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sexta-feira, 14 de maio de 2010

(2010/380) Das Organizações Lula - muito boa!










Os demo-tucanos estão começando a ficar incomodados com a atuação das Organizações Lula (ONU, Fórum Econômico Mundial, Time, El País, Financial Times, Obama, Zapatero e Hillary Clinton, entre muitos outros e outras).

Segundo os demo-tucanos as Organizações Lula estão fazendo, de forma disfarçada mas eficaz, campanha antecipada para a pré-candidata Dilma Rousseff.

Quando os atores sociais e políticos são brasileiros é fácil. O DEM entra com ação no TSE e pronto.

Nesse caso, a dificuldade é que o TSE não tem ingerência com esses atores sociais e políticos internacionais.

Só há uma instituição que é supra-nacional: a Igreja Católica.

Assim, os demo-tucanos estão preparando um texto justificativo e irão reclamar ao Papa, para que ele interceda e estanque essa campanha antecipada anti-ética e desleal.

O medo dos demo-tucanos, que leva a esse último recurso, é que o Lula ganhe o Prêmio Nobel da Paz ainda este ano.

Aí é que a vaca vai pro brejo, de uma vez por todas…

Não tem Organizações Serra (Globo, Folha, Estadão e Veja, entre outros) que segurem o tranco!


:o)




OSVALDO LUIZ RIBEIRO

domingo, 9 de maio de 2010

(2010/374) Entrevista da Dilma Roussef à IstoÉ


1. O Lula falou que é pra votar na Dilma. Assunto encerrado. Sendo assim, tasco aqui a entrevista da futura presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, à IstoÉ.





OSVALDO LUIZ RIBEIRO

sábado, 10 de abril de 2010

(2010/308) O Discurso - e que discurso! - de Dilma


Companheiros e Companheiras do ABC.

Estou aqui hoje e quero aproveitar este momento para me identificar com maior clareza. Os da oposição precisam dizer quem são. Vocês sabem quem eu sou, e vão saber ainda mais. O que eu fiz, o que planejo fazer e, uma coisa muito importante, o que eu não faço de jeito nenhum. Por isso gostaria de dizer que:

1 Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta. Posso apanhar, sofrer, ser maltratada, mas estou sempre firme com minhas convicções. Em cada época da minha vida, fiz o que fiz por acreditar no que fazia. Só segui o que a minha alma e o meu coração mandavam. Nunca me submeti. Nunca abandonei o barco.

2 Eu não sou de esmorecer. Vocês não me verão entregando os pontos, desistindo, jogando a toalha. Vou lutar até o fim por aquilo em que acredito. Estarei velhinha, ao lado dos meus netos, mas lutando sempre pelos meus princípios. Por um País desenvolvido com oportunidades para todos, com renda e mobilidade social, soberano e democrático;

3 Eu não apelo. Vocês não verão Dilma Rousseff usando métodos desonestos e eticamente condenáveis para ganhar ou vencer. Não me verão usando mercenários para caluniar e difamar adversários. Não me verão fazendo ou permitindo que meus seguidores cometam ataques pessoais a ninguém. Minhas críticas serão duras, mas serão políticas e civilizadas. Mesmo que eu seja alvo de ataques difamantes.

4 Eu não traio o povo brasileiro. Tudo o que eu fiz em política sempre foi em defesa do povo brasileiro. Eu nunca traí os interesses e os direitos do povo. E nunca trairei. Vocês não me verão por aí pedindo que esqueçam o que afirmei ou escrevi. O povo brasleiro é a minha bússola. A eles dedico meu maior esforço. É por eles que qualquer sacrifício vale a pena.

5 Eu não entrego o meu país. Tenham certeza de que nunca, jamais me verão tomando decisões ou assumindo posições que signifiquem a entrega das riquezas nacionais a quem quer que seja. Não vou destruir o estado, diminuindo seu papel a ponto de tornar-se omisso e inexistente. Não permitirei, se tiver forças para isto, que o patrimônio nacional, representado por suas riquezas naturais e suas empresas públicas, seja dilapidado e partido em pedaços . O estado deve estar a serviço do interesse nacional e da emancipação do povo brasileiro.

