quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

(2015/112) Religião como "cola social" em plenas democracias laico-plurais?

Eu compreendo que a religião tenha sido, durante milênios, e até muito recentemente, uma espécie de "cola" social, mantendo o tecido trançado, tramado. Faz sentido. O problema é que isso parece funcionar bem num jogo de cultura em que são os deuses que determinam nascimento e morte, bem como tudo o que ocorre entre um e outro, considerando-se, inclusive, lugar social, quem vive e morre, quem come e quem não, quem trabalha e quem vive em ócio, quem tem sangue azul e quem tem é fome mesmo...

Entendo que Durkheim considere ainda para nossos dias - os dias dele, claro - esse mesmo papel da religião. Mas, cá entre nós: será que ele se dava conta de que a Europa não estava lá muito distante da Idade Média, quero dizer, uma cristandade de fato, ainda que não exatamente de direito...?

O que quero dizer? Em sociedades laicas, plurais, nas quais se pode ter quantas religiões se queira, ou nenhuma, ou uma só, em que nenhuma religião pode pretender mais do que as outras, pode-se, legitimamente, falar de religião como cola social? Ou, no fundo,ainda é a boca torta, fazendo que pensa o novo, quando ainda não saiu do velho...?








OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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