sábado, 21 de janeiro de 2012

(2012/060) De Luízas e de inspetores de colégio



1. "Quem sobrevive à Escola, sobrevive a qualquer coisa" (Bel). É verdade. Quem não sofreu na Escola? Eu não sou negro, não era gordo, não era gay. Mas era branco - macarrão sem molho, bicho de goiaba. Nas era magro (não, magro, magro, magro): pau de virar tripa. Tinha cabelo liso: sabugo de milho (logo depois, Visconde de Sabugosa). Quem não sofreu na Escola?

2. E lá era o lugar onde surgiam as piadas, as histórias, as modinhas, os contos. Escola sempre foi uma rede viral. Oitava letra do alfabeto?, perguntavam os meninos às meninas. Namorado da Julieta? Diminutivo de peito? "Inocentes", algumas respondiam: "H", "Romeu", "peitinho" e, tarde demais, levavam apalpadelas maliciosas. 

3. E as modinhas que invadiam os pátios? "Seu Valdemar, em noite de lua, saiu de casa pra cagar na rua" - em plena vigência da ditadura, lá estavam as crianças achincalhando o hino na Marinha! Mas não só: "Cidade Maravilhosa, cheia de porcaria, de dia falta água, de noite falta energia". E lá se iam, intermináveis filas de cancioneiros.

4. As coisas surgiam nos pátios, transmitiam-se de escola em escola, tomavam proporções estaduais, nacionais, e ninguém sabia mais onde havia surgido. E isso tudo na Escola, o Templo do Saber.

5. Há alguma coisa disso nas redes sociais, que são aqueles mesmos espaços, agora ampliados. Não exatamente os mesmos, porque tudo que aumenta ou diminui de tamanho, de configuração, ganha substância nova. As redes sociais não são exatamente pátios de escola, mas são bons análogos.

6. O caso "Luíza" é um bom caso. A criatividade, a sacada, de alguém tomar o caso e brincar com ele. Ele cai na rede viral e converte-se em uma grande brincadeira. Aí vem o "intelectual" de bancada, meio ranzinza, parece até o inspetor de recreio, a dar lições. Lições que são falsas, até, porque, acabaram de me contar, depois que o Nascimento puxou a nossa orelha, anunciou o programa do Ratinho!

7. Ninguém está a levar o caso Luíza a sério. Trata-se de uma brincadeira. Somos mamíferos. Mamíferos nascem brincando. E tomara que nossa espécie nunca perca essa capacidade, nascer brincando, viver brincando, morrer brincando. Entre uma brincadeira e outra, brincar de gente grande. Como na escola, onde, entre um recreio e outro, aprendíamos o bê-a-bá...



OSVALDO LUIZ RIBEIRO

Um comentário:

Blog do Pr. Neemias Lima disse...

Show de bola, foi algo assim que imaginei... desculpe a falta de modéstia.

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