sábado, 26 de abril de 2014

(2014/346) A Ideia "Deus", Cristianismo e Ética IV


Se eu honestamente aceito a religião do outro para ele e a minha para mim, se eu realmente aceito não apenas o direito que o outro tem à religião dele, mas a equivalência irredutível da religião dele e da minha à cultura, então, meus amigos, não se enganem, nesse momento, toda a estrutura discursiva cristã que eu carrego - TODA - precisa ser imediatamente alterada, sem tergiversações e escamoteações: e a alteração mais urgente que precisarei fazer, para não me tornar um hipócrita, é romper com a narrativa monoteísta...

A única forma de eu manter o mito funcionando e não me tornar um hipócrita é dissolver a invenção monoteísta sem dó nem piedade. Caso contrário, poderei fazer de conta que aceitei a religião do outro, mas não aceitei é coisa alguma.

Ou o meu deus é mais um entre todos os deuses da Humanidade, ou estou fingindo que mudei e não mudei foi coisa alguma.

Incluo aí, nessa radical declaração, aquelas tentativas constrangedoras de aceitar a religião do outro e os deuses dos outros como sombras ainda embrionárias da minha própria religião e de meu deus - a tentativa de ser o mesmo pervertido de ontem, mas bancando o bom moço.







OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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