as velhas perguntas já não atendiam mais às novas circunstância. Além de respostas novas para as velhas perguntas, era necessário que novas perguntas também fossem feitas. E, já que não havia mais um "Deus" para dar respostas prontas, e já que eram os homens a dar a si mesmos as suas respostas, iniciou-se sistematicamente um longo processo de disciplinarização do saber. O saber foi dividido estrategicamente em territórios. Conquistá-lo não seria mais uma tarefa de um só homem, mas de muitos, cada qual apropriando-se de um território específico. A isso, se chama a disciplinarização do conhecimento. A isso se chama disciplinaridade.

3. Foi muito bom. Nunca se conheceu tanto sobre coisa alguma do que nesse período. Contudo, dividir o território do saber em capitanias hereditárias, apesar de ajudar no melhor conhecimento de cada capitania, acaba cortando as comunicações inter-capitanias. Os suseranos de cada feudo desgostaram das pontes que cobriam os rios limítrofes, e, mais cedo ou mais tarde, acabaram por derrubá-las. Foi quase como se cada disciplina da nova configuração disciplinar do saber se tornasse uma velha China imperial, fechando-se em si mesma, admirada da barbárie que reinava fora dela própria.

4. Tentou-se uma primeira solução - a multidisciplinaridade. Na prática, isso consiste em pôr na mesma sala as diversas disciplinas. Aqui e ali, até há progressos. Mas, a médio prazo, revelou-se que aproximar as disciplinas fazia com que se aguçasse o desejo de conquista de umas sobre as outras. Não havia diálogo de fato, interação, havia ressentimento e vontade de poder. E a multidisciplinaridade, conquanto tenha avançado, não resolveu o problema da disciplinaridade.

5. Tentou-se, pois, a segunda solução - a interdisciplinaridade. É um avanço em relação à multidisciplinaridade, porque, além de serem postas num mesmo ambiente, as disciplinas são orientadas a trocarem informações, a interagirem, a dialogarem. Algo de fato aconteceu. Houve avanços. Mas o fenômeno revelava que uma disciplina interagia com a outra, recolhia informações, importantes informações, e, então, recolhia-se de novo à sua modalidade de reflexão, tratando aquelas informações a partir de sua própria perspectiva. Se na multidisciplinaridade, as disciplinas tendiam a conquistarem umas os espaços das outras, na multidisciplinaridade, as disciplinas terminavam por conquistar as conquistas das outras, transmutando-as não apenas em conquistas suas, mas trabalhando-as a partir de sua própria perspectiva.

6. Hoje, tenta-se uma terceira solução - a transdisciplinaridade. Não se trata nem de multidisciplinaridade, nem de interdisciplinaridade. O "trans" significa que uma passa por dentro da outra, uma atravessa a outra. A transdisciplinaridade postula que cada disciplina torne-se multitopográfica, colocando-se metodologicamente sobre o território da outra, enquanto faz seu próprio trabalho. A transdisciplinaridade é como um jogo de xadrez com múltiplos tabuleiros verticalmente sobrepostos, de modo que cada movimento de cada peça em um tabuleiro "acontece" em todos os tabuleiros. É o modo de operação em que uma disciplina pensa o seu objeto também a partir do pensamento das outras disciplinas.

7. Na multi e na interdisciplinaridade, o movimento é externo à consciência do pesquisador - é seu corpo que é posto numa sala repleta de outros pesquisadores. Pede-se a ele que trabalhe junto com os demais, que dialogue com os demais. Às vezes, ele consegue. Nem sempre. É a conversão interior da consciência do pesquisador que estabelece a transdisciplinaridade, porque ele sai de seu espaço, vai ao espaço do outro, para pensar o olhar do outro enquanto posto sobre seu próprio objeto de pesquisa, e retornando para seu próprio espaço com esse novo olhar, e não com o resultado dele, apenas. A transdisciplinaridade não é um simples desenvolvimento da disciplinaridade - é mais do que isso, é o refluxo da disciplinaridade sobre si mesma, sem a anulação de sua necessária compartimentalização do inalcançável espaço do saber, contornando a compartimentalização especializadora e reducionista pela sua fusão na consciência disciplinar do pesquisador.

8. Na prática, o historiador pensará como historiador, mas pensará como sociólogo, como biólogo, como físico, como arqueólogo, como cientista cognitivo, como psicólogo. A transdisciplinaridade é um vetor de formação da consciência - mais do que a organização dos espaços de trabalho. Sim, a organização dos espaços de trabalho contribui significativamente para a operacionalização práxica da transdisciplinaridade - mas, que a mera re-organização dos espaços de trabalho não garantem a superação do isolacionismo disciplinar, prova-o o fragoroso fracasso da multi e da interdisciplinaridade.

