domingo, 30 de março de 2014

(2014/092) Não é que eu seja estraga-prazer, é apenas que eu olho à minha volta


Eu juro para vocês que gostaria de admirar a "fé" evangélica - mas não a admiro nem um pouco. Gostaria de ver as pessoas celebrando sua fé e sentir-me feliz com isso - mas, confesso, não me sinto, não.

Por quê?

Há quem dê dezessete mil explicações. Mas a que deveria dar, não dá, porque ela faria com que - imediatamente - me fosse dada razão...

É que a fé evangélica é um tipo de fé que se nutre da demonização necessária das outras fés. Tudo o que ela quer para si, ela não quer para as outras fés. Ela sequer se alegra com a saúde do outro, se essa saúde vem, para o outro, de outro deus - se não for dito que a saúde vem do mesmo deus da fé evangélica, esse evangélico chega a odiar a saúde e a desejar a doença da pessoa...

É uma fé que se nutre da negação do valor das outras fés. É uma fé buraco-negro, egoísta, narcisista, má, doentia, que não consegue abrir-se para a fraternidade - apenas para a reprodução de si mesma, vírus da febre, em todas as pessoas.

É uma fé insensível, irrefletida, indecente - que se nutre da absoluta falta de ética de quem a maneja, capaz de olhar nos olhos de uma pessoa que tenha crença distinta e tratá-la com a máxima condenação.

Assim, não me alegram os cultos, as orações, os jejuns, as festas, as celebrações - não, não me alegram. Sinto horror na alma, vergonha, tristeza - porque as pessoas que se entregam a essa fé, da forma como ela é vivida e experimentada, converte-se em uma espécie de coisa-não humana, em uma placa de ferro, morta por dentro, incapaz de experimentar alteridade, de diálogo, de fraternidade incondicional.

Por isso, não me alegro.

Por isso, espero o dia em que - ele vira? - essa fé se desmonte inteira e se transforme em outra coisa, uma relação de fraternidade com todos e todas, independentemente de credo, deus, doutrina, mito. O dia em que os religiosos evangélicos entenderão o farisaico buraco em que se enfiaram, o inferno em que se meteram, sem se dar conta...

Aborrecem o irmão todos os dias, mas acham que amam a Deus...

Ah, é, não consideram irmãos ninguém que não repita seus mitos...

Mas rangerão os dentes, no dia em que descobrirem que eram irmãos de todos os hereges...

Espero não ser tarde para sua alma.







OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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