sábado, 27 de fevereiro de 2016

(2016/023) Capitalismo e cristianismo: sobre três linhas de Losurdo

"Embora pese em primeiro lugar sobre o proletariado, a 'relação de coerção' entre capital e trabalho não poupa o capitalista individual, ele mesmo sujeito a uma 'lei coercitiva' que nasce do exterior; ele não é mais do que uma engrenagem" (DOMENICO LOSURDO, História da luta de classes, p. 83). Losurdo está discutindo o fato de que o capitalismo é um sistema perverso, que visa o máximo lucro e se utiliza da mais-valia, de sorte que não há como ser bom, se se está a serviço do capitalismo, uma vez que cada ser humano não passa de uma engrenagem do sistema capitalista.

Lembrei imediatamente do que tenho dito sobre o cristianismo ser um sistema simbólico intrinsecamente antiético. Não importa o que tentem fazer os agentes cristãos individuais, que se considerem bons, éticos, progressistas, não passam de engrenagens do sistema simbólico e o máximo que farão é disfarçar a perversão simbólica com retóricas de acolhimento...

O sistema é mau. Ele parte do pressuposto que seu mito é exclusivo, e que resta a todos os demais seres humanos apenas três alternativas: aderirem explicitamente ao mito cristão, aceitarem que seus mitos são, na verdade, pálidas e provisórias manifestações da única verdade, a cristã, ou pagar o preço da condenação do mito...






OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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