9. A palavra-chave, se há uma, é a compatibilidade. Todos os saberes, ou são compatíveis entre si, ou não são saberes. Não importa sobre que perspectiva você acessa o real - todas as perspectivas, se são perspectivas sobre o mesmo real, elas devem, então, ser compatíveis. Iguais, não - compatíveis. Uma verdade sociológica não é igual a uma verdade biológica, mas se as duas forem incompatíveis, uma das duas, ou ambas, estão erradas. 10. A transdisciplinaridade marca um novo dia para a pesquisa, para o conhecimento humano. O meu desejo, enquanto teólogo, é que a Teologia, imprestável para a transdisciplinaridade, converta-se às ciências humanas e, então, passe a ter as condições inegociáveis da plataforma de operação do século XXI.


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

(2009/558) Morreu de parto


1. Na maternidade Nossa Senhora da Teologia, morreu de parto a Transdisciplinaridade. Apostava-se que tal se daria, e logo, mas, assim?, de parto? Bem, é verdade que, há séculos, Tomás de Aquino castrou Aristóteles, emasculou a fera grega, pai, decerto de todas as revoluções ocidentais, da Renascença à Reforma, e do Empirismo inglês ao Iluminismo francês, fazendo-o miar como um gatinho castrado. Também é certo que se repete à exaustão, ao vômito, que a Teologia daquele senhor se fez aristotélica... mas, cá pergunto, na terra de quem?, em que planeta?, em que mundo dos sonhos e quimeras? Na Terra é que não foi. Por que usa "termos" aristotélicos, é aristotélica a teologia dele?

2. O mesmo acontece com a Teologia e a Transdisciplinaridade. Das duas uma - ou a Teologia (ou os teólogos), não entendem nada de Transdisciplinaridade - e bem fariam em ficar quietos, então, se não vão se dar ao trabalho de pesquisar [mas os teólogos são bons pesquisadores, conquanto não tirem daí boas conseqüências...] - ou, o que é pior, sim, tão pior quanto pior é a má fé do que a ignorância, sabem, sim, mas está em curso uma emasculação, de novo, do elemento subversivo...

3. A Transdisciplinaridade exige que uma disciplina rasgue a outra. Ora, a Teologia jamais permite - nunca! - que nenhuma disciplina a rasgue. A Teologia pôs - fez que pôs, fingiu que pôs - Antropologia, Sociologia, Psicologia e todas as demais ciências moles em sua "grade", mas, insisto, nunca lhes deu conseqüência - ao contrário, controla-as, como a Igreja a seus fiés. A Teologia e tudo o que ela diz não possui nenhuma compatibilidade com nenhuma das Ciências Humanas. O que ela diz e ensina é gnose, se não exotérica, esotérica, contudo, certamente impositiva, privilegiada, solipsista. Mesmo essas quase espectrais que andam a assombrar os umbrais da consciência teológica dita pós-moderna (o que importa para a Teologia é assassinar o moderno, seja ela medieval, seja ela pós-moderna, porque o diabo é a crítica!, e a alma teológica é exorcista desde o Novo Testamento...).

4. E eu sou obrigado a ver a minha profissão, a Teologia, envengonhando-se em público, escrevendo sobre Transdisciplinaridade, o que se traduz numa impropriedade insuportável. Ver a massa evangélica tornar-se cada vez mais obscurantista já me causa constrangimentos... Assistir à Teologia participar de joguetes político-retóricos, ai, dói tanto quanto. Primeiro, Teologia, converta-se, honestamente, verdadeiramente, sinceramente, às Ciências Humanas. Depois, caso se converta, aí, sim, venha falar em (e escrever sobre) Trasdisciplinaridade. Antes, é vergonhoso. Antes, chega a ser cínico. Além de cômico...


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

quinta-feira, 28 de maio de 2009

(2009/304) Haroldo e PARECER CNE/CES Nº 118/2009 - I


1. Opa!, Haroldo, estava já com saudades... E, confesso, aguardava ansiosamente um pronunciamnto seu sobre o Parecer. Também queria o de Jimmy, mas não cheguei ainda a um nível suficiente de fé que me permita crer nisso - Jimmy terá jeito? E, contudo, mesmo seu pronunciamento, poxa vida!, tão pouquinho... Se souberas o quanto é aguardada a sua "comunicação" em Peroratio, vinhas mais a passear por estas bandas...

