sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

(2015/089) Apanhados sobre o "caso" Charlie Hebdo

(15/12/2015)

Se eu for forçado, tomo partido. Mas penso que é superficial o cabo de guerra "eu sou Charlie", "eu não sou Charlie". Cada lado escolhe os argumentos que convém. E argumentos são como produtos em secos e molhados: tem de tudo, de todo tamanho, de todo tipo - se há algo universal, é argumento. Coerência é que é mais difícil.

Se eu quero ser Charlie, vou pelos argumentos da liberdade de expressão e da coragem e da ousadia e da liberdade blá blá blá.

Se eu não sou Charlie, falo exatamente do aviltamento dos símbolos dos outros, mas só dos símbolos seletivos - de árabes, sim, se judeus, não.

Fiz duas caricaturas, mas você as encontrará nos textos de um e de outro lado.

No todo, contudo, é muito delicada a questão. Em tese, eu ficaria de um lado. Na prática, tendo a ficar de outro. Porque a realidade não é nem preta nem branca nem branca e preta: é uma palheta de mil tons...

https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/771721656241740



(15/12/2015)

Quanto ao Charlie Hebdo, a França parece estar colhendo os frutos da semente que plantou. A tendência é piorar. Choro existencialmente, mas compreendo estruturalmente - a França tem culpa. Os EUA têm culpa. Inglaterra tem culpa. Os países imperialistas têm culpa. E muito povo para usar como bucha de canhão em batalhas as quais os que com elas lucram não assistem nem via satélite.

https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/771708806243025


(14/01/2015)

Uma revista que está mais para fechar do que manter-se.
Uma tragédia. Execução. Assassinato. Tragédia.
Milhões de pessoas a comprarem a nova edição.
Aproveitem, meus amigos, para tentar entender o cristianismo primitivo. Não aprenderemos tudo, mas é uma boa analogia...

https://www.facebook.com/osvaldo.l.ribeiro/posts/771319192948653



(12/01/2015)

O problema da sátira, e, sim, falo também do Charlie Hebdo, é que ela não atinge nenhum objetivo pedagógico. A sátira nasceu no ambiente de provocação dos reis. Não se tratava de nada pedagógico, mas de válvula de escape social e estímulo à ousadia política da crítica ao poder. O rei jamais diminuiria a sua realeza por conta de uma sátira, conquanto a corte se matasse de rir pelas costas do rei...

O que as sátiras de Maomé fazem em relação aos muçulmanos?

Algo de bom?

Não.

De ruim?

Claro.

O muçulmano lúcido e esclarecido não vai ligar, tanto quanto eu estou me lixando de alguém desenhar Jesus menino fazendo amor com uma das cabras do Presépio. Mas o fundamentalista vai anotar essa blasfêmia e vai transformá-la em mais fundamentalismo e mais ódio.

Meu direito de troçar o rei - pelas costas dele!

Meu direito de troçar dos fundamentalistas, cercado por 500 soldados franceses!

Acho isso de uma infantilidade perniciosa.

E eu duvido que o que esteja em jogo seja a liberdade de expressão, porque xingar a mãe do vizinho não melhora nada no condomínio...











OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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