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terça-feira, 20 de abril de 2010

(2010/321) Porque nem todos os globais são Reginas


1. É, seu moço. De vez em quando a porca torce o rabo, não é não? Tem golpes que já nascem mortos...

Da série ficção, a preferida dos internautas. Começou com um telefonema de um ator consagrado para o diretor do núcleo. Ele estava irado com a peça promocional que foi ao ar na noite de Domingo. Era um institucional de trinta segundos em que ele dizia apenas duas palavras. Mas a montagem induzia o telespectador a acreditar que se tratava, não de uma campanha de aniversário da maior emissora de televisão do país, mas um mosaico grosseiro cujo slogan "a gente faz senpre mais" é uma clara alusão ao do candidato José Serra. E para corroborar com a leviandade, ainda vinha o número quarenta e cinco assinado na peça, ao lado do logotipo. Ao todo, foram quarenta celebridades entre as turmas das produções, humor, shows, esporte e jornalismo. Achei até curioso a manifestação ter partido de um ator e não de um de nós. Afinal, vendemos a eles apenas nossa força de trabalho, não nossas consciências. Será? Nem sei mais... O ator foi duro e franco com o executivo da empresa. Se alguma providência não fosse tomada, ele ia aos jornais dizer que foi vítima de manipulação. Era tudo o que a emissora não queria ouvir nessa altura do campeonato. Ainda que seu candidato pudesse ser o mesmo que o da emissora, ele jamais se sujeitaria a trabalhar naquelas condições. E antes de desligar, avisou: Eu não estou sozinho. O diretor pediu paciência, disse que ia encontrar uma saída. Pensou em quem confiar num momento desses de conflito: talvez um executivo que tivesse bom transito com o jornalismo. Afinal, foi coisa dos herdeiros da Corte do Cosme Velho, incentivados pelo Guardião da Doutrina da Fé, pensou. Assim que amanheceu propôs o encontro ao executivo que considerou ser hábil o bastante para apagar o fogo. Nisso a internet já fervilhava. Pressões vinham de todos os lados, a opinião pública, os patrocinadores, os políticos, os amigos. É preciso convencer a direção de que foi um tiro no pé. Mas como fazer isso? Juntando argumentos. E lá foram os dois tentar convencer os acionistas de que aquilo fora um erro. Os artistas respeitam os interesses comerciais e políticos da emissora, mas consideram que não cabe a eles exercer esse papel institucionalmente. O artista é o vendedor de sonhos e ilusões para todos, não só para um determinado grupo político. Afora os artistas, tem os jornalistas que emprestam sua credibilidade à emissora. Ações assim pode arranhar para sempre esse vínculo com o telespectador. E assim foram as tratativas durante toda a tarde. Ok, mas qual seria a solução? Pensaram em várias. Ao final do encontro triunfou aquela que diz assim: "O texto do filme em comemoração aos 45 anos da Rede Globo foi criado - comprovadamente - em novembro do ano passado, quando não existiam nem candidaturas muito menos slogans. Qualquer profissional de comunicação sabe que uma campanha como esta demanda tempo para ser elaborada. Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme." Esta noite não vai ser boa, nem para o Guardião, nem para a Central de Comunicação, e muito menos para o patrão. Nós aqui fora sabemos de tudo! O Povo não é bobo. Fiquem espertos.


2. Sim, sim. Nós estamos espertos. Por exemplo, deu no Nassif: "a conversa de que o filme foi criado em 2009 é mais uma mentira deslavada". Será que mentiu? Hum, será? Que coisa feia, heim, seu moço! Ah, e olha essa, agora: “Foi depois que um dos seus advogados se reuniu em Brasília com o ministro Ricardo Lewandowski, o próximo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que a TV Globo decidiu retirar do ar a campanha que celebrava seu 45º aniversário". É porque o PT conseguiria mole, mole, direito de uso do mesmoe espaço... Essa Globo perdeu mesmo o jeito de dar golpes...



OSVALDO LUIZ RIBEIRO

quarta-feira, 7 de abril de 2010

(2010/301) A Globo, sempre a Globo


1. É bom a gente não esquecer o que a "Vênus Platinada" já fez, porque ela continua a fazer. O "velho" Garcia continua tinindo e retinindo nas manhãs globais...




2. No fundo, só se pode manipular uma população manipulável. Não estaríamos aqui preocupados com a Globo, a Veja, os jornalões do PIG, se a população não fosse manipulável. Mas é, e, nesse contexto, tudo quanto vem da "telinha", vem com a intenão clara, claríssima, de manter o status quo e o poder da pequena e infeliz elite nacional. Sem dúvida, Lula ter ganho desse establishment foi uma façanha, uma senhora façanha, que oxalá se repita no final do ano.



OSVALDO LUIZ RIBEIRO

sábado, 26 de setembro de 2009

(2009/495) O Globo e o Golpe


1. O Globo você sabe qual. O golpe você escolhe: é golpe, tá lá...

"Podemos dizer que, oficialmente, a partir de 25 de setembro, O Globo passou a apoiar o golpe militar em Honduras. A coluna de Merval é o seu o salvo-conduto".

