domingo, 25 de agosto de 2013

(2013/959) Religião, mística, ética e sociedade


A mística é uma faculdade humana. Mas não sei se ela tem algum significado especial - algo que determinasse o caráter de alguém. Tendo a responder não a essa pergunta implícita.

Interessa-me, hoje, apenas a ética: como as pessoas vivem, como lidam com as outras, se as respeitam, se vivem de tal modo que reconheçam o espaço e o direito do outro, se reconhecem a necessidade do outro, se cooperam para a fraternidade e a solidariedade, para a vida em sociedade.

Nesse sentido, se observarmos honestamente, veremos que há gente mística e religiosa que não vale um centavo furado. E há gente a-religiosa que deveria ser clonada, porque a sociedade seria bem melhor com mais deles. 

Por outro lado, há gente religiosa que é ética e solidária. E há gente a-religiosa que é o cão chupando manga.

Ou seja - a religião não tem nenhum significado especial para as questões sociais. Sua especificidade se dá apenas pelo modo privilegiado com que ela controla o grupo que administra: a religião pode produzir comportamentos dirigidos, por força da crença do grupo de que é assim que o divino as quer agindo. Mas isso nada tem de necessário com a ética - o grupo pode ser levado a comportamentos anti-éticos e a comportamentos éticos - mas, na perspectiva psicológica, são pessoas sem autonomia, fazendo o que o mestre manda.

Por isso, não me iludo com a religião: o bem que ela provoca é circunstancial, tanto quanto o mal. Diga-me o que pregam os xamãs da moda e eu direi para onde vai a onda religiosa...

Um risco.








OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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