2. Foi boa a troca de correspondência com Zabatiero, não foi? Peroratio ficou "chique", de repente, com um doutor deitando seu tempo a dialogar com a gente. Isso não é pra lá de bom? Sim, ai houve tanto amabilidades, administradas, quanto tensões, administradas. Gosto das tensões, conquanto me ressinta psicologicamente delas, depois. É um que de isntinto suicida misturado com senso de responsabilidade "protestante", alguma coisa herdada das florestas negras da evolução humana, eu acho.

3. Mas gostaria de comentar seu post. Começo com um citado de seu § 3: "se a Teologia vem para ocupar um espaço no mundo da academia, no espaço universitário, ela deve propiciar espaços e momentos de interdisciplinariedade". Meu amigo, isso, só, já seria mais avanço do que estou disposto a imaginar que conseguiremos com a atual geração teológica. Torno-me, a cada dia, menos crédulo de que consegiremos avanços muito significativos nesse campo e direção - e o "caso" que você menciona, a "representação" da Profª Drª Marilena Chauí me parece ilustrativo disso, bem como a isso se refere aquele constrangedor "histórico" que se faz constar do Voto, triste ter que ler aquilo e saber que é "fato líquido e certo". Papelão o nosso! Melhor nem levantar quem dentre tais gestores teológicos são, ao mesmo tempo, pastores...

4. Na ágora, há uma momento de negociação e Realpolitik. Que a isso se dediquem os "negociadores", na mesa de negociações - Lula é um caso típico, e excelente, disso. O melhor que temos, eu acho. Todavia, Haroldo, quero avançar todos os sinais - todos. Não quero pensar a Tologia "negociada", alguma coisa entre perder e ganhar, abrindo mão de algumas coisas, mas não de outras. Ouso pensar uma Teologia para amanhã - mas hoje. Amanhã ela virá, e há de me encontrar à espera, na varanda, nem que seja na forma do pó que, agora, o vento sopra, se ela demorar muito...

5. Penso que, no MEC, a Teologia deveria já ingressar sobre o regime não da inter, mas da transdisciplinaridade. E não em "espaços" e "momentos", mas em todo lugar e em todo tempo. Fazer-se e pensar-se a partir dos consensos científico-humanísticos já estabelecidos na távola. Essa história de uma província epistemológica própria da Teologia, ah, isso não pode ser sério. Arrisco o juízo - não é sério. "Momentos" de interdisciplinaridade não superam esse jogo de gueto, porque abrem-se janelas burocráticas para ouvirem-se as vozes "afins", mas, quando as janelas fecham, os ouvidos teológicos voltam para o claustro de onde nunca saem, nunca.

6. Não? Então me diz: que fazem as Ciências Humanas nos cursos de Graduação em Teologia - hoje? Antropologia, Sociologia, Psicologia, História, Fenomenologia... Ah, sim, as disciplinas estão lá, mas elas não cortam a carne da Teologia, porque a Teologia lida com elas como Deus lida com os homens. Ah, um teólogo que tocou o corpo das Ciências Humanas, e não passou pela radical "quenosis" antropológica (ao contrário, aproveitam a brecha "hermenêutica" para agarrarem-se ao passado traditivo), como levá-lo academicamente a sério? Quando a Antropologia e suas irmãs nasceram, a Teologia transformou-se inexoravelmente - virou outra coisa. Isso que anda por aí é um cadáver. Ele é precisamente o "corpo de Deus" - corpo morto de Deus! - a que Nietzsche se referia, quando, profeticamente, antevia-o a ser carregado pelas costas humanas por, ainda, muitos séculos... Profeta bom esse filósofo!

7. A Antropologia arranca, necessariamente, o olho mágico da Teologia. Mas, Haroldo, você já leu os artigos - qualquer um - que defendem a Teoloia no MEC "como ela é e está"? Sem constrangimentos, ali se defende que a Teologia tem um olhar como que de Deus - isso é dito literalmente, Harolo! De que adiantam "momentos de interdisciplinaridade", aí? De nada! Salvo, apenas, e olhe lá, para dar um ar de "científico-acadêmico" ao que é, sem tirar nem pôer, mítico-traditivo. Mas se trata de um "xamã" de ceroulas - ou nu... Platão barroco.

8. Penso, então, meu caríssimo professor (saudades de suas aulas - eram ou não eram momentos místicos, aqueles?) que é preciso ser mais audacioso, menos flexível: a Teologia tem que assumir a Epistemologia do jogo. A sua (dela) não vale. A sua sequer é Epistemologia - é self deception. Transdisciplinaridade - pensar Teologia com cabeça antropológico-sociológica, psicológico-fenomenológica. Menos do que isso é fazer como que com a Abolição da Escravatura - você faz que aboliu, mas, na prática, soa um tanto quanto cínica a história.