6 Eu respeito os movimenos sociais. Esteja onde estiver, respeitarei sempre os movimentos sociais, o movimento sindical, as organizações independentes do povo. Farei isso porque entendo que os movimentos sociais são a base de uma sociedade verdadeiramente democrática. Defendo com unhas e dentes a democracia representativa e vejo nela uma das mais importantes conquistas da humanidade. Tendo passado tudo o que passei justamente pela falta de liberdade e por estar lutando pela liberdade, valorizo e defenderei a democracia. Defendo também que democracia é voto, é opinião. Mas democracia é também conquista de direitos e oportunidades. É participação, é distribuição de renda, é divisão de poder. A democracia que desrespeita os movimentos sociais fica comprometida e precisa mudar para não definhar. O que estamos fazendo no governo Lula e continuaremos fazendo é garantir que todos sejam ouvidos.

Democrata que se preza não agride os movimentos sociais. Não trata grevistas como caso de polícia. Não bate em manifestantes que estejam lutando pacificamente pelos seus interesses legítimos.

Companheiras e companheiros,

Aquele país triste, da estagnação e do desemprego, ficou pra trás. O povo brasileiro não quer esse passado de volta.

Acabou o tempo dos exterminadores de emprego, dos exterminadores de futuro. O tempo agora é dos criadores de emprego, dos criadores de futuro.Porque, hoje, o Brasil é um país que sabe o quer, sabe aonde quer chegar e conhece o caminho. É o caminho que Lula nos mostrou e por ele vamos prosseguir. Avançando.

Com a força do povo e a graça de Deus.

Dilma Rousseff



OSVALDO LUIZ RIBEIRO

domingo, 21 de março de 2010

(2010/247) A Escatologia e a Futurologia do Montenegro...


1. Desde Paulo que a gente aprendeu que a regra número um da Escatologia é - jogar pra frente. Primeiro, Jesus voltaria rapidinho. Mas demorou. Então, passou-se a dizer que um ano é como mil, e mil, como um. Como pouca gente aprende, de lá para cá foi um tal de marcar data, meio mundo levar a sério, dar com os burros n'água, desmarcar a data, ir cada um pra sua casa, com cara de tonto para, no mês seguinte, deixar-se enrolar por outra agenda - dessa vez, confiabilíssima! Como eu disse, não se aprende nada...

2. O Homo escatologicus não morreu, nem morrerá tão cedo. Uma de suas maiores criações foi a nostradamização da profecia bíblica, que absolutamente nada tem de futurologia (os profetas bíblicos não previam o futuro, "evocavam-no" mágico-simpaticamente, como Balaão tentou fazer, mas a mula de Yahweh não deixou [se Balaão amaldiçoa, nem Yahweh podia impedir, daí, empacar a mula]). Mas como tudo que nasceu religioso e mitológico um dia secularizou-se, a Escatologia transformou-se em futurologia política e burocratizou-se nos Institutos de Pesquisa. Um deles, o Ibope, tem um dos mais famosos xamãs, ops, futurólogos, ops, analistas de tendências (...) do Brasil. Que esforço ele faz para conter a torcida pelas "tendências"...

3. Pois bem: no final do ano passado, o xamã Montenegro asseverou que Dilma Rousseff não passava de 15, 17%, e que o super-power-hiper-mega Zé Alagão, esse sim, "nadava de braçada" - nisso ele quase acertou, mas é que Zé Alagão "avoa" de helicóptero, e não precisou atravessar a nado uma São Paulo alagada. Nostradamus-profeticamente, Montenegro vaticinou: Dilma já era... Aí, agora, o próprio Instituto em que ele é xamã-em-chefe dá que Dilma já estaria com 30%, e o Zé Alagão, 35. Aí, foram cobrar dele aquelas declarações... E eis a pérola que o xamã soltou - a mesma que os agendadores da volta de Jesus têm a cara de pau de produzir: “eu não acredito que disse aquilo. Deve haver algum engano. Numa eleição polarizada, com praticamente dois candidatos apenas, como é que eu poderia achar que a Dilma pararia em 20%? Até o Alckmin teve 40% contra o Lula...”. Dá zero pra ele, dá... Pois é, seu moço... pois é... Devem ser os efetios dos hormônios da torcida, com uma dosezinha de tentativa de entrar em campo... Pena que não se possa recorrer aos mil anos, não é não?


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

sábado, 20 de fevereiro de 2010

(2010/145) Dilma Rousseff - meu voto


1. Haroldo e Jimmy devem, se desejarem, manifestar-se por eles mesmos. Posso apenas dizer que eu tenho meu voto definido: Dilma Rousseff. Depois do operário, a mulher.







