sexta-feira, 4 de abril de 2014

(2014/147) Os camponeses de Lutero e eu


Duas coisas aconteceram com os camponeses de Lutero.

1) ouvindo os sermões dos Reformadores, acreditaram que era para valer, que haviam chegado os novos dias, os novos tempos - na prática, que podiam insurgir-se contra os poderes constituídos... pela Igreja. Ouviram e creram...

2) deram com os burros n'água, porque aprenderam, nesse caso, com a carne, que se tratava apenas de uma mudança de dono, a coisa se resumia que chicote lhes arrancaria o couro, que senhor lhes arrancaria a pele...

Lutero "autorizou" o enfrentamento e a morte de milhares de camponeses, sob as bênçãos de Deus e da Igreja, na Guerra dos Camponeses, entre 1524 e 1525.

Da mesma forma, foi lendo discurso de teólogos críticos que me tornei crítico. No segundo ano do curso de Teologia, depois de ler vários bons teólogos e, além deles, outros teóricos, mas, assinale-se, tudo dentro do curso de Teologia, tudo nas adjacências da Igreja, cri na crítica como uma prática necessária à Igreja. Acreditei que a coisa era séria e para valer...

Felizmente, não vivo no século XVI. Não me mataram. Mas tornei-me imprestável ao jogo, porque não vou jogar uma fraude, não vou trapacear - ou creio no jogo ou paro de jogar, mas bancar o jogador, trapaceando, não. 

Os camponeses não tiveram alternativa. Enganaram-se com o discurso bonito de velhos frades e padres, agora transformados em neo-protestantes, como o velho perseguidor Saulo, sempre o velho e mesmo Saulo - mesmo depois...

Em 2017, vou celebrar a Reforma - mas meus olhos estarão em 2025. Toda a pantomima, toda a encenação, todo teatro da coisa toda termina ali - 1525.

O que eu aprendi com os camponeses e com a Teologia? Ah, que não se deve levar Teologia a sério, porque ela mesma nunca vai até as últimas conseqüências - ela mesma trabalha, o tempo todo, para a manutenção do status quo.

Um brinde àquelas raras exceções...







OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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