terça-feira, 24 de março de 2015

(2015/305) Perplexidade minha, minha perplexidade...

Que coisa estranha...
Não sei interpretar...
Não foi uma manifestação de cem mil pessoas.
Não foi um programa espetaculoso na mídia.
Não foi um pronunciamento retórico de um político engajado.
Não foi uma publicação em revista especializada.
Não foi um filme emocionante.
Não foi um twitaço...

Foi uma decisão.
Um voto.
Um voto da mais alta corte de Direito e Justiça do país.
Foi uma definição na forma da Lei: no que se refere à Constituição e, por isso, no país, não, não se pode mais interpretar família como o pai e a mãe, núcleo monogâmico heterônomo ortodoxo-tradicional. 
No entendimento do voto de Carmen Lúcia, Ministra do STF, família cobre, desde agora, desdobramentos homoafetivos e está interditado o termo e, logo, o fenômeno a que ele se refere, a qualquer injunção ortodoxa - logo, também religiosa.
Família não é propriedade da teologia fundamentalista e das políticas derivadas desse impulso - família pertence ao povo, que a faz e fará como julgar que deve.

Mas não vi festa...
Não, não vi.
Não ouvi rojões.
Não, não ouvi.
Não percebi nenhuma alegria na face das pessoas...
Ninguém veio à rede gritar de alegria, saltar de contentamento...

Temo que tenhamo-nos nos tornado uma sociedade midiática.
Só foi um voto.
Não foi um espetáculo.
Daí, não existe ainda para nós...

Deixamos de nos ver como uma sociedade de Direito...
E, sim, estou falando em termos de psicologia social...
O voto não nos comoveu.
O direito não surtiu efeito em nossa consciência...

Impressionante...










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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