OSVALDO LUIZ RIBEIRO

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

domingo, 27 de setembro de 2009

(2009/499) Dilma e Serra versus Bultmann, Tillich e Bonfoeffer

"Os alemães perguntam a seus pais onde estavam no momento do nazismo"

1. Alemanha. Década de 30. Hitler assume o poder. A Alemanha entra em seu pior momento, o pior dos piores momentos de sua história. Três teólogos da Alemanha - Bultmann, Tillih e Bonhoeffer. O olho da história paira sobre suas cabeças...

2. Bultmann decide ficar. O resultado de sua permanência é a desmitologização do Novo Testamento, mas a manutenção da pregação cristã. A desmitologização é, a rigor, uma desjudaização do Novo Testamento, logo, da "fé", da "pregação", da "Igreja". Talvez uma conta de chegada: tiramos a aparência de judaísmo disso e, em troca, continuamos com a romaria... É uma observação severa, eu sei, mas será mera coincidência um querigma ectoplasmático, existencialista, sacramental, homilético, a-histórico, num contexto em que o corpo judeu é transformado em objeto abjeto de perseguição e ódio, e tudo quanto o toca, ao corpo judeu, subjaz à maldição semita? Fazer-se judeu - para judeus - e grego - para gregos... O problema é quando você tem que escolher se é judeu... ou grego...

3. Tillich decide partir. O enfrentamento, sugerem-lhe, é arriscado - haverá, de todo modo, um preço: seja no câmbio de Bultmann, seja no câmbio de Bonhoeffer. Tillich não quer pagar nem uma nem outra moeda. Direito seu. Ele parte. Vai para os Estados Unidos - transforma-se naquele que é, de longe, o teólogo mais importante das Américas, rivalizado apenas pelos teólogos da libertação, latino-americanos, que, no conjunto, mas apenas no conjunto, rivalizam com o colosso que foi Tillich.

4. Bonhoeffer é o único que, explode a catástrofe, está fora. Está no lugar para onde Tillich vai. E, contudo, decide voltar para a Alemanha. Louco? Certamente. Volta. Depara-se com uma Igreja que - a seus olhos - submete-se aos valores e às políticas hitleristas. Louco e politicamente incorreto como os "profetas", sai pondo o dedo em risto na frente de toda autoridade - inclusive da Igreja. Angaria ódios inconfessáveis. Racha com a Igreja. Funda outra - a Confessante. Vão odiá-lo... É preso. Alguém o terá ajudado? Alguém suficientemente forte? Seja como for - morrerá executado pelo regime. Mártir. Voltou. Sabia que podia dar no que deu. Deu.

5. Não se trata de julgar/condenar ninguém. Trata-se, sim, de perceber como cada um deles construiu sua relação com seus valores. Nenhum deles seria "Chefe de Governo" - eram, "apenas", homens de igreja, teólogos. Cada um sabe de si, e, fazendo-se a si mesmo, constitui-se modelo para terceiros.

6. Eis, que, agora, leio um interessante artigo do Emir Sader sobre a permanência de Dilma Rousseff e o "exílio" de José Serra - no mesmo episódio. Enquanto homem e mulher, são como Bultmann, Tilich e Bonhoeffer - suas escolhas competem a eles mesmos. Mas - eis a questão - quando postulam a Presidência da República, parece que seus históricos "contam". Trata-se de escolher alguém que permaneceu e lutou e alguém que "deu um tempo". Entre algué que sabia que podia dar no que deu, e deu, e aguém que sabia que podia dar no que deu, e decidiu, direito seu, ir embora. Um dos dois pode ser o próximo a ocupar a cadeira do Planalto. Quem eu vou escolher. Bonhoeffer, claro.

7. Eis o artigo:

Em que mãos você gostaria que estivesse o Brasil? Qual o verdadeiro diploma que cada um tem e que conta para construir um país justo, soberano e humanista?

Nas horas mais difíceis se revela a personalidade – as forças e as fraquezas – de cada um. Os franceses puderam fazer esse teste quando foram invadidos e tinham que se decidir entre compactuar com o governo capitulacionsista de Vichy ou participar da resistência. Os italianos podiam optar entre participar da resistência clandestina ou aderir ao regime fascista. Os alemães perguntam a seus pais onde estavam no momento do nazismo.

No Brasil também, na hora negra da ditadura militar, formos todos testados na nossa firmeza na decisão de lutar contra a ditadura, entre aderir ao regime surgido do golpe, tentar ficar alheios a todas as brutalidades que sucediam ou somar-se à resistência. Poderíamos olhar para trás, para saber onde estava cada um naquele período.

