2. É isso? Não creio que para um "teólogo" que trate dessas questões, isto é, para um teólogo que "viu" - de fato! - o abismo insondável e sem fundo da existência, possa simplesmente fingir que não viu, e voltar àquela "fé" da ingenuidade e inocência... Para um homem assim, tal qual esse, apenas lançar-se no sem fim, ou usar de retóricas políticas...
3. Mas o que me deixa encafifado é: quem é que precisa dessas artimanhas de pôr discursos sobre a mesa? O teólogo? O público dele, segundo sua opinião e senso de "mercado"? Sua "comunidade", o que faz dele algo muito parecido com um... charlatão, ainda que, vá lá, um "charlatão do bem" (Aldous Huxley desesperaria de ouvir isso!).
4. Jimmy, meu amigo, há salvação para a teologia? Ou apenas o redil das confissões lhe permitiria dormir tranqüila, crendo-se "salvadora" do mundo? Do que é que se trata, Jimmy, meu amigo, afinal? É o teólogo, afinal, o herdeiro do cetro do mundo, da retórica do Pastor dos Povos?
OSVALDO LUIZ RIBEIRO
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sábado, 12 de dezembro de 2009
(2009/633) Pergunto ao Jimmy
1. Jimmy, o que você me diria, se eu ensaiasse a seguinte "tese": o caminho para uma teologia "positiva", que tentasse superar a aporia da "esquerda", da "emancipação", da supressão de todos os fundamentos dados como "ontológicos", é o cinismo? Quero dizer: o teólogo (ou seja lá o que ele vem a ser) sabe que não há fundamento algum, mas ele - ele?, a comunidade dele, nos termos e que ele a concebe... - (agora) cuida saber que é necessário, se não um fundamento, ao menos uma crença nele, um discurso sobre ele, uma ilusão dele, poesias-pirilampos sobre ele...
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Sobre ombros de gigantes