2. É direito dos articulistas dO Globo defenderem golpes anti-democráticos, já que o golpe está no DNA da empresa. É direito meu - que exerço com canina fidelidade - não assistir a jornais da Globo, não ler jornais dO Globo, e não ouvir comentaristas políticos da CBN, bem como sair da sala toda vez que as caras agourentas e golpistas dos âncoras da empresa aparecem lá. Não é tanto por mal, mas é que meu corpo recusa essa presença rançosa. É-me anti-higiênico - para o corpo e para a mente.


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

PS. para toda a declaração, cf. o comentário de "weden", no Blog do Nassif, no link acima, ou aqui.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

(2009/197) Telejornalismo (?) e pós-modernidade



1. Quer visualizar, na prática, o abraço entre o telejornalismo (tele, sim, jornalismo, é de se pôr em dúvida) e a pós-modernidade? Basta sentar diante da TV e assistir aos "jornais" - cada vez mais assisto-lhes menos. Eis o que você poderá, eventualmente, perceber, caso não se trate de um delírio neurótico de minha cabeça:

2. Primeiro, você será treinado a passar, rapidamente, por diferentes emoções - da indiferença irrefletida, ao júbilo incontido e, daí, ao pranto da tristeza, ao rancor pela injustiça, e de volta, à mágoa, à ira, e de novo, à alegria, à frivolidade do mundo dos "artistas", ao fundo do poço do crime, às alturas da divulgação "científica", à imundície cotidiana da política, à cara-de-pau de "cansados", verá a pobreza crua, a riqueza ostensiva, os latifúndios e os barracos, o céu e o inferno, a prostiuição e a pompa da rainha, verá de tudo, e ao fim, não terá visto nada... Durante quarenta minutos, seu espírito será armado e desarmado, incessantemente, até que você tenha consumido todas as suas reservas emotivas.

3. Segundo, você assistirá àquilo a que a ideologia do jornal deseja que você assista, como naquele inesquecível dia em que caiu o Boeing 737-800 da Gol, e o Jornal Nacional ficou amostrando, durante toda a edição, aquela pilha de dinheiro dos "aloprados", sem uma única palavra sobre o acidente, com cuja "manobra" jornalística, a Globo provavelmente conseguiu um segundo turno das eleições presidenciais.

4. Terceiro, você assistirá a reportagens alguma coisa entre selecionadas e montadas, como quando a Globo, por exemplo, em casos de reportagens-denúncia, cita ostensivamente nomes de partidos da base do governo, quando são eles os envolvidos, e, quase nunca, muito raramente, quando se trata de políticos de partidos aliados à emissora (PSDB e DEM, por exemplo). Falo da Globo, por ser ela, dentre as TV abertas, a mais descaradamente anti-trabalhista e anti-popular, capaz de aliar-se às forças mais reacionárias e retrógradas da política nacional - o que não significa que as demais emissoras, ainda que em menor nível, não pratiquem as mesmas infâmias televisivas.

5. Com essa prática de assim tratar a "notícia", a informação, cria-se a ilusão de que a realidade é virtual, que ela equivale àquilo que dela se diz, independentemente de sua própria substância histórica. A verdade televisiva é um efeito esquizo-político, cada vez mais distante da realidade.

6. Nos últimos meses, todavia, tem-se, felizmente, se constituído uma rede de blogs e páginas na Internet que têm funcionado como uma verdadeira fonte de informações e contra-informações. Por meio dela, você pode informar-se em tempo real, checar as informações em segundos, inteirar-se da ideologia de manifestação de determinada notícia, referenciá-la em relação ao histórico dos envolvidos, averiguar a ficha corrida do informante-jornalista - enfim, você controla a notícia, em lugar de ser controlado por "ela". Viva a nova era da notícia! Viva a nova era da informação! E, certamente, não é a nenhum desses tipos de pós-modernidade fantasmática e midiática que dou vivas, mas ao retorno do controle da informação por parte da sociedade (cf. Ivan Lessa, Informatices, na página da BBC Brasil).

7. Está chegando o fim das grandes redes de notícias televisadas e radializadas, não interativas, potencialmente manipuladoras. Os jornais, corre à larga na Internet, têm já os dias contados. Nos EUA, já começou a falência de grandes jornais. Os próximos serão os telefornais da TV. Ou readquirem credibilidade, ou se transformarão no primeiro lixo midiático do século XXI - quer dizer, na prática, indo para o aterro sanitário, deixando de ser jogado dia a dia na casa de cada brasileiro e brasileira.

8. Banda larga, vinde rápido!


OSVALDO LUIZ RIBEIRO

PS. depois de ter escrito o post acima, eis o que foi postado, hoje, na página do Nassif: "olha que jóia encontrei no Youtube. É o trabalho realizado pelos alunos de uma escola estadual em Jacarezinho, Paraná. Entendem perfeitamente como os recursos da edição são utilizados para a manipulação da informação. Gravaram o trabalho em vídeo e colocaram no Youtube. E são secundaristas da rede estadual, perfeitamente integrados na dinâmica digital e na guerrilha da Internet".


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