terça-feira, 29 de abril de 2014

(2014/374) A quem interessam pedagogias de ostras e pérolas?


A pedagogia da ostra revela o quê?

Acho que há o risco de uma pedagogia de direita, pedagogia do conformismo, pedagogia do imobilismo estético - ah, com as pedras que te atiram, construa sua pérola...

O que se consegue com isso?

Mudar a sociedade?

Não - fazer das pessoas ostras: que cada qual, cravado em seu canto, imóvel e mudo, cada e sem dar um passo, recolha as pedras que se lhe lançam contra a casa, a cara, o corpo, e fabrique-se, silenciosamente, joias filosóficas e enfeites para pescoços...

Mas o importante é não revidar.

O importante é aguentar calado.

Penso que essa pedagogia não compreende que o mundo se tornou um parque artificial de produção de pérolas: espera-se que cada um de nós sofra calado toda a sorte de corrupção e desmando, mas, como boas e silentes ostras, façamos nossas poesias opiáceas no silêncio e no escuro do mar.

Para que lutar, rapazes, se calados podemos fazer nossas ostras de espírito?









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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