Dois personagens que aparecem como pré-candidatos à presidência são casos opostos de comportamento e daí podemos julgar seu caráter, exatamente no momento mais difícil, quando não era possível esconder seus comportamentos, sua personalidade, sua coragem para enfrentar dificuldades, seus valores.

José Serra era dirigente estudantil, tinha sido presidente do Grêmio Politécnico, da Escola de Engenharia da USP. Já com aquela ânsia de poder que seguiu caracterizando-o por toda a vida, brigou duramente até conseguir ser presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo e, com os mesmos meios de não se deter diante de nada, chegou a ser presidente da UNE.

Com esse cargo participou do comício da Central do Brasil, em março de 1964, poucas semanas antes do golpe. Nesse evento, foi mais radical do que todos os que discursaram, não apenas de Jango, mas de Miguel Arraes e mesmo de Leonel Brizola.

No dia do golpe, poucos dias depois, da mesma forma que as outras organizações de massa, a UNE, por seu presidente, decretou greve geral. Esperava-se que iria comandar o processo de resistência estudantil, a partir do cargo pelo qual havia lutado tanto e para o qual havia sido eleito.

No entanto, Serra saiu do Brasil no primeiro grupo de pessoas que abandonou o país. Deixou abandonada a UNE, abandonou a luta de resistência dos estudantes contra a ditadura, abandonou o cargo para o qual tinha sido eleito pelos estudantes. Essa a atitude de Serra diante da primeira adversidade.

Por isso sua biografia só menciona que foi presidente da UNE, mas nunca diz que não concluiu o mandato, abandonou a UNE e os estudantes brasileiros. Nunca se pronunciou sobre esse episódio vergonhoso da sua vida.

Os estudantes brasileiros foram em frente, rapidamente se reorganizaram e protagonizaram, a parir de 1965, o primeiro grande ciclo de mobilizações populares de resistência à ditadura, enquanto Serra vivia no exílio, longe da luta dos estudantes. Ficou claro o caráter de Serra, que só voltou ao Brasil quando já havia condições de trabalho legal da oposição, sem maiores riscos.

Outra personalidade que aparece como pré-candidata à presidência também teve que reagir diante das circunstâncias do golpe militar e da ditadura. Dilma Rousseff, estudante mineira, fez outra escolha. Optou por ficar no Brasil e participar ativamente da resistência à ditadura, primeiro das mobilizações estudantis, depois das organizações clandestinas, que buscavam criar as condições para uma luta armada contra a ditadura militar.

No episódio da comissão do Senado em que ela foi questionada por ter assumido que tinha dito mentido durante a ditadura – por um senador da direita, aliado dos tucanos de Serra -, Dilma mostrou todo o seu caráter, o mesmo com que tinha atuado na clandestinidade e resistido duramente às torturas. Disse que mentiu diante das torturas que sofreu, disse que o senador não tem idéia como é duro sofrer as torturas e mentir para salvar aos companheiros. Que se orgulha de ter se comportado dessa maneira, que na ditadura não há verdade, só mentira. Que ela o senador da base tucano-demo estavam em lados opostos: ela do lado da resistência democrática, ele do lado da ditadura, do regime de terror, que seqüestrada, desaparecia, fuzilava, torturava.

Dilma lutou na clandestinidade contra a ditadura, nessa luta foi presa, torturada , condenada, ficando detida quatro anos. Saiu para retomar a luta nas novas condições que a resistência à ditadura colocava. Entrou para o PDT de Brizola, mais tarde ingressou no PT, onde participou como secretária do governo do Rio Grande do Sul. Posteriormente foi Ministra de Minas e Energia e Ministra-chefe da Casa Civil.

Essa trajetória, em particular aquela nas condições mais difíceis, é o grande diploma de Dilma: a dignidade, a firmeza, a coerência, para realizar os ideais que assume como seus. Quem pode revelar sua trajetória com transparência e quem tem que esconder momentos fundamentais da sua vida, porque vividos nas circunstâncias mais difíceis?


OSVALDO LUIZ RIBEIRO


domingo, 17 de maio de 2009

(2009/267) Peroratio e 2010


1. Peroratio não tem partido nem ideologia política, mas eu tenho, Haroldo tem e Jimmy tem. Parece estar razoavelmente clara nas postagens de Peroratio a minha posição política. Todavia, não quero fazer de Peroratio um blog de propaganda política, conquanto seja um blog também de política.

