_ Deus?
_ Ai, já não falei que eu sou você mesmo projetado?
_ Eu sei que você diz isso, mas é crise de identidade de sua parte: eu falo com você, ouço você...
_ Ai, já lhe falei que você ouve sua própria consciência e acha que sou eu, mas eu sou você...
_ Você precisa se tratar, Deus... Eu vou ajudar você...
_ Sim, você vai corrigir a sua forma de pensar em mim, de tal forma que ela se adapte ao mundo ao seu redor, como os ingleses fizeram, lembra-se, inventando o Deísmo...
_ Deus, você está com sérios problemas. Você é bom, mas está meio desajustado...
_ Eu sou bom, quando você quer que eu seja, e sou mau, quando você quer que eu seja, porque eu sou sempre o que e como você quer...
_ Não é verdade...
_ Claro que é. Veja, quando Israel estava no Egito, me viam como libertador. Disseram que eu tirei eles de lá. Depois, tornaram-se monarquias, e passaram a dizer que eu mataria qualquer um que não se submetesse ao rei que eu coloquei na minha montanha sagrada...
_ Ah, mas isso é coisa de judeu doido...
_ É? Você diz que eu amo. Mas, como quer jogar no inferno um monte de gente, para poder provar que você estava certo, você inventa que é justo que isso ocorra, de modo que põe, na mesma frigideira, Amor e Assassinato em massa só para conciliar suas ideias horríveis...
_ Deus, vamos à igreja domingo! O Senhor precisa ouvir uns sermões, porque anda com umas ideias muito esquisitas...
OSVALDO LUIZ RIBEIRO
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