quarta-feira, 11 de setembro de 2013

(2013/1050) Porque se há de cuidar para não trocar o compreender pelo salvar


Das duas, uma: ou se quebra completamente a relação do pensador com o seu tempo, a ponto de fazer do pensamento do pensador amado a expressão atemporal, amoral, atópica, da verdade, ou, com o mesmo efeito, mas por outro caminho, insere-se tão estruturalmente o pensador em seu tempo, lugar e moral que emerge daí a verdade não-humanamente calibrada. No primeiro caso, o contexto não migra para o pensamento do pensador amado - e ele está salvo! No segundo caso, o contexto não é algo a que se pode reagir, escapar, de modo que também assim se salva o pensador amado, ao custo de sua subjetividade teleológica...

Assim, fica fácil...

Mas deixemos que o mesmo seja dito no formato mais adequado à questão tão profundamente acadêmica, nesse caso, numa referência ao caso Heidegger:


"The anti-contextualist effort to "save" Heidegger later gave way to a form of contextualism, its exact opposite, which was advanced in the Heidegger debate with the similar intent of exculpating the master thinker. Roughly since Ernst Nolte, the revisionist historian of the Third Reich, and following him Rüdiger Safranski, a contextualist approach was invented to argue that, when we understand the context, it becomes clear that there is really no problem. The argument is inverted, but the conclusion is the same. Naturally, I have no objection to contextualism, provided it is used in responsible fashion. I am only opposed to contextualism when it is employed as an interpretive strategy to save the phenomena by contextualising Heidegger with the intention to explain everything away. What I have in mind is a kind of Scheinkontextualismus, that is, a way of putting into context that makes use of the context to hide or obscure what is at stake" (Tom Rockmore [Duquesne University], Heidegger, National Socialism and 'Imperialism': response to Radloff).





OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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