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domingo, 20 de março de 2011

(2011/188) "Depois o 'trabalho' continua" - irretocável leitura paulohenriqueamorimiana de "Trabalho Interno" e o bom Obama


1. Como é patético assistir às caras de palermas abobalhados e de palermas abobalhadas da imprensa ao noticiarem que Obama está entre nós: parecem tietes, dessas adolescentes exudando hormônios e umidades diante de um pop star de passagem, acenando desde a sacada do Palace... Sério: prestem atenção nas fisionomias, no brilho dos olhos, no todo-sorriso que é a face inteira desses jornalistas, âncoras, repórteres - esse cast...

2. Mas é só Obama. Não há nada de novo no front. A pele escura - desgraçadamente - manchará também a raça de Zumbi, ou, ironia!, mostrará que, afinal, não há diferença entre brancos - Bush - e pretos - Obama, porque, haja o que houver, tudo permanecerá como antes, o Trabalho Interno continuará...

3. Irretocável, pois, o comentário de Paulo Henrique Amorim. Assino embaixo.



























































































Paulo Henrique Amorim








OSVALDO LUIZ RIBEIRO

sábado, 6 de junho de 2009

(2009/332) "O Discurso do Cairo"



1. "O Discurso do Cairo", Por Mauro Santayana, publicado originalmente no JB ONLINE em 05/06/2009. Trata-se de uma opinião. Uma adequada opinião?

2. "Pouco importa o que virá depois, porque nenhum homem, nenhum povo, tem em suas mãos as rédeas da História. A rota do homem na Eternidade é semelhante às estradas nos mapas antigos, nos quais as cidades eram marcadas sucessivamente em uma linha reta, com os dias de jornada entre uma e outra. Não podemos retificar o caminho da civilização, fazendo-o derivar para mais ao Norte ou mais ao Sul do tempo transcorrido. Só podemos nos situar no ponto em que nos encontramos, neste dia, nesta hora, neste minuto. O discurso de Obama, no Cairo, foi para este dia, esta hora, este minuto. Mas este dia é a soma dos milhões de dias passados. Em razão disso, o presidente foi lá, nas marcas da rota do mapa antigo, para explicar que somos caminhantes de inúteis e ilusórias intolerâncias.

3. Obama falou aos muçulmanos, na Universidade do Cairo, que segue a tradição de um dos centros de cultura mais antigos do mundo, a universidade islâmica de Al Azhar, criada no século 10. O discurso de Obama foi importante para mostrar o que tem sido a banalidade da insensatez na história dos povos, e o seu interesse político legítimo se situou no falso confronto entre o islã e a cultura judaico-cristã. Ele poderia ter sido mais claro, na contrição que nos cabe, e se ter referido às Cruzadas e à expedição de Juan de Áustria contra os otomanos, vencidos em Lepanto (1571) pelas forças aliadas da Espanha de Filipe II, da República de Veneza e do papa Pio V.

4. O exame da História – e nisso Obama foi preciso – mostra que os muçulmanos sempre foram muito mais tolerantes diante de outras crenças do que os cristãos. Ele se referiu à Andaluzia, sob o Califato de Córdoba, que, durante sete séculos, não conheceu perseguição contra os cristãos, nem contra os judeus. As três culturas conviveram bem, como atesta, entre outros documentos, as conversações interreligiosas (Libre del Gentil e dels três Savis, de Ramon Lull, no século 13) entre muçulmanos, cristãos e judeus, quando concluem que têm o mesmo Deus.

5. As palavras do presidente, não obstante as necessárias e fundadas referências históricas, são ditadas pelos desafios da atualidade. Ele foi corajoso, ao dizer que a guerra contra o Iraque não nasceu da necessidade, mas foi escolha política equivocada. Foi ainda mais firme, quando assegurou que “nenhum sistema de governo pode ou deve ser imposto sobre uma nação, por qualquer outra”. Mesmo amenizando o discurso – ao afirmar que os americanos têm relações mais fáceis com os países democráticos de modelo ocidental – trata-se de virada histórica na política externa dos Estados Unidos.

6. Embora cercado de todos os cuidados, Obama deixou claro que, sob seu governo, o Estado de Israel não contará com a carta branca de Washington para fazer o que desejar. Defendeu, de forma destacada, o direito do povo palestino à autodeterminação, dentro de fronteiras estatais seguras. Condenou, sem qualquer concessão, a existência dos assentamentos judaicos nos territórios atribuídos aos palestinos em 1948, bem como outras formas de violência sobre as populações da Cisjordânia e de Gaza. Não poderia deixar de reclamar também o reconhecimento do Estado de Israel pelos palestinos, mas não conseguiu ocultar a sua simpatia pelos menos poderosos, massacrados periodicamente pelo Exército de Israel.

7. Outro ponto importante foi o reconhecimento de que Washington derrubara um governo eleito democraticamente no Irã. Ele se referia ao golpe patrocinado pela CIA e pelos serviços britânicos, em 1953, contra Mohammed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo e obrigara o xá Reza Pahlevi, aliado das empresas estrangeiras, a buscar o exílio.

8. Ontem mesmo, a direita norte-americana, acampada no Partido Republicano, insurgiu-se violentamente contra o discurso do presidente. O deputado republicano John Boehner, líder da minoria, disse que o pronunciamento do presidente revelava “fraqueza” dos Estados Unidos. Ao contrário: Obama confirmou velho adágio político, o de que só os fortes podem parecer fracos.

