quarta-feira, 25 de março de 2015

(2015/321) Sobre o risco do deslumbramento

O deslumbramento é um risco real.
Um perigo verdadeiro.
O deslumbramento é como a bebida ou o álcool...
No fundo, é uma experiência próximo-erótica, hormonal...
Quando você está tomado pelos hormônios, seu corpo não pode fazer nada direito, nada, que não seja sexo. E será o melhor sexo da sua vida - o provocado hormonalmente...
O deslumbramento é algo assim.
Tudo em você só quer aquilo, aquela coisa, aquele lugar, aquela atenção, aqueles olhares, aquela posição, aquele sucesso, aquilo, aquilo, aquilo...
O cérebro interditará todas as advertências.
Você tem todas as respostas para todas as advertência.
Os valores são relativizados, porque você quer aquilo...
As regras são relativizadas, porque você quer aquilo.
Você é posto por você mesmo em uma posição de privilégios, de excepcionalidades, você é um messias, o escolhido - pode tudo...
Você chega a trair seus próprios valores.
Você é tomado por um personagem que, mais do que você, quer aquilo...

Não dura para sempre...
Às vezes, você só se arranha...
Às vezes, arranham-se você e pessoas que você ama...
Às vezes, são mais do que arranhões...
Desgraças estão à espreita...
E, raramente, você morrerá ainda deslumbrado, deixando atrás de si uma biografia de provocar vergonha nos herdeiros...

Deslumbramento.
Previna-se.
Ponha os pés no chão.
Não arranque os olhos da cara.










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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