sexta-feira, 4 de abril de 2014

(2014/136) Duas reflexões sobre quem diz pensar em quando quando ouve músicas clássicas


I.

Vou apenas pensar alto.

Como assim, ouvir um compositor clássico é pensar Deus...? De onde isso saiu? Saiu de duas plataformas: a) a teológico-filosófica que não assume - se é que sabe - que Deus é uma criação da cultura, e que seja o pensá-lo, seja o senti-lo, está-se sempre, aí, diante de construtos culturais subjetivos personalíssimos, ainda que mediados por dogmas e tradições - todavia, no campo da experiência, sente-se o que se crê, pensa-se o que se crê, nada mais do que isso - e composição nenhuma, de artista algum arranca-nos de nós mesmos: pelo contrário, lança-nos apenas para cada vez mais dentro de nosso abismo e corpo...

A outra plataforma é o elitismo cultural, diretamente ligado àquela que acabo de descrever. O sujeito declara que ouvir certo compositor clássico é ouvir Deus, porque considera que Deus não esteja na canção popular escrachada... Ele não apenas sente e pensa Deus, mas só ele, só o gosto dele...

Deus, isso não tem cura! Isso é uma perversão da alma...


II.

Você dizer: "eu" penso (em) Deus, quando ouço a música tal, "eu" sinto Deus, quando ouço o compositor clássico tal, tudo bem, aceito - sei do que se trata, e, a despeito do que você me diz ser "Deus", eu sei que é seu sentimento da crença crida. Mas não vou retrucar... É apenas a sua "alienação" científico-humanista se expressando desde dentro da fé...

Agora, quando você diz, categoricamente que "se ouve Deus quando se ouve fulano", nesse caso terei de discordar categoricamente, porque se trata de uma declaração falsa, suspensa no nada e escorada por coisa alguma...







OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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