segunda-feira, 25 de novembro de 2013

(2013/1385) Da cripto-teológica mania das leituras alegórico-instrumentais

Por que me bato tanto contra os hermeneutas-filósofos da recepção "ingênua" de Nietzsche...?

Simples...

De Locke a Nietzsche, nada que leiamos e consideremos bom e justo foi escrito pensando em nós - se nós somos o/do povo. Eram homens para quem o povo não ia além de bestas de carga, bípedes de trabalho - isso e absolutamente mais nada.

O que escreviam, pensando em nós, é o que se prescreve para escravos...

Os hermeneutas-filósofos torcem o que eles disseram, para fazer com que possam dizer que diziam para todos. Eles fazem com os autores aristocratas miseráveis dos séculos XVIII e XIX o que se tem feito por dois mil anos com a Bíblia - forçam as interpretações, adulteram o sentido, tentam fazer os textos dizer o que seus autores jamais, absolutamente jamais teriam dito...

Forjar uma interpretação alegórica da Bíblia fez de nossa história algo menos podre do que a história que ela conta? Não. Pelo contrário.

O mesmo se dá com a hermenêutica ingênua de Nietzsche: só disfarça o mal que havia naqueles homens, e disfarça o eventual mal que permanece em nós...

Como não? Por que, em lugar de usar, abusadamente, os canalhas do XIX, não os denunciamos?

Eu acho que é porque aprendemos a mentir com a Bíblia - em lugar de denunciarmos sua maldade, fingimos que é um livro para crianças...

Muitos filósofos ainda estão no batistério, a comer hóstias...







OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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