quinta-feira, 24 de março de 2016

(2016/082) Pecadinho, pecadão?

Na igreja, muitas vezes um mundo de tolices, disfarçadas em revelação e palavras divinas, ensina-se que não há pecadinhos e pecadões, que tudo é pecado, igualmente pecado...

O resultado disso é que o olhar safado do adolescente para as bundas das adolescentes (ponha-se à porta de qualquer igreja e verá do que estou falando) equipara-se à corrupção de pastores evangélicos no Congresso: o inferno não tem cadeiras numeradas...

Quando Foucault ensina-nos a perceber que o poder e a violência são exercidos em todos os níveis, somos tentados a uma paralisia crítica, porque, se um político determina a morte de milhões no Iraque, ou o roubo de 1 bilhão de reais do Banestado, também um pai de família compra um atestado médico falso para pagar menos imposto... De novo, não há cadeiras numeradas no inferno...

É um risco intrínseco aos argumentos do filósofo: qualquer um pode inverter sua estratégia e, em lugar de esclarecer as relações hierárquicas e interdependentes do poder que compõem o grande jogo político-social, instrumentalizar o argumento como droga entorpecente de recorte pós-moderno: nada é verdade, mas tudo é pecado... Quem sou eu para apontar o dedo para FHC, se eu mijo na parede do pátio?









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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