terça-feira, 15 de abril de 2014

(2014/200) Sobre meu (e qualquer outro) discurso datado


O fato de eu pertencer a um sistema cultural datado significa o quê? Por que será que, hoje, não temos negros em correntes? Ou não viajamos em caravelas, mas em transatlânticos e, aqui e ali, em submarinos nucleares? Tudo, senhores, tudo, está vinculado ao tempo - para o bem e para o mal...

Sim, é verdade: critico programaticamente os religiosos de modo geral e, particularmente, aqueles fundamentalistas horrorosos, mormente os de diploma, disfarçados em lucidez e certificados...

Todavia, critico um único ponto específico: o fato de o religioso viver a religião sem a compreensão de que vive religião, o fato de tomar a encenação animada pelo mito como expressão da realidade - ou, nos termos datados do século XIX, alienação. Seja gente simples, seja gente caminhada, critico - indistintamente, critico. Critico o fato em si - a alienação.

Se, todavia, o religioso supera sua condição de alienação, não criticarei mais sua posição epistemológica, desde que, diferentemente de alguns teólogos, ele não finja fazer metáfora, enquanto continua a "guiar" rebanhos com isso que finge...

Se o religioso confessa o enredo mítico de sua religião, seu desejo de jogar esse jogo cultural, mas, como imposição ética, restringe seus discursos, suas práticas, seus valores, em acordo com a sociedade e o conjunto dos homens, não vejo nenhum problema de ele permanecer religioso. Nenhum.

O quê? Religião é fenômeno que está fadado à alineação insuperável? Então morrerei dizendo dela o que digo hoje - alienação das massas e manipulação de especialistas...









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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