2. Então, decidi criar uma seção à esquerda, especificamente sobre 2010. Hoje, sem dúvida, ela estará recheada de links pró-Lula/Dilma e contra (nada de neutralidade em relação ao demo-tucanato) o candidato da direita e da mídia. Sendo assim, doravante, o corpo principal de Peroratio trará apenas comentários políticos necessariamente não-partidários. Não cessarei de fazer referências positivas ao Presidente da República, porque, nesse caso, uno, no que me diz respeito, o útil ao agradável. Mas a "propaganda" (pró-Lula) e as "vaias" (contra-PSDB/FCH e demais siglas demo-tucanas) vai pra esquerda. Por que? Porque a esquerda é o melhor lugar, ora...


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

quarta-feira, 29 de abril de 2009

(2009/232) O câncer é de Dilma ou da Folha?

1. Não é do feitio de Peroratio, mas abrirei uma exceção. Eu mesmo já havia escrito alguma coisa, ligeira, a respeito. Agora, trascrevo matéria do blog do Luis Nassif a respeito do "caso" - todas as minhas apostas são para o adjetivo "fraudulento" - da ficha do DOPS da Ministra Dilma Rousseff, publicado em primeira página pela Folha (Falha?) de São Paulo e declarado falso tanto pela Ministra quanto pelo próprio chefe de documentação dos arquivos do DOPS. A Folha alega, ah, tão incoente ela, coitada!, que achava que era verdadeira, mesmo tendo-a recebido por e-mail!, e de um site de defesa dos "valores" do regime militar... Com vocês: "Dilma e o mistério da máquina elétrica.

2. Para a Ministra-Chefe da Casa Civil, ainda não terminou o factóide da Folha, sobre sua suposta participação no suposto plano de sequestro do Ministro Delfim Netto. A resposta do jornal - dizendo que não poderia assegurar nem a veracidade nem a falsidade da ficha - deixou a bola quicando na área para a Ministra.

3. No semi-desmentido sobre a ficha, a Folha fala em uma "ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada - bem como não pode ser descartada".

4. Não é verdade. A Folha sabia que a ficha era falsa. Se não sabia quando soltou a matéria, certamente foi informada quando escreveu o semidesmentido, pelo responsável pelos arquivos do DOPS, da mesma maneira que ele próprio explicou para Dilma, quando ela o procurou.

5. A tal ficha tinha sido preenchida por algum sistema em que as letras não têm diferenças entre si - diferente do que acontece com qualquer texto escrito em máquinas de escrever comuns. Logo, só poderia ter saído de um computador ou de uma máquina elétrica. Em 1970 não existia nem um, nem outro. Logo, não poderia haver nenhuma dúvida sobre a falsificação da ficha.

6. Não foi o único fato comprometedor nessa sucessão de manipulações daquele que provavelmente é o mais grave episódio a comprometer a imagem do jornal nos últimos anos.

7. Dilma aceitou dar um depoimento para a repórter Fernanda Odilla a pedido do diretor da sucursal da Folha em Brasília, Melchiades Filho.

8. Na entrevista, foi taxativa em garantir que jamais participara de uma ação armada sequer. - Sou uma pessoa bastante desinteressante para gerar matérias sobre o período, diz Dilma, porque jamais cometi ação armada, não fui julgada nem interrogada sobre isso.

9. Dilma era do Colina (Comando de Libertação Nacional). Houve uma aproximação com outro grupo, o VPR, resultando daí o VAR-Palmares. O namoro durou três meses apenas. Acabou por diferenças irreconciliáveis acerca das estratégias a serem adotadas. O Colina defendia a linha de massa; o VAR, a luta armada. O Colina não descartava a resistência ou mesmo a guerrilha futura, mas, naquele momento, não via as mínimas condições para isso. Houve bate-bocas memoráveis, em que o VAR acusava o Colina de ser “de direita”. Esse racha foi exposto por Dilma à repórter da Folha.

10. Foi um período foi muito curto, antes dos dois grupos serem desbaratados pela repressão. Em novembro de 1969, Antonio Roberto Espinosa - principal fonte da matéria -, do VAR, foi preso. Em janeiro, foi a vez de Dilma ser presa.

11. Para Dilma, o tal plano de sequestro de Delfim provavelmente era uma ideia pessoal de Espinosa, mas que, se existiu, nunca ganhou forma.

