domingo, 25 de agosto de 2013

(2013/961) A vasilha das tirinhas de Bíblia


Miguel acabara de recortar a Bíblia em tiras, tipo biscoitos da sorte. Gabriel terminou de dobrar os papeizinhos e de os pôr na vasilha. Um dos serafins aproximou-se de Deus e lha entregou.

_ E agora, Deus?

_ Vamos começar. Peguem os nomes de todos os crentes. Você pega um nome e eu tiro um versículo - o que sair, é destino dele.

_ Mas e se sair coisa ruim?

_ Sou soberano.

_ Mas e se sair maldição?

_ Sou soberano.

_ Mas e saírem aquelas pragas todas?

_ Está dito.

_ Mas e se sair condenação?

_ Também.

_ Mas e se sair ordens de matar?

_ Saia o que sair, cumpra-se...

_ Mas por que o Senhor decidiu fazer isso?

_ Você quer dizer, além do fato de seu ser eu?

_ Sim, desculpe-me...

_ Enchi o saco. Os crentes pegam a Bíblia, cortam elas em tirinhas, selecionam uns para si e outros para os outros. Para eles, o mel, para os outros, o fel. Cansei. E ainda fazem isso em meu nome. Decidi dar a eles a chance de receberem, por sorte, o que aplicam aos outros. Talvez, assim, aprendam...

_ Não era melhor ter escrito uma Bíblia sem maldição, praga, morte, destruição, violência, estupro, assassinato, crueldade...?

_ E quem ia ler?






OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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