sexta-feira, 20 de março de 2015

(2015/286) Internet, cultura e discriminação

Em nosso pequeno mundo elitista, nós, os privilegiados dos doutorados e dos mestrados, a gente "cult" e "culta", das línguas e dos cafés, dos queijos e dos vinhos, a cultura é a nossa cultura...

O que sabemos do povo? O que sabemos do gosto do povo? O que sabemos da estética do povo? Nada. Sabemos nada. Menos do que anda. Porque imaginamos coisas. Saber mesmo, esquece. Nunca entramos na casa verdadeira de um pobre verdadeiro...

Aí, vem a Internet...

Não seja tolo, moço culto. A Internet não vai espalhar a sua cultura cult, o seu francês, o seu alemão filosófico. A Internet, se funcionar como se imagina, vai trazer o mundo que você abomina à superfície - o mundo brega, sem "cultura", deselegante, desenfreado, deseducado...

Você vai querer ser matar, moço culto...

Vai lamentar: cadê a arte? Oh, e vai chorar, pedir para apagar a luz o último que sair... Entram seis bilhões e meio de pessoas que não comungam com seu dialeto elitista e você acha que o mundo vai acabar...

Desce do salto, moço culto.

Você não é nem de longe critério para o mundo...

E saiba que nem quem divide a mesa de queijos contigo te considera tanto... É só que beber é bom, só isso...










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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