sexta-feira, 27 de março de 2015

(2014/335) Abandonar o modo crente de ser, mas não, de todo, a crença...

Dificílima coisa se exige de nós, hoje: crer e descrer, sem saber quando, sem saber do que...

A vida de hoje nos põe a todos diante dos fatos noticiados, de todos os acontecimentos, de todos os textos, discursos, fenômenos: cada segundo nosso, hoje, tem mais informação do que cada século passado...

E nós, lançados nesse turbilhão sem controle...

Impossível viver nesse contexto sem "crer". Mas mais impossível ainda, se o que se pretende é sanidade, ser crédulo, tolo, infantil, um boboca e babaca...

É preciso saber no que crer, no que não crer. É preciso - contradição! - ter fundamentos para crer (ironia!) e fundamentos para descrer (paradoxo!)...

Se você se entrega crédulo a tudo, torna-se escravo da estupidez...

Se se recusa a crer em todas as coisas, torna-se um idiota perfeito...

E, todavia, não temos um manual. Não sabemos fazer...

Claro, podemos ligar o modo crente de ser e perguntar ao pastor, padre, diabo, deus, seja a que autoridade for, no que crer, o que é verdade, o que é falso, que notícia da TV é real, qual é manipulação... Mas esse modo crente de ser serve aos gestores dos crentes, não - nunca! - aos crentes... Logo, esse modo não serve para nós: devia ser abandonado totalmente...

Resta-nos aprender, lentamente, errando...

Mas resta-nos, sobretudo, não perder o contato - nunca! - com o real. Tatear, apalpar, e buscar, como à própria vida, razões para levar a sério, e razões para jogar no lixo...










OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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