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sábado, 27 de fevereiro de 2010

(2010/163) Tudo faz sentido, agora


1. Tempos Modernos, de Charlie Chaplin versus Another Brick in the Wall, de Pink Floyd - por trás, a crítica à "produção em série", de tudo, de todos, a mecanização da vida e a desumanização do homem. Um século - o XX - de "tempos modernos" - e duvido que tenhamos saído deles...





2. Quando a educação se torna comércio, a serviço do comércio, do jogo do comércio, quando as pessoas contam como peças de engrenagem, quando entram no "projeto do futuro", o que está em jogo é a própria concepção de vida humana - para além de vida de gado.



3. Mas, se até a religião, religião de salvação, virou, de novo, comércio, haverá esperança para nós?


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

PS. Para a seqüência de Modern Times: partes 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

(2010/100) Estivador do tempo


1. Eu passo os dias a carregar nas costas os grãos da ampulheta - cada dia, um grão. Anunciam-se as escuridões da noite, cada vez que eu ponho o grão diário na cintura de vidro, e ele cai, para nunca mais. Eu, então, retorno cada manhã, torno a pegar meu grão de tempo e a carregá-lo nas costas, Prometeu menor. Cada manhã, um grão, cada noite, um depósito. Não sei quantos grãos deverei carregar, e, logo, nem quantas vezes alisarei a cintura da morte, a cada dia, um toque. Mas haja quantos grãos houver, carregá-los-ei enquanto eu desejar. Fingirei, grãos, que não sois vós a me impôr o fardo, mas ser eu mesmo, estivador do tempo - e a desejá-lo... Fingir-me livre - eis meu teatro de escravo...





OSVALDO LUIZ RIBEIRO
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