sexta-feira, 23 de maio de 2014

(2014/492) Condescender com o mito cristão em nome de quê?

Não, não me peça para condescender com o "bom crente", o "bom cristão", porque ele é gente boa... Não, não é: se ele é capaz de fazer de todas as pessoas objetos de adoração de mentiras e diabos, mas não a si mesmo, definitivamente não o posso considerar gente boa. Lamento muito. Ou ele trata todos como trata a si mesmo ou trata a si mesmo como trata a todos. Se eu tergiversar, se eu negociar, me faço tão eticamente pervertido quanto o bom crente...

(...)

Osvaldo, já fiz o que você considera ético: considero todos os deuses verdadeiros, da mesma forma que o meu. Agora, sou uma boa pessoa, segundo seus critérios?

Quase. Falta-lhe reformular tão profundamente a sua tradição e fé que desconsidere radicalmente a hipótese de o seu deus considerar inferiores ou negativos esses deuses que, agora, você considera reais.

Falta-lhe, ainda, sem disfarça a missão em novos rótulos pseudo-éticos, abrir mão honestamente na neurose da missão e da conquista de pessoas para seu deus. Você deve ficar feliz em vê-las adorando o seu próprio deus, já que você decidiu continuar adorando o seu e optou pelo caminho ético de conceder a todos o direito que concede a si mesmo.

Pronto.

Faltaria, apenas, compreender que ainda opera no mito, mas, pelo menos, não é mais um sujeito ruim...








OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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