terça-feira, 1 de abril de 2014

(2014/102) Por que eu gosto da Bíblia

Se você souber ler, se tiver paciência, coragem e desprendimento, se de fato quiser aprender, a Bíblia - sozinha - desmonta sua própria história oficial.

Uma vez que a Bíblia foi escrita pelos judeus, por diferentes grupos, na maior parte das vezes, grupos em oposição, em luta, judeus contra judeus, os textos se desmontam uns aos outros...

Uma vez que a montagem da Bíblia se deu por meio da apropriação midráshica (alegórica) dos textos, eles entraram todos, ainda que mutuamente excludentes...

O resultado: a Bíblia tem uma história oficial e uma ou mais história não-oficiais para cada tema.

Há uma história de Abraão, mas com quatro versículos você a desmonta.

Há a história do Êxodo, mas com três, você a desconstrói.

E não é preciso ser gênio, não - basta ler a Bíblia duas ou três vezes com atenção, mesmo sem ir no Hebraico, ainda que, no Hebraico, aí já é apelação - desmonta-se tudo...

Pode impedir os alunos de ler livros técnicos. Pode proibir de ler Paulinas, Paulus, Vozes, Loyola, Sinodal, as Editoras a quem o Brasil deve a sua Teologia acadêmica. Pode obrigar as turmas a ler a lenga-lenga controlada e conservadora, que não vale o papel em que está impressa. Se os alunos amassem mesmo o livro que dizem que amam, mas não amam, amam é as histórias que aprenderam dela, ainda que mal contadas, eles, sozinhos, desmontariam tudo.

Porque os cristãos podem ser escamoteadores de informações, sonegadores de informações, mas a Bíblia, não - ela dá todo o serviço, de cabo a rabo...









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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