quinta-feira, 21 de março de 2013

(2013/293) Ela não é maldita, não, Deus!

_ Osvaldo...

_ Fala, Deus...

_ Finalmente chegou o dia...

_ Finalmente. Pode mandar. 

_ Você, um dia, disse que sua esposa não era maldita...

_ Disse. Mas não foi uma vez, foram todas as vezes que olhei para ela, a beijei e a amei. Foram todos os dias de nossa vida e ainda agora, nesse momento, diante de ti...

_ Mas está escrito em Gênesis 3....

_ O Senhor sabe que eu sei o que está escrito em Gênesis 3 - inclusive em hebraico, Senhor...

_ Pois então. Te atreveste?

_ Sim, Senhor. Me atrevi. Não aceito o que aquele texto diz...

_ Até que enfim...

_ Desculpe, senhor?

_ Estou há dois mil anos escutando uns caras lá embaixo, que se dizem falar pelo meu nome, falando que eu endosso aquilo. Uma aberração - eu fazer uma mulher com vagina, com desejo sexual e dizer que ela é maldita por conta de sua vagina e desejo. Tem que ser muito desumano e maquiavélico para dizer isso...

_ Quando me contaram, eu cri. Disseram que era o Senhor que escreveu. Mas, aí, conheci Bel... Quando a toquei, soube que era linda e pura e que o texto mentia.

_ Olhar para ela, tocá-la, bastou?

_ Sim, Deus. Olhar para ela...

_ Fiz bem meu trabalho, então.

_ Fez, Senhor, mas tens péssimos alunos lá embaixo, viu?




OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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