quinta-feira, 29 de agosto de 2013

(2013/977) Sobre o Pai Nosso - se Jesus ficou confuso, imagine nós...


_ Jesus...

_ Oi...

_ Posso perguntar uma coisa?

_ Pode...

_ Não vai ofender?

_ Não, não vou.

_ Tá. Olha, o Pai Nosso...

_ Sim, o que que tem?

_ Você disse que a gente deve dizer a Deus que ele nos perdoe como nós perdoamos a quem nos deve...

_ Isso...

_ Entendi.

_ Entendeu.

_ Mas ele não vai perdoar a gente... Então, de que adianta essa oração...?

_ Como assim, meu filho? 

_ Ele não vai perdoar a gente. Ele vai matar você e castigar em você o que ele diz que é nossa culpa...

_ Não, não. Ele não fará isso. Eu não condeno vocês, como não condeno a mulher adúltera, lembra?

_ Jesus, não fique bravo, mas você vai morrer para que Deus fique satisfeito, porque ele não pode simplesmente perdoar: tem que matar, tem que exigir sangue...

_ Não. Você não conhece meu pai...

_ Conheço, sim: ele construiu o Templo e está acostumado com bois e cordeiros mortos: você será só mais um... Não me importo - só não entendo como, se Deus não perdoa, devo dizer que me perdoe...

_ Você está me deixando confuso...

_ Imagine a gente, Jesus, imagine a gente...






OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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