domingo, 20 de abril de 2014

(2014/283) Religião como ópio e outros narcóticos mais


Os grandes escritores do século XIX e início do XX, faziam uso de ópio para despertar a criatividade. Ópio, vinho, maconha e outras substâncias "enteógenas".

Quando Marx usou o termo ópio em relação à religião, ele o fez a partir da situação dos cristãos da Inglaterra, expostos a uma carga de 16 horas de trabalho, mesmo crianças, nas fábricas cristãs, de segunda a sábado e, domingo, indo à missa...

Contexto.

Na Rússia, é Vodka.

O álcool e o ópio podem despertar tudo o que está soterrado abaixo da epiderme da consciência - pode despertar a "visão" da "transcendência", pode despertar a violência doméstica, pode despertar a múltipla criatividade de um Cocteau (teve de internar-se para desintoxicação!) e pode despertar a submissão bovina aos sistemas opressivos...

O contexto de Marx era específico - a mais-valia de homens, mulheres e crianças, que se submetiam à exploração desumana, pressionados contra sua fé - como Mandeville ensinava: todo pobre, domingo, tem de ser forçado a ir à missa...

Dizer que a religião é ópio não significa apenas o que Marx quis dizer - significa até mais: como usar Deus para promover revoluções, por exemplo (Lexotan versus Prozac).

Mas será sempre a mesma experiência - quebrar a casca da consciência e do auto-controle para produzir experiências do tipo "estado alterado"...

Que seja, entre quatro paredes.

No jogo social, não.

Como disse Huxley, que fez com LSD experiências autorizadas pelo Governo inglês: "produzir deliberadamente a intoxicação das massas, ainda que para o bem, não se justifica moralmente".











OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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