sábado, 26 de março de 2016

(2016/090) Em que eu posso acreditar sobre Jesus?

Dito sobre Jesus, o que provavelmente não é mito? Seu nascimento, sua morte. Não são historicamente certos, mas eu não vejo razão plausível para duvidar de que tenha existido e morrido. E morrido como bandido, executado pelo império romano. Saindo desse núcleo duro, todos os discursos vão se tornando cada vez mais frágeis, para não falar do fantástico propriamente dito, totalmente mitológico.
Deixando a fantasia maravilhosa de lado, fazem parte do núcleo tradicional mais frágil o caráter religioso de Jesus, sua vinculação ideológica de fato, seu estado civil, sua família, sua iniciação junto ao batista, sua atividade como líder. Podem-se defender várias possibilidades sobre cada uma dessas frágeis variáveis, mas jamais passará de possibilidade, algumas bem plausíveis, mas jamais mais do que isso.
De sorte que só se resolve essa questão no dogma. E, nesse sentido, todo cristão é dogmático. Se não for, não é cristão. O dogma, todavia, mente. Psicologicamente, o crente adere ao dogma, como se aderisse à história. Nem 0,01% dos crentes têm a estrutura psicológica de um Bultmann, que pode inventar de dizer que não é real, mas está de boa. Para o crente comum e os teólogos comuns, é dogma, porque é real ("mito não é mentira") e, se é dogma, é real. Mente para si mesmo o crente no dogma...
É triste a condição cristã: não pode de fato amar, não pode ser ético e precisa mentir para si mesmo, e para todo mundo, o tempo todo...








OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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