sexta-feira, 23 de maio de 2014

(2014/491) "Não somos pretos, somos castanhos"...


Tenho alunos angolanos. Ontem, um deles me "desbumdou" - e estou ainda pensando na questão.

Em certo momento da aula, disse à turma, indicando os angolanos, que eu não usava o termo negro, mas preto, porque acho que quem usa o termo negro para os pretos é porque, no fundo, considera o termo preto um termo que os diminui: não são pretos, são negros, é o raciocínio... Eu, então, os chamo pretos, porque são pretos, assim como eu sou branco...

Um deles interrompeu e disse-me:

Não somos pretos.

Ah?

Somos castanhos...

Ah?

Veja, ele disse, e pegou uma mochila preta, encostando-a a seu braço, isso é preto, isso não, isso é preto e isso é castanho...

(...)

E você não é branco. Você é um amarelo pálido, um pardo...

Eu nada mais disse, porque não tinha mais estofo para continuar a conversa. Só fiquei parado, olhando para um ponto fixo entre o nada e o lugar nenhum, sem saber o que pensar e o que dizer...

Eu estava diante de que fenômeno?





OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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