quinta-feira, 17 de abril de 2014

(2014/246) Monólogos teológicos


O crente que se julga moderado e progressista, tende a pegar a sua concepção de Deus, abrandá-la, mas sem esgarçar essa concepção de Deus como fenômeno antropológico, permanecendo explicitamente a crença como ontologia revelada, e, em seguida, "magnanimamente e com espírito de abertura planetária" (ironia mode on), aplica esse conceito a todas as demais fés, passando a considerar que as fés de não-cristãos são válidas na medida em que são incompreensões (ainda!, mas apenas ainda) do verdadeiro Deus - ou seja, o Deus dele, crente "moderado".

Isso ainda é má teologia. Teologia de credo e da pior espécie - a que dissimula a presunção e ignora o conhecimento.

O conceito de Deus de forma alguma, sob nenhuma circunstância, pode ser aplicado a todas as fés, porque o conceito de Deus não é um conceito, é uma doutrina-mito, ainda que seja tomado por filósofos e com ele se façam racionalizações intermináveis - mito.

O que se pode fazer é reduzir o próprio conceito de Deus aos conceitos fenomenológicos de sagrado, reduzi-lo a produção antropológica e colocá-lo ao lado de todas as outras produções antropológicas da mesma espécie - kamis, orixás, mana etc.

Aí, há diálogo possível.

Fora disso, monólogo.










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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