terça-feira, 16 de dezembro de 2014

(2014/786) Se é para ter uma fé, melhor inventar a sua

Ou você inventa uma fé para você, e você sabe que a inventou, ou entrega-se a uma fé que você não inventou. Nesse caso, ela será ainda, sempre, engane-se você a respeito disso ou não, uma fé inventada, ainda que não por você...

E esse é o problema: entregar-se a uma fé é entregar-se ao controle de alguém. Se a pessoa a quem, porque crê, você entrega sua autonomia, presta, ainda que o mecanismo seja perverso e anti-autônomo, talvez haja aí alguma esperança de que, afinal, você seja tosquiado de modo cuidadoso, e viva sua vida, nutrindo seu "dono", tosquia após tosquia, mas sem grandes traumas, sem severas patologias...

Agora, como não raro, a pessoa a quem você se entrega, porque crê na fé por ele inventada ou administrada, for uma pessoa má, pobre de ti - os deuses inventaram a fé para sua diversão: cada templo, uma arena de touros, cada liturgia, um Coliseu...







OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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