sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

(2015/189) Por uma Teologia verdadeiramente não confessional

Todas as vezes, até hoje, que alguém discutiu comigo o estatuto da Teologia e das Ciências das Religiões, todas, sem exceção, meus interlocutores caminharam uns mais outros menos na direção de declarar que Teologia é alguma coisa necessariamente relacionada a uma posição confessional e, ainda mais, relacionada mesmo ao divino...

A esmagadora maioria deles diz e o restante certamente pensa que eu, hoje, não sou mais teólogo, mas um "cientista da religião". Uns, dizem-no na forma de pergunta - e não sei se honestamente estão perguntando ou político-corretamente dizendo.

Eu, todavia, não concordo com nenhum deles. Dizer que a Teologia tem de ser confessional ou mesmo imiscuir-se em revelações (deus-nos-livre!) é apenas e tão-somente tratar Teologia como algo dado e definido, clássico e assim para sempre. Óbvio que - até hoje - Teologia foi e é confissão, mesmo quando disfarçando-se. Mas eu não tenho (mais) parte nem interesse na Teologia clássica e confessional - meu interesse é apenas na Teologia acadêmica que tem de ser, não negocio, não confessional e muito menos ainda visionária, vidente de espíritos, anjos e deuses. É ciência humana ou não me interessa.

Ela, certamente, não existe ainda. Eu já a propus, mas ela não vinga. Política demais, mercado de menos. Mas nem por isso eu me considero rendido e nem por isso eu capitulo: continuarei tentando pensar uma Teologia que seja verdadeiramente Ciência Humana, que não olhe para os deuses nem fale com eles, que apenas fala deles e olha para aqueles que com eles falam.

Se isso vier a ocorrer, então passo a tentar resolver o que é que essa Teologia faz que as demais ciências humanas não fazem - mas, enquanto isso não ocorrer, meu trabalho é fincar o pé no chão, empunhar o escudo de Esparta e guardar o estreito contra o exército dos persas: a Teologia confessional, em qualquer das suas manifestações, chega aqui, me encontra e tem de enfrentar meu escudo.

Se, como Leônidas, eu vier a morrer, tentarei ao menos ferir a face de Xerxes...










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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