9. Não acabei. Mas fico por aqui. Essa foi uma provocação profundamente honesta e franca. Ela se desdobra desde uma utopia acalentada - a superação do provincialismo imperialista-missionário da Teologia "cristã" (1), que precisa abrir-se para a reflexão hiperônima da Teologia acadêmica. Suspeito, contudo, Haroldo, que nossos teólogos estejam tão profundamente presos ao modelo qiriarcal de Nicéia/Roma que tenham dificuldades de perceber que não estamos tratando de outra coisa que não cultura humana, demasiadamente humana...


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

1. Um testemunho pessoal desse "padrão" imperialista-missionário da Teologia. Curso "secular" de Teologia, no Rio, quando de sua fase de montagem (ao que tudo indica, abortado, não sei se definitiva ou provisoriamente). Numa das reuniões, aprensentaram-me o Projeto. Da grade, constava a disciplina "Missão da Igreja". Eu perguntei o que "uma disciplina dessas" fazia ali, num curso "secular". Foi-me confessado que não se dera conta disso, até aquele momento... É que (essa) Teologia "é isso"... Oh, sim, peguemos O Celeste Porvir e "expliquemos" esse "cristianismo de cruzada" - um "tipo" dentre vários... Mas eu não quero qualificá-lo - quero desqualificá-lo, posto que impertinente e impróprio para uma civilização adulta. E aí está o problema nosso, que, parece, Bonhoeffer o viu desde o cárcere.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

(2008/86) "Representação e Complexidade" em pdf


1. Na ouviroevento, registrei os passos que a UNESCO deu em direção à Transdisciplinaridade, desde a Declaração de Veneza, de 1986. Aliada à noção de Transdisciplinaridade - irreversível, internacionalmente, quero crer - põe-se a noção de Compelexidade, a que fui introduzido pelo que há de melhor, sob meu juízo: O Método, de Edgar Morin.

2. Acabei de adquirir, e, incontinenti, descobri que está disponível em pdf, no site da UNESCO, uma obra organizada pelo Prof. Candido Mendes, Representação e Complexidade, fruto de um dos colóquios do projeto da UNESCO, Agenda do Milênio, dessa vez acontecido nas dependências da Universidade Candido Mendes, no Rio de Jaqneiro, em 2003.

3. Participaram, palestraram e tiveram seus pronunciamentos registrados na coletânea: Edgar Morin, Ilya Prigonine, Jérôme Bindé, Michel Mafesoli, Helena Knyazeva, Arjun Appadurai, Zaki Laïdi, Christoph Wulf, Francisco López Segrera, Enrique Larreta. O texto de Ilya Prigonine é, como sempre, magistral!

4. Em 2003, eu nunca havia houvido falar de Transdiscilinaridade e Complexidade. Estava na Tijuca/RJ, coordenando um Curso de Teologia. A menos de 10 km de distância, no centro da Cidade do Rio de Janeiro, próximo à Candelária, na UCAM, alguns dos maiores expoentes da Complexidade e da Transdisciplinaridade estavam reunidos, sob o patrocínio da UNESCO... E eu, absolutamente alineado do processo.

5. Foi por uma "coincidência", dessas inexplicáveis, que se explicam por si sós ou por uma mística mitológica. Fora à PUC, em finais desse mesmo 2003, para preparar minha matrícula no doutorado em Teologia. No pátio, umas bancas de livros. Excitado pela presença ali, pela oportunidade que se abria, admirei, em êxtase, os volumes. Um livro, de nome muito curioso, O Conhecimento do Conhecimento (volume 3 de O Método), chamou-me atenção. Seu autor, Edgar Morin. Nunca - ao que me lembrava - havia ouvido aquele nome. Folheei-o, e, em alguns minutos, sabia que tinha nas mãos alguma coisa que me mudaria para sempre, como fora minha experiência com o Tratado de História das Religiões, de Mircea Eliade. Não se passa impunemente por eles...

6. Recomento Representação e Complexidade. É mais um dente na engrenagem, um elo na corrente, um corpo a caminho. O futuro é imprevisível, indescortinável, aberto, nem existe, ainda. Mas, a despeito dessa aleatoriedade, dessa imprevisibilidade, parece-me seguro afirmar que ele não será senão aquilo que a Transdisciplinaridade e a Complexidade nos ensinarem a construí-lo. Se aprendermos...

7. Teologia, minha amiga, como estás atrasada!


Candido MENDES (org), Enrique LARRETA (ed). Representação e Complexidade. Rio de Janeiro: UNESCO, GARAMOND e EducaM, 2003.


OSVALDO LUIZ RIBEIRO
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