quarta-feira, 21 de agosto de 2013

(2013/917) Sobre a estratégia de naturalizar conceitos míticos para emprestar aos textos mitológicos uma atmosfera de verdade atual, eterna e científica


_ Então... Veja lá Pedro 3,5. Leia em Almeida, de preferência. Está vendo? Pedro chama a uns de ignorantes, porque ele diz que eles ignoram que a terra e os céus subsistem no meio das águas. Pedro acredita como todo judeu - a terra é chata, tem uma redoma de ferro: o que conhecemos como "firmamento". Em cima da redoma de ferro, as águas da criação e, no meio das águas, o templo da divindade. Embaixo da terra chata, as águas da criação. A terra, para eles, estava no meio das águas - lembram-se das comportas do céu e as fontes do grande abismo, da narrativa do dilúvio? Então... Pedro tinha uma ideia mitológica da terra, dos céus e das águas que, ele acreditava, estavam lá em cima e lá embaixo...

_ Professor, há águas, sim, as nuvens...

_ Faça isso não... Não tente naturalizar uma narrativa antiga. Não tente salvar a sua compreensão da doutrina, forçando o texto a combinar com a doutrina. Os judeus, os babilônicos, os egípcios, tinham uma visão diferente do mundo, pré-científica, mitológica - e tudo que escreveram e disseram, inclusive na Bíblia, está preso a essa visão pré-científica...

_ Mas as nuvens são água!

_ Faz o seguinte. Anota. Vai investigar.







OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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