9. O discurso do Cairo foi o mais importante pronunciamento de um presidente dos Estados Unidos no exterior. A História, se ele conseguir torná-lo realidade, poderá registrá-lo como registrou o de Lincoln, em Gettysburg, em 19 de novembro de 1863, em que o estadista curvou-se diante de todos os mortos de uma guerra que a política não conseguira evitar. O Cairo está na linha histórica da velha cidade da Pensilvânia".

10 Talvez esse discurso, de um negro, pudesse lembrar aquele outro, de outro engro, sobre sonhos que gente tem. Quando esses sonhos são sonhados juntos, materializam-se...


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

PS. Para ler, na íntegra e em português, o "Discurso do Cairo", cf. a tradução de Caia Fittipaldi, no blog do Azenha.

domingo, 19 de abril de 2009

(2009/184) Oxalá, Obama...


1. Há um vídeo no YouTube chamado "The Obama Deception". Encontra-se legendado em português e dividido em doze vídeos de mais ou menos dez minutos cada. Na tradução, recebeu o nome de "As Mentiras de Obama". Assisti aos vídeos ontem pelo final da manhã, e, até certo ponto, estragou-me o dia - e não pelo fato de os vídeos serem de má qualidade...

2. Pelo contrário. Trata-se de um bem feito documentário a respeito de uma alegada conspiração de banqueiros e multibiolionários internacionais, cujas organizações (citam-se três delas) há tempos comandariam o Federal Reserve, bem como os próprios presidentes estadunidenses - inclusive, agora, Obama. Nos termos da denúncia do documentário, Obama não passaria de um marionete nas mãos dessas mesmas organizações que, agora, preparariam uma nova fase de ação, voltada ao controle das reservas minerais da África e instrumentalizada por campanhas "ecológicas" de controle climático.

3. Recomendo ao leitor de Peroratio que assistam ao vídeo. Não posso, não me sinto à vontade, nem competente, para indicar se devemos, ou não, levar a sério o seu teor. Em alguns aspectos, é plenamente factível: um negro, com nome muçulmano, na Casa Branca, justamente quando os EUA enfrentam a crise "terrorista" alegadamente relacionada a muculmanos, justamente quando a África vai-se tornando muçulmana...... Sob outros aspectos, contudo, sumamente ligado às teorias conspiratórias da história: o vídeo encerra traçando os "próximos passos" das organizações (alguns dos quais, aliás, aparentemente corroborados por declarações recentes de Obama...). No fundo, só o leitor poderia julgar por si mesmo - isso se não cair na mesma situação dificílima em que me encontro: não sei o que pensar desse imbróglio.

4. Oxalá, Obama seja um cara bom, um homem do bem. Se o for, ainda que esteja ligado, de forma indissociável, aos "donos do mundo", ainda restaria uma leve pluma de esperança. Não seria, nesse caso, muito diferente do que eu chego a pensar do Lula. Para mim, de um lado, Lula é um homem do bem, um cara bom, bem-intencionado, preocupado com o povo. De outro, não é a ele que o "Brasil", na prática, pertence - como se pode ver, diariamente, nas TV. No Brasil, o capital, sem importar a sua origem, a política e a justiça, com o apoio da mídia, que, sempre, se encontra vinculada a um dos grupos, mancomunam-se determinadamente na garantia de privilégios, contra os quais as boas intenções eventuais de um presidente não são suficientes - seria preciso muito mais, e, com isso, muito mais riscos. Contudo, mesmo em face de um quadro desalentador como esse, tem havido melhoras para os mais pobres e os menos mais pobres, mas isso talvez apenas porque tenha havido ainda mais melhoras para os mais ricos, como é o caso dos lucros extratosféricos dos bancos.

5. O que esperar de Obama? O que esperar dos próximos anos? Não sei. E o mais desalentador é que, com a globalização, o que quer que aconteça lá reverbera diretamente sobre a minha cabeça. Passou o tempo em que se podia ficar à toa na vida, admirando a banda que passa... E, no entanto, fazer o quê?


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

PS. participe da enquete de Peroratio, logo abaixo.

sábado, 18 de abril de 2009

(2009/177) "As Veias Abertas da América Latina"


1. Durante o encontro da "Cúpula das Américas", hoje, Hugo Chávez presenteou Barack Hussein Obama com uma edição de As Veias Abertas da América Latina, do uruguaio Eduardo Galeano - um livro que denuncia a exploração capitalista-imperialista (há outro termo?) estadunidense dos países de seu, então, "quintal", a América Latina - para o que tiveram farta ajuda das elites e das mídias locais, também aqui do Brasil, naturalmente, que elite e mídia é elite e mídia em todo canto.

2. Foi um gesto político. Primeiro, porque Chávez sabe que todos saberiam o que o gesto significaria, e, segundo, porque Chávez sabe que Obama conhece exatamente o conteúdo do livro, já que ele representa a parte "imperialista" da história. Talvez Obama tenha outros planos para "nós" - a história no-lo dirá. Pelo sim, pelo não, o gesto foi significativo.

3. Para quem não leu Eduardo Galeano, vale a pena folhear algumas de suas partes: Eduardo Galeano, Las venas abiertas de América Latina. Buenos Aires: Siglo XXI, 1971. É recomendável - principalmente para quem esteve, esse tempo todo, do lado de cá da história e não tem garantias de que já saiu daí...


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

PS1. By José Saramago.
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