Mostrando postagens com marcador Clara Nunes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clara Nunes. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de março de 2010

(2010/236) O "Canto das Três Raças"


1. Clara Nunes (saudades!), Canto das Três Raças. Sublime!





Ninguém ouviu um soluçar de dor No canto do Brasil. Um lamento triste sempre ecoou Desde que o índio guerreiro Foi pro cativeiro e de lá cantou. Negro entoou um canto de revolta pelos ares No Quilombo dos Palmares, onde se refugiou. Fora a luta dos inconfidentes Pela quebra das correntes. Nada adiantou. E de guerra em paz, de paz em guerra, Todo o povo dessa terra Quando pode cantar, Canta de dor. E ecoa noite e dia: é ensurdecedor. Ai, mas que agonia O canto do trabalhador... Esse canto que devia ser um canto de alegria Soa apenas como um soluçar de dor.










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

(2010/010) Assim também nascem os salmos


1. Entre poesia e folclore, entre arte e mito, salpicadas da dor das águas, as palavras vão-se tecendo, tecendo... Será se, à época dos Salmos, cantava-se assim, com gestos de entre o samba e a religião?



2. A letra de Conto de Areia está aqui. Entendo-a como a narração da tristeza da morena, que perdeu seu amor no mar... Como é da Bahia, tinha que ter Iemanjá no meio, e Beira Mar, claro... Porque, na Bahia, como no Oriente Próximo Antigo, nenhuma palha o vento levanta sem que os deuses determinem... Também isso, lembro agora, Jesus o disse...





OSVALDO LUIZ RIBEIRO

sábado, 12 de dezembro de 2009

(2009/635) Canto das Três Raças


1. Quando, no futuro, seja lá qual ele for - e seja lá quem lá estiver -, olhar-se para o passado, para os séculos, os cristianíssimos séculos ocidentais, e testemunhar-se uma África vermelha do sangue de escravos, uma América do Sul vermelha - do sangue dos ameríndios, lá, então, hão de perguntar onde estava, afinal, Jesus. E alguém, desses de dizer coisas impróprias em horas impróprias, dirá: no chicote, no tronco, no sal...

2. Não, Jesus não adiantou nada, absolutamente nada, porque até Jesus precisa de muita civilidade, e um Jesus, qualquer que seja ele, na mão de uma cristandade sanguinária, por sua vez na mão de pastores de sangue, é tão sanguináro quanto ela.

3. No fundo, é preciso, primeiro, uma conversão à fraqueza, à humildade, aos valores, vai ver, até "jesuânicos" (certamente não "cristológicos"), vai-se saber, para que Jesus seja, afinal, útil para uma civilização. Na mão de fanáticos, na mão de déspotas do bem, na mão de evangelizadores, Jesus chega a ser uma desgraça.










OSVALDO LUIZ RIBEIRO
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Sobre ombros de gigantes


 

Arquivos de Peroratio