Mostrando postagens com marcador transformação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador transformação. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de abril de 2010

(2010/325) Eu escrevia, em 01 de setembro de 2008


(2008/17) Do pêndulo e da práxis:

1. Equívoco pré-marxista - "interpretar o mundo".

2. Equívoco pós-marxista - "transformar o mundo".

3. Complexidade marxista - "Die Philosophen haben die Welt nur verschieden interpretiert; es kommt aber darauf an, sie zu verändern" ("os filósofos apenas têm interpretado o mundo de forma diferente. Mas o que é importante é que ele seja mudado" - tradução minha; "os filósofos apenas interpretaram o mundo de forma diferente, o que importa é mudá-lo" - cf. Georges LABICA, As "Teses sobre Feuerbach" de Karl Marx. Trad. de Arnaldo Marques. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1990, p. 29 e 35).

4. Marx, quanto aos pré-marxistas - "apenas" interpretam.

5. Marx, quanto aos pós-marxistas - querem "apenas" transformar.

6. A Tese 11 não estabelece uma opção pendular - mas uma articulação entre "ciência/filosofia" e "práxis".

7. Nesse sentido, não se deveria descolar o conhecimento da práxis - nem tampouco descolar a práxis do conhecimento.

8. Ora, ora, ora - a Teologia sequer conhecimento é. Imagine-se o Mito - e apenas o Mito, dissociado de toda e qualquer relação lúcida/lúdica com a realidade/o real - engajada na "transformação" do Mundo.

9. Ora, é o Mito que liga o conhecimento do mundo à práxis transformadora. Mas, se o Mito entrega-se à transformação do mundo, e negligencia o conhecimento do mundo, eis não o trágico - o que seria bom -, mas o alienante.

10. Que Mito e Metáfora dediquem-se ao seu papel - dobradiça entre o conhecimento do real e a transformação do real, ao mesmo tempo em que a gosma hermenêutica que recobre os dois. Saber e Fazer são míticos - mas, cada um, a seu tempo e modo.

11. Lucidez não é um estado. É um processo. Alguma coisa entre o "não apenas" e o "o que realmente importa".


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

(2009/524) Do velho mar a trazer conchas


1. É muito instrutivo observar como o velho assume formas novas, transparece ser o novo, mas é, de qualquer modo, ainda o velho. Algumas vezes o velho se rompe mais drasticamente, e a transformação desenvolve-se em outra direção. Por exemplo - quando os homens deixaram de ser coletores-caçadores para fixarem-se ao solo, possibilitados a isso pela agricultura, o novo era a fixação a terra, já que, antes, eram peregrinos, nômades e seminômades. No entanto, esse "novo" é, em última análise, um desdobramento da necessidade natural humana de comer - seja colhendo e caçando, seja, agora, plantando e... colhendo. Assim, há rupturas mais drásticas para a manutenção de velhas necessidades. Mas, na maior parte das vezes, a transformação é superficial.

2. Veja o caso das grandes correntes filosóficas dos séculos XIX e XX. O Romantismo é, de certa forma, um aperfeiçoamento do ceticismo, presente, já, na história humana, desde antes da era cristã. O Existencialismo pode ser interpretado como uma radicalização secularizada do pelagianismo e do arminisnismo de longa data. O Estruturalismo não vai além de um Calvinismo sociologizado.

3. Não estou falando das repetições banais e reacionárias - um Barth que repete a tradição conservadora/sistemática dos séculos XVI e XVII, recebendo as águas dos movimentos de resistência à emancipação cultural dos séculos XVIII e XIX. Barth já nasce velho. Bultmann experimenta uma síntese de sacramento e homilética - a pregação é o único sacramento. Essas teologias parecem ser coisa nova, mas, afinal, são bem antigas. Falo das transformações que, mais radicais ou menos radicais, vão rompendo mais ou menos abruptamente com o velho, e trazendo/criando o novo, como as lavas de vulcões - o velho traz o novo...

4. Disso penso poder aprender que o novo que se está para inventar está, de algum modo, dentro do velho. Se o novo que vem constituir-se de atualizações de necessidades humanas verdadeiramente profundas e naturais, não haverá necessariamente muita semelhança entre o velho e o novo. Se, contudo, o novo constituir-se de apenas purpurina e vídeo-maquiagem, os nomes que se inventarem para ele poderão ser muito extravagantes e sensacionalistas, mas ainda será a velha canoa de atravessar o córrego de todos os dias. Porque as necessidades profundas dos seres humanos atualizam-se em conformidade com o tempo, mas as tradições tendem à mumificação estéril.


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

(2008/17) Do pêndulo e da práxis


1. Equívoco pré-marxista - "interpretar o mundo".

2. Equívoco pós-marxista - "transformar o mundo".

3. Complexidade marxista - "Die Philosophen haben die Welt nur verschieden interpretiert; es kommt aber darauf an, sie zu verändern" ("os filósofos apenas têm interpretado o mundo de forma diferente. Mas o que é importante é que ele seja mudado" - tradução minha; "os filósofos apenas interpretaram o mundo de forma diferente, o que importa é mudá-lo" - cf. Georges LABICA, As "Teses sobre Feuerbach" de Karl Marx. Trad. de Arnaldo Marques. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1990, p. 29 e 35).

4. Marx, quanto aos pré-marxistas - "apenas" interpretam.

5. Marx, quanto aos pós-marxistas - querem "apenas" transformar.

6. A Tese 11 não estabelece uma opção pendular - mas uma articulação entre "ciência/filosofia" e "práxis".

7. Nesse sentido, não se deveria descolar o conhecimento da práxis - nem tampouco descolar a práxis do conhecimento.

8. Ora, ora, ora - a Teologia sequer conhecimento é. Imagine-se o Mito - e apenas o Mito, dissociado de toda e qualquer relação lúcida/lúdica com a realidade/o real - engajada na "transformação" do Mundo.

9. Ora, é o Mito que liga o conhecimento do mundo à práxis transformadora. Mas, se o Mito entrega-se à transformação do mundo, e negligencia o conhecimento do mundo, eis não o trágico - o que seria bom -, mas o alienante.

10. Que Mito e Metáfora dediquem-se ao seu papel - dobradiça entre o conhecimento do real e a transformação do real, ao mesmo tempo em que a gosma hermenêutica que recobre os dois. Saber e Fazer são míticos - mas, cada um, a seu tempo e modo.

11. Lucidez não é um estado. É um processo. Alguma coisa entre o "não apenas" e o "o que realmente importa".


OSVALDO LUIZ RIBEIRO
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Sobre ombros de gigantes


 

Arquivos de Peroratio