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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

(2010/621) Talvez eu goste mais de plantas do que de animais


1. Eis um vídeo-aula do TED, legendado em português, sobre a inteligência das plantas. Adoro plantas, mais do que eu penso adorar animais. Nos filmes de magia, adoro os Ents, plantas que andam. São magníficas - e, lamentavelmente, foi o capítulo menos estudado na escola. Na escola, as ciências deixam a botânica para o final do curso, e, como o curso acaba sendo corrido, a botânica fica para amanhã. Estudei muito pouco botânica na escola, então. Mas me encanta ler sobre elas, aprender sobre elas. E há algum tempo já, quando eu descobri que elas "se comunicam", foi como descobrir um segredo, um mistério. No fundo, plantas computam o mundo físico tanto quanto os animais.

2. No vídeo, Stefano Mancuso faz uma citação bíblica, a respeito do dilúvio, chamando atenção para o fato de que, com a expressão "todo animal vivo", descartam-se as plantas... De fato. Pode-se salvar a ortodoxia, dizendo que as plantas estavam lá, mas não se chegou a mencioná-las, como às baratas, por exemplo. O único problema dessa salvação - como de resto, de todoas as outras - é que na arca de Noé não cabia uma sequóia, certamente... Mas não se enganem - a ortodoxia é muito esforçada (cf. aqui). Nada, absolutamente nada supera a "fé" - se me entendem...

3. Mas, ora bolas, não viemos aqui para falar de fé, e, sim, de plantas. A elas, então. E como as gosto...




(para ler as legendas, clique em view subtitles, e escolha "Portuguese")





OSVALDO LUIZ RIBEIRO

sábado, 27 de fevereiro de 2010

(2010/155) De uma planta que morre


1. Há sofrimento na planta que esturrica e seca, que o sol a queima e mata, e sofre, e padece, e lancinantemente definha. Verde que era, troca a roupa de um marrom de dor, de fumo, de coisa velha que se desfaz... Aberta à luz, e orgulhosa, ela agora recolhe-se, enrolando-se, humilhada e fraca. E sofre, e chora, e morre...

2. O sol, ontem, lhe dava a vida, mas, agora, cobra caro o preço. O toque dos raios, suaves, faz-se, agora, queimadura em grau profundo, e, de beijo que se fazia, faz-se, agora, em talho de fogo a cortar a carne verde que morrer já sabe que vai. E sofre, e chora, e morre...

3. Não há salvação, coitada, para ela, que, de esperança e destino, subia pelo fio, beirava o telhado, espraiva-se à luz. Mas o destino não guarda nomes, e despeja seus caprichos sobre qualquer um. Chegou a sua vez, plantinha de quintal. Logo, sofre, chora e morre - que esse é o último ato disso que se chama a tua vida... e a minha, e a de todos nós...


OSVALDO LUIZ RIBEIRO
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