1. Nosso amigo Daniel Justi está a atracar-se com uma dissertação de mestrado a respeito de "magia" no Novo Testamento, e foi lá em Gálatas, pegar um verbo que gravita em torno do "olho mau". Bem, o Natal é uma época em que testemunhamos a "magia" sendo jogada para debaixo do tapete, quer dizer, literalmente, para debaixo da... coroa...2. Que não eram "reis" já estamos carecas de saber. Eram "magos". Diz a narrativa - única - de Mateus que vieram do Oriente. Eram, aposte-se, "magis". Um "magi" era um sacerdote persa/babilônico, astrólogo, vidente etc. Não eram, absolutamente, reis...
3. O que eu gostararia de saber, e, aqui, apenas registro a curiosidade é: conta-se que a tradição de que eram "reis" teria surgido tão cedo qanto o século III (mais um pouquinho e caímos em Nicéia, no IV). Minha pergunta:
a) os magos foram transformados em reis, para afastar qualquer relação entre cristianismo e magia?, ou
b) os magos foram transformados em reis, para criar uma atmosfera de submissão traditiva do Imperador romano a "Deus", leia-se, a Roma?
4. Entre a narrativa de Mateus, a pôr magos - zoroastrianos? - vindos das longínquas terras iraquianas/iranianas, quer dizer, babilônicas, quer dizer, persas, e os "reis" impostores/embusteiros da tradição há uma intencionalidade escondida. Qual terá sido? Por que, afinal, transformaram-se magos em reis?
5. Seja como for, é divertido, para não dizer lastimável, ver (quase) um povo inteiro que se diz bíblico apresentar cantatas natalinas com... reis magos... Estamos mal de leitura, não?
OSVALDO LUIZ RIBEIRO
OSVALDO LUIZ RIBEIRO