sábado, 19 de janeiro de 2013

(2013/036) Sobre teólogos apologistas

1. Eu entendo os teólogos apologistas: eles têm um compromisso com um conteúdo positivo de fé, assumem isso como definitivo e gastam todas as suas energias para manter a casa de pé: não estão interessados em saber se ela está, de fato, de pé - estão interessados em convencer a todos que está...

2. Não me interessa isso.

3. Compreendo uma teologia que se ponha a serviço dessa política - porque apologia é política, não é heurística. A teologia se transforma num pacote programático de emendas, de respostas, de tapa-buracos, de argumentos, de racionalizações, não para a auto-crítica, mas para a manutenção, custe o que custar, da casa...

4. Não me interessa isso.

5. Interessa-me uma teologia crítica e auto-crítica, que comece com a problematização honesta. Ela não faz perguntinhas de mentira, para dar iguais respostinhas de mentira: ela faz perguntas graves, perguntas que carregam consigo o risco - assumido - de demolição do edifício inteiro...

6. Interessa-me uma teologia cujo compromisso seja pegar as mais preciosas doutrinas, de qualquer natureza, bíblicas, teológicas, tradicionais, e submetê-las aos mais severos testes de integridade...

7. A apologia, para mim, não passa de birra e teimosia política. 

8. Uma coisa é defender os pontos de vista. Outra, defender os pontos de vistas custe o que custar, a qualquer preço, sem, jamais, admitir a possibilidade de se estar errado...

9. Para mim, a primeira coisa que um teólogo deve admitir é que tudo pode estar errado, inclusive a fé, inclusive ela mesma - e, então, recomeçar tudo de novo, sempre com rigor, sempre sem negociações.





OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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