12. Sua primeira leitura da matéria, foi no Clipping do governo. Por isso não reparou na ficha propriamente dita, que saiu apenas no jornal impresso. Embaixo, a informação de que tinha sido obtida no DOPS. Para Dilma seria impossível que o DOPS tivesse forjado uma ficha com informações falsas. Em 1970, a luta armada estava completamente derrotada, os militantes já estavam presos, não havia necessidade de inventar fichas para ninguém.

13. Quando viu a ficha no jornal impresso, Dilma deu-se conta do absurdo. A tal ficha já circulava em sites na Internet, como o Ternuma e o Coturno Soturno. Imediatamente ligou para Melchiades, informando-o das suas suspeitas. Ele reiterou que a fonte eram os arquivos do DOPS. Dilma pediu que lhe enviasse o original. Não obteve resposta.

14. Dois dias depois, Dilma entrou em contato com o responsável pelos arquivos do DOPS e pediu para ver a ficha original. O responsável pelo arquivo foi taxativo. Disse que não só não tinha essa ficha por lá como desconfiava que era falsa, por uma razão óbvia: a tal ficha tinha sido preenchida por algum sistema em que as letras não tinham diferenças entre si - como acontece com qualquer texto escrito em máquinas de escrever manuais. Logo, só podia ter saído de um computador ou de uma máquina elétrica. Em 1970 não existia nem um, nem outro.


15. A reação de Dilma foi mandar carta para o ombudsman da Folha (clique aqui para ler a carta de Dilma ao Ombudsmann da Folha - blog do Nassif), relatando toda sua trajetória e relacionando 16 pontos de inconsistência na matéria. Ele não reproduziu a carta, limitando-se a publicar uma pequena nota, dizendo que a Folha deveria checar melhor as fontes.

16. Agora, Dilma contratou a UnB e a Universidade de São Paulo para produzir novos laudos. Com eles, pretende desmascarar completamente a tese da Folha, de que não seria possível assegurar que a ficha seja falsa"
.

17. Ah, essa eu vou acapanhar de bem perto. Minhas apostas? Naturalmente que não tenho como afirmar, não sou periro, não elaboro laudos periciais, mas um bom Lourenço Valla demonstraria tranqüilamente, minha hipótese, que não só a Folha (Falha?) sabe que foi fraude, como sabia. Esperemos pelos laudos.


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

PS1. "Nem o Ombudsmann da Folha agüenta a Folha". Ou: "mas e se a própria Folha for a responsável?".

sábado, 25 de abril de 2009

(2009/220) Oh, que surpresa! - II


1. A tal ficha do DOPS, como que da presidenciável e ministra Dilma Rousseff, ostensivamente exibida pela Folha de São Paulo, repercutida à exaustão pela imprensa anti-Lula, ilustrando a "notícia jornalística!" da "carreira" de guerrilheira de Dilma, alardeada então como suposta envolvida/arquiteta de um suposto seqüestro de Delfim Neto, o que ela nega - não é que era fake? Essa incorrigível e assumidademente ideológica máquina dse comunicação das oligarquias nacionais confessou - e tinha como? - que recebeu a ficha por e-mail, estão lendo isso?, por e-mail, e de quem?, de quem?, de um grupo que defende o regime militar de 64... E a Folha (ou seria "a Falha?) foi checar a informação? E para quê?, se a ficha vem a calhar para a necessidade de imagens para a campanha anti-Lula e anti-Dilma de 2010? Dilma não nega seu envolvimento com os movimentos de oposição contra a ditadura militar - foi até torturada por isso. Mas a ficha, essa não consta dos arquivos do DOPS, não...

Tá bom pra você, Agripino?


2. A Folha/Falha de São Paulo está, já em campanha para 2010 - em campanha pra quem mesmo? Assim, vai fazer de tudo, de tudo e mais um pouco, para desancar Dilma Rousseff, como tentou fazer e faz com Lula, all the time - e com a ajuda de suas sinergéticas parceiras de "comunicação".

3. O povo aprendeu a ser apascentado, a ficar bem na sua, entre um gospelzinho aqui e um funkezinho ali. Mas as altas esferas do capital e do poder político-social, essas não, essas sabem muito bem agir quando, como e para o que querem.


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

PS1. Folha e a ficha: Um erro "técnico" (Luis Carlos Azenha)
PS2. O neojornalismo do “não-sei-se-não-é” (Luis Nassif)
PS3. Folha admite que mente, inventa e manipula: autenticidade de ficha de Dilma não é provada (Os Amigos da Presidente Dilma)
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