sexta-feira, 30 de maio de 2014

(2014/535) Sobre trocar olhares


As pessoas precisam tanto umas das outras, e também para sua auto-afirmação, para a confirmação de seus instintos e para a satisfação de suas impressões, que se deixam flagrar trocando olhares desnudos com terceiros, enquanto deixam transparecer exatamente o que pensam de você... E você, que já sabe, recebe a confirmação. Não, ela não pode conter-se, porque é a satisfação pessoal que ela experimenta em confirmar ao olho de um cúmplice todo o despeito que tem. 

A vida social é um zoológico de universidade: você observa heuristicamente o comportamento do bicho-homem, e quanto mais ele se acha superior, mais rasteja em musgo e lodo... Calmamente, você recolhe as evidências e cataloga em seu livro de memórias... 

Se há uma coisa que eu faço publicamente é resguardar-me de olhar terceiros para buscar nos olhos deles confirmação sobre o que eu penso de quem está falando comigo. Essa é uma atitude absolutamente reprovável, porque é:

a) resultado de uma alma pequena e mesquinha, que não se desnuda diante do outro e que encena uma relação falsa;

b) uma atitude anti-ética, horrorosa, quanto mais praticada por quem se julga mestre na arte;

É preciso lutar contra essa atitude, que habita a carne de todos nós, mas viceja nos olhos que cultivam esse ar de superioridade e o despeito incontido pelos considerados inferiores...









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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